Quando uma menina de 16 anos consegue chamar atenção do mundo todo, a ponto de ser indicada ao prêmio Nobel da Paz, nós vemos que, sim, podemos fazer a diferença no mundo, não importa a idade. A ativista ambiental Greta Thunberg tem inspirado milhares de pessoas, em diferentes países, em uma campanha por ações políticas relacionadas ao aquecimento global. Ela começou tudo isso com um simples cartaz com a mensagem ‘greve da escola pelo clima’, quando começou a protestar em frente ao Parlamento sueco.

Esta edição do Na Pilha! é um convite para conhecer mais sobre o trabalho de Greta Thunberg e sobre como também podemos fazer a nossa parte – e não é preciso matar aula para fazer isso! Pelo contrário: mostramos exemplos inspiradores de estudantes de Venâncio Aires que têm aproveitado o espaço da escola para pesquisar e fazer a sua parte pela preservação do meio ambiente. Contamos contigo nesta luta tão nobre.

Depois de reservar as sextas-feiras para protestar em frente ao Parlamento Sueco, em Estocolmo, para exigir medidas concretas dos políticos referente ao aquecimento global, a adolescente Greta Thunberg ficou conhecida no mundo inteiro e agora está na lista dos indicados ao prêmio Nobel da Paz.

Mas, o que nós temos a aprender com essa jovem ativista? Com 16 anos, ela sabia que precisava iniciar um movimento. “Percebi que ninguém estava fazendo nada para impedir que isso aconteça, então eu precisava fazer alguma coisa”, justificou sobre o início do movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas, que realiza desde agosto do ano passado.

O movimento se alastrou pelo mundo inteiro e fez com jovens de diferentes locais aderissem à iniciativa que ficou conhecido como ‘Fridays For Futere’ (sextas-feiras para o futuro). Greta conseguiu estimular e fazer com que, inclusive, suas manifestações refletissem no Brasil, já que em 15 de março, quando ocorreu uma greve global, cidades brasileiras também estiveram mobilizadas por influência da adolescente.

Além de já ter tido a oportunidade de conhecer o Papa Francisco, ela já discursou no Parlamento Europeu e participou de eventos internacionais, como a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), na Polônia, e o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ah, e também participa de encontros semanais com os membros do Parlamento Britânico, em Londres.

“Se eu fosse como todo mundo, não teria começado essa greve da escola, por exemplo.”

Greta Thunberg, Ativista sueca

Aos 16 anos, Greta se transformou em referência mundial na defesa ambiental. ( Foto: TT News Agency/Hanna Franzen via Reuters )

“Os jovens precisam perceber que o seu futuro está em perigo e que precisam fazer alguma coisa, ficar com raiva e transformar essa raiva em ação.”

Greta Thunberg, Ativista sueca

Greta reserva as sextas-feiras para protestar em frente ao Parlamento da Suécia. ( Foto: Adam Johansson )

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Mais sobre Greta

– Ela começou a ouvir falar sobre mudanças climáticas na escola aos 8 anos;

– Aos 14 anos, ela sofreu uma forte depressão. Nessa época, parou de ir à escola porque se sentia muito triste em função da situação climática;

– Quando percebeu que poderia fazer a diferença, Greta sentou em frente ao Parlamento sueco e permaneceu no local sozinha e sem ir à escola;

– A garota sofre da síndrome de asperger, uma forma de autismo, mas que faz a jovem ver isso como uma aliada;

– A jovem inspira-se em Rosa Parks, símbolo do movimento pelos direitos civis dos negros no Estados Unidos;

– Desde 2015, Greta não anda mais de avião por conta das emissões de carbono. Ela viajou dois dias de trem para chegar ao Reino Unido.

@gretathunberg – 1,5 milhões de seguidores no Instagram

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Dicas práticas para fazer a sua parte

– Quando for ao supermercado, leve uma sacola retornável em vez de utilizar as tradicionais sacolinhas plásticas. Existem modelos de ecobags de pano e de plástico reforçado, que podem ser reutilizadas diversas vezes e são superestilosas.

– Tenha uma garrafinha de água sempre na mochila, para que não seja preciso utilizar copos plásticos. Em casa ou no trabalho, adote uma caneca. O café fica até mais gostoso nelas!

– Folhas de cadernos que não foram utilizada podem ser usadas no próximo ano. Em vez de comprar cadernos novos, que tal tirar as folhas usadas e utilizar o espaço em branco para as aulas?

– Atenção aos gastos desnecessários com energia elétrica: apague a luz sempre que sair do quarto, retire o carregador da tomada quando o celular estiver com a carga completa e não demore no banho.

– A separação do lixo seco e orgânico é fundamental para garantir a reciclagem. Se isso ainda é feito na escola ou na sua casa, você pode começar uma campanha para garantir que isso aconteça. Dar o exemplo é uma boa forma de começar.

– Quando for comprar material escolar, roupa ou acessórios, lembre-se de se questionar: preciso mesmo disso? Reduzir o consumo é uma das principais formas de contribuir com o meio ambiente.

Projeto: alunas mobilizam a turma

A escola é um dos ambientes fundamentais para a inserção do jovem nas questões ambientais.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dom Pedro II, de Linha Hansel, as estudantes do 9º ano Ana Laura Vieira Borba, 13 anos e Luana Gabriela Stacke, 15 anos, desenvolvem um projeto com objetivo de conscientizar a população dos malefícios do agrotóxico.

O trabalho iniciou em 2017, com orientação da professora de Língua Portuguesa, Franciélle da Rosa, e segue pelo terceiro ano, com o objetivo de alertar sobre o assunto. Para isso, contou com pesquisa na comunidade de Linha Hansel e arredores, sem contar, dentro da casa dos jovens, que na maioria, são filhos de agricultores.

“Iniciamos esse projeto pois é a nossa realidade, temos conhecidos, amigos da nossa família que sofreram uma intoxicação pelo agrotóxico, por isso, pensamos em trabalhar o assunto e alertar nossa comunidade”, comenta Ana, que mora na Linha Hansel.

Luana explica que no início, o projeto falava sobre os problemas causados pelos agrotóxicos na saúde. “Descobrimos várias doenças que passaram a existir depois que surgiu o veneno.”

Após destaque em eventos no ano passado, o projeto ‘PDP: Plantio direto na palha. Uma alternativa para recuperação de solos contaminados pelo uso de agrotóxicos’ representou o município e a região na 10º Mostra Científica Sul-brasileira Verde é Vida, durante a Expoagro Afubra. “Foi sensacional participar da feira. A gente aprendeu muito, conversou com muita gente.” relembra Luana. Além disso, ela enfatiza que vários jovens demonstraram interesse no assunto.

A inspiração e empolgação das gurias com o trabalho é tanta que, para este ano, elas já mobilizaram a turma e irão trabalhar com o manejo integrado de pragas. “Como é um trabalho que vem do 7º ano, a gente aprende muita coisa, e dá sequência, e tudo a gente aproveita. Com isso, conseguimos fazer algo realmente bom”, conta Ana.

As garotas, inclusive, já criaram a página ‘Projeto Agrotóxicos – EMEF Dom Pedro II’, no Facebook, para divulgar ações. “Só de conseguir conversar com a comunidade, expôr soluções e metodologias, é gratificante. Temos certeza que a longo prazo teremos bons resultados”, acrescenta Luana.

Orientadora do projeto, Franciélle, com as alunas do 9º ano, Luana e Ana. ( Foto: Rosana Wessling)

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Trabalho que ultrapassa a sala de aula

Quando a turma do 7º ano da Escola Dom Pedro II decidiu trabalhar sobre a questão dos agrotóxicos, a professora de Língua Portuguesa e orientadora do projeto, Franciélle da Rosa, ficou surpreendida e ao mesmo tempo, entusiasmada com a decisão. “Depois que eles começaram a se dedicar a este trabalho, percebi uma grande evolução. Os alunos desenvolveram a oralidade e a escrita e aos poucos, se interessaram em aprofundar o tema e dar continuidade ao projeto até o 9º ano”, comenta.

Para a professora, o incentivo da escola também é muito importante, assim como das famílias. “Os pais das alunas dão muita importância a este trabalho, eles incentivaram as meninas a fazer um moletom e levar esta mensagem adiante. Acredito que através dos jovens, podemos mudar o pensamento de muitas pessoas sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente”, considera.

Franciélle observa que a comunidade também está mudando de opinião com relação às alternativas que podem ser aplicadas no campo para substituir os agrotóxicos. “Através dos alunos conseguimos atingir as famílias que estão ligadas a este meio. Para quem tem uma horta no fundo de casa, por exemplo, é mais fácil evitar a utilização de agrotóxicos nas plantações”, salienta.

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