Quando surgiu a ideia de abordarmos o tema da doação de sangue, pensamos que deveríamos fazer mais. Foi aí que decidimos promover uma ação para incentivar, na prática, a doação de sangue. A divulgação do desafio nas redes sociais foi o empurrãozinho que Alisson Cruz esperava para concretizar um desejo que mantinha há bastante tempo.

Alisson, a amiga Cristina e a pilhada Duda enfrentaram o medo da agulha na manhã do dia 9, quarta-feira passada. Saíram do banco de sangue convencidos da importância do ato e com a vontade de inspirar mais jovens a se tornarem doadores. Nessa edição, confira com foi essa experiência e informações importantes para que você, também, possa se tornar um doador.


A primeira doação de sangue nunca se esquece

Os amigos Alisson Cruz, 18 anos e, Cristina Huve, 41 anos, encararam a doação de sangue juntos, na semana passada. O garoto sempre quis doar sangue e já tinha insistido algumas vezes para que que os amigos o acompanhassem. “Tinha medo, então queria que alguém fosse doar comigo. Pedi para outra amiga, ela não quis. Chamei a Cris, mas ela também não topou, mas quando vi a ação do Na Pilha! falei com a Cris de novo e ela aceitou”, conta.

Alisson Cruz, 18 anos, dou sangue pela primeira vez (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Apesar da vontade de doar sangue, ele achava que antes da maioridade seria mais complicado conseguir. Por falta de informação, acabou esperando até completar 18 anos – a partir dos 16 anos, já é possível doar com a autorização de um responsável.


“Com toda a certeza, vou ir doar mais vezes e encorajar outras pessoas a seguir esse caminho.”

ALISSON CRUZ – Doador


“Ninguém da minha família é doador, mas eu sempre tive curiosidade e interesse de ajudar. Acho que o maior incentivo é saber que alguém pode ser salvo ou que eu vou diminuir a dor de alguém. Isso me faz querer se doador”, destaca Alisson.

Cristina compartilha da mesma opinião. “Tem muitas pessoas que precisam da doação. Às vezes, o banco de sangue está com carência de alguns tipos, então é uma atitude que ajuda outras pessoas.”

Cris acompanhou o amigo na doação de sangue (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Antes de doar

– Alisson achava que ficaria tonto ou se sentiria mal. Também tinha medo da agulha e do processo. “Tenho medo de ficar mal. Sei lá, morrer aqui sozinho”, disse.

– Cristina tinha receio de passar mal – da agulha em si, ela não tinha medo. “Eu já tive dois partos, então de agulha não tenho medo, mas sim temor de passar mal como outras pessoas”, observou.

Depois de doar

– Depois de doar sangue pela primeira vez, Alisson diz que foi o procedimento foi tranquilo, que nem tonto ficou. Ele acredita que por falta de informações corretas as pessoas acabam crendo no que os outros falam. “Faltam informações aos jovens, pois, assim como eu, outros acham que é mais complicado doar sangue.”

– Para Cris, também foi muito rápido e tranquilo doar sangue. Ela diz que sentiu apenas a picada da agulha, que, segundo ela, “é igual a tirar sangue”. “Diferente do que achava, não senti tontura nem sono. Parecia apenas que tinha feito um exame de rotina”, explica.


“Foi uma experiência muito boa, espero poder me tornar doadora frequente.”

CRISTINA HUVE – Doadora


Relato Pilhado!

Sempre ouvi minha avó materna falando sobre doação de sangue, pois ela é doadora regular. Eu tinha vontade e curiosidade, mas tinha medo. Nunca tive muito conhecimento sobre o assunto, mas acho importante. Há dois anos, cheguei a ir até o Vital, porém tinha fila e eu desisti.

Logo que surgiu a ideia do Na Pilha! falar sobre doação de sangue e fazer uma ação, eu decidi que iria me encorajar a doar, e fui. Achei muito tranquilo, pois foi rápido, não senti nada de diferente (tontura ou enjoo) e as profissionais que me atenderam são ótimas.

Então, para quem está pensando em ir doar e ainda não criou coragem, tenha a certeza de que esse pequeno gesto, que vai ocupar no máximo uma hora de seu dia, vale muito a pena, pois ajuda a salvar vidas.

A pilhada Eduarda dou sangue pela primeira vez na ação realizada pelo Na Pilha (Foto: Na Pilha)

Entenda como funciona a doação

O Vital Banco de Sangue atende das 7h30min às 11h30min, de segunda a sexta-feira, e está localizado junto ao Hospital São Sebastião Mártir. O acesso se dá pela rua Jacob Becker, na rampa próximo ao pronto-atendimento.

O atendimento somente na parte da manhã – que gera muitos questionamentos -, ocorre em função do processo do sangue. Conforme a auxiliar administrativa do banco de sangue, Iria Keller, a equipe é pequena, então a parte da tarde fica reservada para o processamento e exames do sangue coletado. “Claro que também tem um pouco a ver com a alimentação. Em alguns casos, já atendemos pela tarde e as pessoas almoçavam e vinham doar. Nesses casos, o sangue pode estar com muita gordura e acaba sendo inutilizável”, explica.

Antes de ser utilizado em uma transfusão, o sangue passa por diversos testes e processos, para garantir sua qualidade. Além disso, o doador passa por uma entrevista e teste rápido, antes de serem coletados os 450 mililitros de sangue. Depois, um lanche é oferecido aos doadores, para repor as energias.

Homens podem doar sangue a cada 60 dias, com limite de até quatro vezes por ano, enquanto mulheres podem doar com intervalo mínimo de 90 dias, no máximo, três vezes por ano.

Sobre a mulher precisar esperar mais tempo para doar novamente, a técnica de Enfermagem Fernanda Helfer explica que é por causa do período menstrual, pois a mulher já perde um pouco de sangue, diferentemente do homem. “Mas durante a menstruação é possível fazer doação normal”, esclarece.

A técnica em Enfermagem ainda lembra que o sangue tem validade de 35 dias, o plasma dura um ano e as plaquetas apenas cinco dias. Por mês, o Vital recebe em média 200 doações. Além de abastecer o Hospital São Sebastião Mártir, o banco de sangue também tem parceria com os hospitais de Candelária e Lajeado.

Fernanda e Iria convidam os jovens a doarem sangue (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Para doar sangue é preciso:

– Apresentar documento com foto
-Ter entre 16 e 69 anos
– Ter o peso mínimo de 50 quilos
– Estar alimentado
– Não fumar nas duas horas antes da doação
– Não ingerir bebida alcoólica nas últimas 24 horas
Ao doar sangue você recebe: atestado de doação; determinação do tipo sanguíneo e fator RH; determinação da pressão arterial; resultado de sociologia para sífilis, doença de Chagas, hepatites B e C, aids, HTLV I e II e TGP.

Pessoas que não podem doar:

– Com histórico de convulsões
– Com Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs)
– Quem tem piercing na boca, nos lábios, na língua e nas partes genitais
– Quem fez tatuagem há menos de um ano
– Grávidas e lactantes
– Anêmicos

Se liga!

  • Adolescentes entre 16 e 17 anos podem doar sangue normalmente. Só é preciso ter um termo de autorização assinado pelo responsável, que está disponível no Vital Banco de Sangue, e estar acompanhado de um maior de idade no dia.
  • Mesmo que você não saiba qual seu tipo sanguíneo, pode doar. O exame é feito na hora da coleta. O banco de sangue aceita doação de todos os tipos. Nesta semana, a maior demanda é por O+.

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