Se a gente passa tanto tempo na internet, rolando o feed das redes sociais, por que não aproveitar o celular para aprender algo novo, esclarecer dúvidas ou reforçar o conteúdo? Recorrer a canais do YouTube ou a perfis de Instagram para entender melhor a matéria pode ser uma boa dica antes da prova.

Nesta edição, mostramos que, além de aproveitar esses meios para estudar, alunos de Venâncio Aires também produzem e compartilham conteúdo para ajudar outros estudantes. É o caso da turma de 8º ano da Escola Otto Gustavo Daniel Brands, criadora do canal ‘Conhecimento Encena’. Que tal conferir o trabalho dessa galera e, quem sabe, se inspirar para criar um próprio canal?


Profe Teresinha: “Dentro das limitações, conseguimos bastante resultado.” (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

O canal da matemática

Foi em uma conversa informal que os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Otto Gustavo Daniel Brands comentaram que tinham vontade de ter um canal no YouTube. No início do ano letivo, a turma de 8º ano criou o projeto ‘Conhecimento encena’, que propõe aos alunos a produção de vídeos de matemática. Até o momento, são três vídeos postados no canal e 76 inscritos.

]Logo quando surgiu o assunto em sala de aula, a professora de Matemática, Teresinha Aparecida Faccio Padilha, abraçou o projeto. “Os alunos usam pouco as redes sociais para estudar, por isso foi um desafio.” Antes de fazer o canal, foi realizada uma oficina com estudantes do curso técnico em Informática, do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), que deram dicas de criação de vídeos.

Conforme a professora, a turma precisa improvisar na hora de produzir os conteúdos, pois apenas em dois computadores funciona o programa de edição. Além disso, é necessário usar a câmera do celular ou a WebCam para gravar, envolvendo a criatividade dos grupos.


Todos alunos da turma foram divididos em grupo para produzir vídeos de diferentes conteúdos de matemática (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Empenho

A estudante Raquel Samara Lopes, 14 anos, diz que, como a escola possui poucos computadores e espaço para produzir os vídeos, a agilidade para postar fica comprometida. “Temos que fazer com a própria câmera e, às vezes, a qualidade fica ruim”, observa.

Apesar disso, a galera se empenha para fazer os vídeos da melhor forma possível e sempre estuda antes de gravar. “Eu voltei em conteúdos antigos para saber ensinar no vídeo”, comenta Raquel.

O grupo de Raquel gravou com o celular na mão (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Matemática não é a matéria preferida da aluna, mas, aos poucos, ela vai criando interesse pelos conteúdos. “Depois da produção, eu percebi que matemática não é só números, também é preciso interpretar para entender.”

Passo a passo

João Pedro dos Santos, 13 anos, gosta de matemática, mas, mesmo tendo facilidade, ele acha que a explicação na linguagem dos colegas é mais fácil. “Às vezes, eu não entendo bem quando a professora está dando aula, ou estou disperso no dia, daí aprendo olhando o canal.”

João e os colegas usaram a criatividade para gravar com o celular (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Sobre a importância de aprender em vídeo, o guri acha melhor, apesar de mais trabalhoso. “Se um colega manda foto de uma conta, eu não vou saber como ele chegou no resultado, vou só copiar. Mas pelo vídeo eu entendo o passo a passo da conta”, acrescenta.

O grupo do André, mesmo que o do João, fez o vídeo usando pau de selfie para apoiar o celular (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

André Manuel da Silva, 14 anos, gosta da matéria, mas sabe que esse projeto ajuda quem tem mais dificuldade em aprender cálculos. “Focamos primeiro em matemática, mas seria legal expandir para outras matérias”, diz.

Mesmo sabendo o conteúdo, o jovem recorre recorre aos vídeos de colegas, quando precisa. “Perto do dia da prova eu procuro nossos vídeos para revisar.”

Betina Costa, 13 anos, lembra que, antes de começar a gravação, a turma fez uma pesquisa procurando saber qual frequência e quais conteúdos os alunos do 5º ao 9º ano procuravam na internet. Conforme o resultado, a maioria usa as redes sociais para entretenimento. “Pela grande procura que tem a internet achamos viável fazer o canal para estudo.”

Betina e seu grupo usaram mesas e caixa para apoiar o celular durante a gravação (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Planejando com Laura

No Instagram, a aluna do Colégio Bom Jesus, Laura Beatriz Ribas de Brito, 12 anos, usa sua conta para ajudar outras pessoas em estudos. Há mais de um ano, ela criou a página
@planner.withlaura, na qual posta resumos, mostra sua maneira de organizar o conteúdo de aula e faz stories com dicas. “Minha iniciativa começou quando vi um vídeo de estudos de outra guria no YouTube. Comecei a postar resumos e as pessoas mandavam mensagem que estava ajudando elas. Isso me deixou feliz.”

São vários conteúdos abordados no studygram (Instagram de estudos), mas o que ela posta com mais frequência são anotações de português. “Na minha opinião, é a matéria mais útil, por isso destaco mais”, explica.


“O estudo é muito importante e poder motivar outras pessoas a estudar é maravilhoso.”

LAURA BEATRIZ RIBAS DE BRITO – Estudante


Truques para não errar no vídeo

Postar vídeos no YouTube e Instagram já virou mania e algumas dicas podem ajudar a garantir o melhor resultado. De acordo com o professor Diego Weigelt, do curso de Produção em Mídia Audiovisual da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), uma das coisas mais irritantes para quem assiste a qualquer material audiovisual é ver algo tremido. “É indicado sempre usar tripé ou, se conseguir, na hora de adquirir um celular, escolher um com estabilização óptica de imagem”, orienta.

Ele observa que, com o celular, o vídeo também pode ser gravado na vertical. O enquadramento e o tempo de duração vão depender de onde se deseja postar o material. “No Instagram, deve ser um vídeo rápido, muitas vezes na vertical, enquanto no YouTube os materiais podem ser mais longos, na horizontal, que de alguma forma imita o cinema”, salienta.

O professor lembra que a emoção de qualquer produção está no áudio e é essencial realizar a gravação com pouco barulho externo e com boa acústica. “Um microfone de lapela, que pode ser colocado na roupa, pode ser comprado na internet por menos de R$ 30 e ajuda muito na captação do áudio. Quem tem mais condições, pode adquirir um microfone direcional para celular e terá uma qualidade profissional”, comenta. É preciso ter cuidado com os dias de vento. Nestes casos, é indicado usar um protetor para o microfone.

A qualidade da câmera do celular ou computador também é fundamental para a produção. Para a gravação, Diego recomenda os aplicativos próprios do sistema Android ou iOS. Já para produções mais profissionais, ele indica o Filmic Pro. O LumaFusion (celular) e o Final Cut e o Adobe Premiere (computador) são programas indicados para a edição.


“Uma boa gravação é consequência de muitas coisas: domínio e uso adequado do equipamento, bom roteiro e cuidados com o local de gravação, sons e iluminação.”

DIEGO WEIGELT – Professor de Produção em Mídia Audiovisual da Unisc


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