Se na última edição de 2019 fizemos uma retrospectiva de projetos e ações de adolescentes de Venâncio que se destacaram no ano passado, nesta primeira edição de 2020 não poderia ser diferente: apresentamos a história de uma venâncio-airense que se lança a um desafio e tanto, com o ingresso na carreira militar.

Independentemente do caminho que você deseja seguir e da área na qual quer atuar, o exemplo de Larissa Schneider pode ser inspiração: pela dedicação, o estudo e o esforço para concretização de um sonho.

RUMO AO EXÉRCITO

O brilho nos olhos de Larissa Schneider, 19 anos, não nega a emoção de ver seu nome na lista de soldados incorporados na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Ela está entre as 50 aprovadas no concurso, que contou com 40 mil inscritos, sendo que 13 mil eram mulheres. A estudante integra a quarta turma de garotas a ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), por meio da EsPCEx, na qual também está a venâncio-airense Laura Ferreira.

Larissa estudou durante dois anos até garantir a aprovação na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

A vontade de ingressar no Exército Brasileiro surgiu no início do Ensino Médio, quando Larissa ainda estudava no Colégio Bom Jesus. A jovem, que sempre gostou de estudar, se apaixonou pela área de Medicina e Resgate em Áreas Remotas, curso que não é oferecido no Brasil, somente nos Estados Unidos. “Sempre busquei algo que me desafiasse, unindo a teoria com os esportes”, conta ela, que tem a área esportiva como uma de suas paixões. “Com incentivo de meus pais, entrei no Clube de Orientação de Santa Cruz do Sul (COSC) e comecei a fazer corrida”, recorda.

Em 2016, Larissa foi convidada por um coronel do exército para representar o Brasil em um campeonato na categoria e, naquela oportunidade, fez muitos contatos, inclusive com uma menina que pretendia seguir carreira militar. Foi aí que a garota tomou a decisão de ingressar no exército.

Depois que concluiu o 3º ano, Larissa foi morar em Santa Maria, para fazer um cursinho e se preparar para o concurso. “Foi algo muito diferente para mim, pela primeira vez, fui morar longe de meus pais, em um apartamento com outras meninas de diferentes municípios”, conta.

Ela recorda que foi uma experiência muito bacana, porque elas estavam sempre juntas estudando e dando apoio, umas às outras. “Isso foi muito importante para conquistarmos um ótimo resultado”, considera a venâncio-airense que foi aprovada depois de dois anos de estudo, junto com duas das amigas do grupo, naturais de São Gabriel.


“Depois de pesquisar mais a respeito, sabia que era aquilo que eu queria seguir, não me via trabalhando em outras áreas. Cada vez que via algo relacionado à carreira militar, meu olho brilhava.”

LARISSA SCHNEIDER – Estudante


Segundo ela, o momento mais difícil de todos foi quando não conseguiu a aprovação na primeira prova, realizada em setembro de 2018. “Mesmo que eu tivesse uma base escolar muito boa, sabia que não seria fácil passar de primeira. Mesmo assim, fiquei muito triste por não ter sido aprovada depois de uma dedicação intensa de um ano de cursinho”, comenta.

Após uma das amigas de cursinho ser aprovada, o grupo se focou ainda mais nos estudos. “No cursinho aprendemos várias disciplinas: Física, Química, História militar, Direito e Psicologia”, comenta. A cada foto que a amiga enviava dos treinamentos da escola militar, o grupo ficava ainda mais motivado. “Na escola preparativa de cadetes, os soldados recebem instruções de sobrevivência, como se estivessem em uma guerra”, afirma.

Venâncio-airense integra a quarta turma de mulheres a ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

FUTURO

Depois de dois anos de cursinho em Santa Maria, Larissa foi aprovada no concurso da EsPECEx, em setembro do ano passado. Fazer parte da quarta turma de mulheres também foi motivo de muito orgulho. “Conquistar este resultado é sinal de que estamos quebrando barreiras”, considera.

A partir do dia 21 de janeiro, ela vai realizar a preparação na EsPECEx, em Campinas/SP. No final de 2020, Larissa migra para Resende, no Rio de Janeiro, onde deve permanecer por mais quatro anos na Academia Militar das Agulhas Negras. Durante a preparação, as mulheres podem optar pela área de Engenharia Mecânica (contato com material bélico) ou Intendência (com foco na área administrativa).

Larissa pretende focar na segunda opção e fazer um curso de especialização em Educação Física. “Minha ideia é sair de lá e fazer curso para bacharel em Educação Física para atuar como treinadora dos esportes, que as Forças Armadas oferecem, ou me tornar uma atleta de alto rendimento. Ainda posso mudar de ideia, tudo vai depender do que vai acontecer”, explica, ansiosa com a nova fase, que também contará com teste físico, exame médico e psicológico.

Na escola preparatória, soldados recebem instruções de sobrevivência (Foto: Centro de Comunicação Social do Exército/Divulgação)

SAIBA MAIS

A Escola Preparatória de Cadetes do Exército é o estabelecimento de ensino militar responsável por selecionar e preparar os jovens para o ingresso na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), iniciando a formação do oficial combatente do Exército Brasileiro.

Os requisitos para ingressar na carreira militar incluem aprovação no concurso, ensino médio completo (ou estar cursando o 3º ano) e ter entre 17 e 22 anos.

Também é preciso apresentar características físicas como altura
mínima de 1,60 metro para homens e 1,55 metro para mulheres. As inscrições para o concurso ocorrem, anualmente, nos meses de maio a julho, e são feitas pelo site.

(Foto: Centro de Comunicação Social do Exército/Divulgação)

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