Levante a mão quem não sofre, tem um amigo ou familiar com ansiedade. Em um mundo cada vez mais acelerado, o número de pessoas com o transtorno tem aumentado. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade do mundo. Segundo levantamento da OMS, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade.

Frente a esse cenário, falar sobre esse assunto é uma necessidade. Em muitos casos, ele já começa na infância e na adolescência. Por isso, na edição de hoje, decidimos falar sobre as diferenças entre estar ansioso e ser ansioso – quando a ansiedade começa a trazer prejuízos físicos, psíquicos e sociais para a vida -, além de dicas para controlar a ansiedade.

ESTAR ANSIOSO X SER ANSIOSO

Ter ansiedade é um sentimento natural do ser humano. Ela é uma impulsionadora para a vida, pois faz com que as pessoas procurem alcançar os objetivos. “Às vezes, sentimos ansiedade quando vamos apresentar um trabalho, participamos de entrevista de emprego ou outras situações cotidianas. É esperado que essas situações gerem ansiedade e o normal é sentir e controlar os sentimentos e emoções”, explica a psicóloga Priscila Schonarth.

Segundo ela, a ansiedade começa a ser grave quando passa a dominar e trazer prejuízos para a vida, com comportamentos e pensamentos que não são normais naquela situação. “Por exemplo, um adolescente que precisa apresentar um trabalho e não consegue por conta da ansiedade. Nesse caso há um prejuízo porque ele está evitando a situação, talvez porque sinta vergonha, medo do fracasso, medo do julgamento”, coloca.

A ansiedade pode trazer problemas para a vida, como dores psíquicas e físicas. A causa dela é multifatorial, depende da história de vida do indivíduo, de suas relações familiares e sociais, dos fatores genéticos, histórico de trauma e/ou violência, bullying e até mesmo a própria adolescência.

“O adolescente tem a necessidade de pertencer a algum lugar ou grupo, apresenta dúvidas sobre o próprio corpo, sexualidade e sobre quem é. Essa é uma fase delicada, em que ele se encontra vulnerável emocionalmente, o que pode facilitar o desenvolvimento de transtornos mentais.”


“A ansiedade é um estado psíquico natural e muito importante para a sobrevivência humana. Quando ela traz intenso sofrimento para a pessoa, passa a ser uma doença que exige tratamento.”

PRISCILA SCHONARTH – Psicóloga


De acordo com Priscila, o transtorno de ansiedade sempre existiu. No entanto, ela reconhece que, para a geração de adolescentes que já nasceu tendo contato com o celular, esse contato intenso com redes sociais pode ser um causador da ansiedade. “A rede social mostra felicidade, faz as pessoas quererem a perfeição. O jovem quer ser bem visto e aceito, por isso, muitas vezes fica ansioso para ter um corpo como viu no Instagram.”

A profissional ainda acrescenta que a correria do dia a dia também faz a ansiedade se manifestar. “Acordamos pensando no que temos para fazer, que são muitas tarefas e precisamos dar conta de tudo, e o tempo é curto. É um excesso de cobrança por um status que a sociedade impõe”, alerta.

COMO TRATAR

Psicóloga Priscila explica que, quando começa a atrapalhar situações cotidianas, a ansiedade deixa de ser normal (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

A psicoterapia é a principal forma de tratamento para a ansiedade. Por meio das sessões com o psicólogo, a pessoa começa a trabalhar os pensamentos e sentimentos, com o objetivo de criar estratégias para lidar com as situações que despertam a ansiedade. Além disso, Priscila comenta que, em muitos casos, é necessária a ajuda de medicamentos.

“Quando deixa de ser normal, a ansiedade passa a ser patológica, quando passa a ter transtornos que têm ligação com ela. Muitas vezes, essa pessoa precisa tomar remédios para acalmar os sintomas e conseguir buscar tratamento com psicólogo”, ressalta.

No entanto, a psicóloga lembra que a medicação diminui os sintomas, mas não resolve os problemas. Por isso, precisa andar junto com a psicoterapia. “É importante mostrar ao paciente que ele não está enlouquecendo e que outras pessoas também se sentem assim.”

De acordo com a profissional, uma das estratégias utilizadas é a psicoeducação, que auxilia o indivíduo a compreender e entender o papel que a ansiedade exerce em sua vida e como superá-la. Essa técnica ajuda a identificar quais são os pensamentos que fazem ele ter ansiedade e se eles são adequados para a situação.

“A ansiedade passa. Pode parecer que não, mas passa”

Com apenas 12 anos, Larissa Gabriela Carolino, hoje com 23 anos, começou a ter crises de ansiedade. Tudo começou com problemas familiares que a preocupavam e, por isso, acabava tendo muito ansiedade. “Logo inseri a medicação e isso me ajudou muito. Além disso, toda minha família fez terapia com psicólogo. Hoje não uso mais remédios, mas ainda tenho muita tremedeira.”

Larissa destaca a importância do acompanhamento psicológico para superar a ansiedade (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

A estudante de Letras conta que, atualmente, quando o coração começa a acelerar, ela já para, respira e conta até 10. “Eu tento me acalmar, coloco uma música, respiro fundo. Às vezes, não consigo controlar”, relata. As crises, da jovem, acontecem por questões rotineiras de nervosismo. “Agora, no final de semestre, começo a roer as unhas, fico muito ansiosa e agitada, a ponto de mal dormir”, expõe Larissa.


“Tive uma professora que me auxiliou muito e percebeu que eu precisava de ajuda. Então, como futura professora, pretendo trabalhar muito isso com os alunos e deixar claro que estou sempre à disposição para ajudá-los.”

LARISSA GABRIELA CAROLINO – Estudante de Letras


A jovem ressalta que o papel do psicólogo é essencial para amenizar a ansiedade. “Muitas pessoas ficam com vergonha de falar sobre os sentimentos, mas o profissional é uma pessoa em quem podemos confiar. Ele nos passa segurança. Por isso, quem tem ansiedade precisa de terapia, precisa colocar esse sentimento para fora.”

ATENÇÃO AOS SINTOMAS:

– Dores de cabeça
– Tensão muscular
– Suor excessivo
– Taquicardia
– Sensação de falta de ar
– Dificuldades no sono e no apetite
– Diarreia, náusea ou vômito

>> Na hora da crise, tente manter uma respiração controlada e profunda. Contar mentalmente até 10 ajuda a deslocar o foco do problema.

DICAS PARA EVITAR A ANSIEDADE:

1 Praticar exercícios físicos
2 Ter momentos de descanso
3 Escutar música ou ler um livro
4 Meditar

E NO FIM DO ANO?

A psicóloga Priscila Schonarth observa que o fim do ano é uma época que ‘mexe’ muito com as emoções das pessoas e, muitas vezes, existe muita autocobrança. No entanto, a dica é fazer uma coisa de cada vez.

“Quanto mais a pessoa pensar que tem muita coisa para fazer, mais ansiosa ela fica. Por isso, uma estratégia é ponderar prioridades: fazer o mais importante e depois fazer a próxima. Tentar abraçar o mundo não adianta”, esclarece.

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