Uma luz para os artistas, um momento para refletir ou uma forma de se entreter. Seja qual for a opção escolhida, a verdade é que os saraus estão movimentando Venâncio Aires e instigando uma galera a participar das atividades.

Aquela desculpa de que Venâncio nunca tem nada para fazer não pega mais, né?! Pelo menos, não, quando o assunto é cultura, ainda mais, neste fim de semana. Quem curte a proposta ou mesmo quem nunca foi a um sarau tem a oportunidade de participar de dois, na sexta-feira e no sábado.

De olho nessa movimentação de contos, poesia e música, preparamos esta edição para explicar o que são os saraus e a importância que esses encontros de arte têm para a gurizada. Boa leitura!

Arte como forma de expressão

A estudante Thairê Schmitz, 18 anos, participa de saraus desde que começou a trabalhar na Biblioteca Pública Municipal Caá Yari, há cerca de um ano. Até então, ela não sabia muito sobre os eventos.

Para Thairê, os saraus têm grande importância cultural. A jovem comenta que sempre gostou de música, principalmente MPB, e começou cedo a tocar violão e, logo depois, ukulele. “Toco e canto há uns 10 anos, e o sarau é uma forma de me expressar através da música”, diz a guria, que já está preparando músicas da dupla Anavitória, para o sarau que ocorre amanhã à noite, na biblioteca.

A bibliotecária Rosaria Costa, que atua há 15 anos na biblioteca de Venâncio Aires, é uma incentivadora dos saraus e da leitura entre os jovens. Ela explica que o sarau é um encontro para troca de leituras e que, antigamente, quando não havia televisão, as famílias e os vizinhos se reuniam para contar uma história, declamar um poema ou até mesmo ler a bíblia.

Rosaria lembra que o primeiro sarau que promoveu em Venâncio Aires foi em abril de 2005, na Semana do Livro. A partir daí, os eventos passaram a ocorrer com mais frequência. Ela não sabe exatamente quantos já foram promovidos, mas acredita que a média fique em dez por ano. “No início, as pessoas não sabiam o que era um sarau. Me perguntavam se era um baile”, conta.

Com o passar do tempo, os encontros ganharam um tema. Os assuntos variam conforme datas especiais, como amigos, namorados, halloween, entre outros. Rosaria também faz saraus para as crianças, mas esses são denominados de contação de histórias. Ela diz que adora o que faz e gosta de ver os jovens envolvidos culturalmente. “É uma atividade ótima de se fazer.”

Agende-se

Sexta: sarau Eu conto

Nesta sexta-feira, ocorre o sarau ‘Eu conto’. A iniciativa parte dos contos escritos por Gean Paulo Naue, dentro da proposta lançada, no início de 2019, de escrever um conto por mês. Eles serão contados, interpretados e lidos por diferentes pessoas do município. O papel do Gean será apenas de mediador, já que o objetivo é deixar que outras vozes entonem e deem vida aos seus textos.

O evento também contará com participação de autores como Vitor Vogt e Kethlin Meurer relatando suas experiências literárias. Ao todo, serão três horas de ações culturais na Biblioteca Pública Caá Yari, das 19h às 22h, com entrada gratuita – isso mesmo: não tem ingresso, é aberto para jovens e adultos e não é pré-requisito ter lido os contos anteriormente.

A programação já está rendendo comentários há alguns dias, desde que uma cena foi pintada em frente à biblioteca com o objetivo de convidar as pessoas para a atividade. O objetivo é revelar, durante o sarau, quem, de fato, morreu na frente da biblioteca. História ou ficção? Para descobrir, só participando do evento.

Atividades previstas: Leitura audiovisual, apresentações cênicas, radionovela, contação de histórias, leitura de contos.

Sábado: Juntas e Shallow Now

No sábado, o grupo Meninas Livres – um coletivo que reúne adolescentes de Venâncio – entra em cena para relatar e compartilhar experiências, a partir das 16h até as 18h, na Sociedade de Leituras, com o sarau ‘Juntas e Shallow Now’. A atividade tem entrada gratuita e é aberta para todos aqueles que querem participar de “uma tarde de arte linda”, como definem as organizadoras.

Segundo umas das criadoras e mediadoras do grupo, Mariana Faria Corrêa, o sarau é um espaço bonito para a troca, no qual cada menina poderá se expressar e, também, interagir como outras pessoas. “É um momento de convivência do grupo com o resto da comunidade”, diz.

A partir de poemas e músicas, serão retratadas temáticas ligadas ao ser menina, ser mulher, aos estereótipos, às expectativas e ao papel de cada um na sociedade. Além do sarau, vai rolar também banquinha do desapego. Essa comercialização será para arrecadação de dinheiro para pagar o aluguel da Sociedade de Leituras.

Outra mediadora do grupo Meninas Livres, Potira Heinen também acredita na importância dessas ações culturais. “Fico feliz que estejam rolando várias atividades mesmo com todas as dificuldades de organizar eventos culturais em Venâncio, começando por não ter nenhum espaço cultural autônomo independente disponível pra ocuparmos com arte e cultura”, destaca.

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