Não é novidade que a redação do Enem assusta e, às vezes, até parece um bicho de sete cabeças. Cheia de regrinhas, exigências e avaliação de competências, ela é um dos grandes desafios de quem está se preparando para a prova, que abre portas para o ensino superior e é pré-requisito para bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Para ajudar a galera a conquistar uma boa nota no exame, o Na Pilha! promoveu, na tarde de sábado, 27 de julho, o ‘SOS Redação – 100 dias para o Enem’. O evento foi realizado em parceria com o Grupo Redação, da professora de Língua Portuguesa Luana Schonarth, e apoio da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e do Colégio Gaspar Silveira Martins.

Quem participou da atividade pôde aprender mais sobre as competências necessárias para escrever um bom texto. De quebra, o aulão ainda contou com a participação do professor de Filosofia Samuel Machado, que indicou filósofos e teorias que ajudam a embasar as redações. Nesta edição, trouxemos um resumão para que você também possa estudar e se preparar para o Enem.


Dicas para bombar na redação do Enem

A preparação para a redação do Enem vai além do domínio da Língua Portuguesa. Para conseguir colocar no papel as ideias e propostas de intervenção para um problema, cercar-se de informações é fundamental. Para isso, é preciso focar não apenas no Português, mas, também, pesquisar e estudar diferentes conteúdos, fatos e questões que podem ser tema da redação.

Uma das competências avaliadas na redação do Enem é, justamente, a compreensão da proposta de redação e aplicação “de conceitos de várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa”.

Isso significa que é preciso entender o tema proposto e abordá-lo a partir de um “repertório legitimado”, ou seja, com dados, estatísticas, citações, alusões histórias, filosóficas e comparações entre fatos, épocas e lugares distintos.

A professora Luana Schonarth lembra que, nesse quesito, o que vale é a interdisciplinaridade. “Mesmo que você goste muito de História, de Filosofia ou de Literatura, por exemplo, não caia na tentação de colocar apenas conhecimento de uma área. Faça relações informativas de, no mínimo, duas áreas distintas.”

Temas para ficar ligado

1- O aumento das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) entre os brasileiros e a necessidade de prevenção

2- Consequências do movimento antivacinação no Brasil

3- Efeitos do crescimento do ensino a distância no âmbito universitário

4- Os reflexos do alcoolismo na sociedade brasileira

5- A recorrente desvalorização do professor no Brasil

6- Os efeitos do demasiado uso de agrotóxicos no Brasil

7-Desastres ambientais: o preço do desenvolvimento

8- Os desafios para combater a violência no trânsito brasileiro

9- Desafios no combate à obesidade infantil

10- Os desafios no mercado de trabalho do Brasil contemporâneo

O que NÃO fazer na intervenção:

– Não apresente um problema que você não sabe solucionar nem proponha uma intervenção vaga, sem fatos. Da mesma forma, não proponha soluções utópicas e distantes da realidade do país ou algo que já esteja sendo feito.

– Não dê solução para um problema não abordado, não desconsidere os direitos humanos e não proponha soluções sem justificá-las.

10 dicas para tirar mil na redação

1. Capriche na apresentação da redação, sem rasuras e com uma letra legível. Lembre-se: a primeira impressão é a que fica

2 Mantenha a proporção da letra e dos parágrafos ao longo do texto. Não comece com a letra grande e depois diminua. Mostre que seu texto foi bem planejamento e que você não se viu, de repente, sem espaço para concluir. Palavras muito distantes umas das outras também passam uma noção de que você só quer ocupar espaço, mas sem muitas ideias relevantes para abordar.

3. Utilize, sempre que possível, as 30 linhas. Se um outro estudante tiver ideias tão boas quanto as suas, mas escrever três linhas a mais que você, de certa forma ele passará a impressão de que se empenhou mais para escrever. Não ultrapasse as 30 linhas, pois o que for escrito fora do espaço não será considerado pelo corretor.

4. Faça esqueleto e rascunho da redação. Organize quais serão suas teses, as informações que você tem para defender seu ponto de vista e, ainda, as intervenções para tais questões. Planeje tudo!

5. Parágrafos de desenvolvimento devem ter início, meio e fim. Cada parágrafo tem sua função específica e, por isso, é preciso pensá-los também de forma independente, até que, por fim, formem o texto. Ao selecionar um argumento para o desenvolvimento, apresente-o de forma a conter início, meio e fim.

6. Não dê propostas de intervenção no meio do desenvolvimento. O parágrafo final é destinado à proposta de intervenção dos problemas que você apresentou no texto. Portanto, só depois de problematizar e fundamentar bem a questão é que virá a indicação de uma possível forma de resolvê-los.

7. Antes de entregar a redação finalizada, certifique-se de que colocou as palavras-chave (tópico frasal) nos lugares necessários, confira se empregou os conectores externos e internos, se desenvolveu todos os elementos da intervenção. Faça, por fim, uma revisão gramatical, já direcionando seu olhar para as questões que você geralmente erra (repetições de palavras, crase, vírgulas).

8. Invista em conteúdo de diferentes áreas de conhecimento. Todas as redações nota mil têm, no mínimo, três áreas diferentes. Portanto, estude ainda mais história, filosofia, sociologia, fontes de pesquisas e porcentagens atuais.

9. Antes de escolher as teses que irá desenvolver na redação, leia atentamente os textos motivadores e, de lá, tire suas discussões (mas não copie informações!). Os textos de apoio têm exatamente essa função: inspirar o candidato e fazê-lo compreender o tema.

10. Faça uma redação por semana. Ainda dá tempo. A qualidade da escrita e o tempo da prática serão aperfeiçoados conforme você se colocar em prova, em atividade.

Fonte: professora Luana Schonarth

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