Acessibilidade, respeito aos deficientes e inclusão são assuntos que devem fazer parte do vocabulário de todos nós. Mais do que isso: devem estar no nosso dia a dia. Amanhã, 11 de outubro, celebra-se o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física. Aproveitamos a data para falar do assunto, a partir de uma história inspiradora.

Nesta edição, apresentamos o William: um garoto apaixonado por futebol e pelo Internacional, que estuda, curte jogar videogame e sair com os amigos. A história dele nos convida a olhar mais para as calçadas e prédios sem acessibilidade, às limitações e oportunidades para deficientes. Acima de tudo, nos faz pensar sobre o que temos a aprender com ele.

Boa leitura!


Na carona da cadeira de rodas, sonhos e desafios

Toda noite, pouco antes das 19h, William dos Santos, 21 anos, já está na frente da Escola Estadual de Ensino Médio Monte das Tabocas, onde frequenta o 2º ano na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O trajeto entre a casa onde mora com a família, no bairro Cidade Alta, e o colégio, é feito com a cadeira de rodas. Por isso, quando chove, ele não vai até a aula.

William é formado em técnico de Administração pelo Senai (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Essa é apenas uma das dificuldades enfrentadas por William, que tem artrogripose, uma doença rara que desenvolve limitações nas articulações. Apesar disso, para o estudante, nunca houve motivos para desanimar.

William sempre frequentou a escola com cadeira de rodas. Ele lembra que sempre foi bem cuidado pelos colegas, amigos e professores. “O mais difícil é ver o esforço dos outros e não conseguir retribuir”, afirma. “Tenho uma lembrança muito boa, de um amigo que era da altura do braço da cadeira de rodas, mais novo que eu, e ele se esforçava para me levar para a escola”, conta.

De acordo com o rapaz, a deficiência nunca impediu que aproveitasse os momentos junto dos amigos. “Tenho amigos que moram aqui perto de casa que foram meus braços e minhas pernas durante a infância. Eu subia em árvore, jogava bola, fazia tudo que eles faziam.”

Um dos hobbys de William é jogar videogame, entre os jogos favoritos estão os de futebol (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

“Eu sou uma pessoa igual a todas. A deficiência É só um empecilho a mais na vida da pessoa, ela não deixa de ser alguém normal. As pessoas não devem ver o deficiente como um coitado.”

WILLIAM DOS SANTOS – Estudante


Conquistas

Um dos momentos mais marcantes da vida dele foi em 2007, quando foi, pela primeira vez, assistir a um jogo do seu time, o Internacional, em Porto Alegre. “Fui no estádio antigo. Foi um ápice, o que eu mais amo é futebol e o Inter. Nunca vai sair da mente a primeira vez que entrei no estádio”, diz o colorado.

William em um jogo no Beira Rio (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo William, os amigos ajudam na locomoção, para subir e descer do ônibus. Já no Beira-Rio, existe toda a estrutura com rampas para cadeiras de rodas. “Quando chego lá já vem um funcionário do clube para saber se precisa de ajuda. Eu me sinto muito à vontade, é outro nível. Eu tenho mais amigos que estão ali me ajudando, mas para quem vai sozinho faz toda diferença. Acredito que seja assim em outros estádios também.”

Nessa paixão pelo Internacional, ele também já conseguiu entrar em campo com o time. “O que mais me marcou, que nunca achei que ia conseguir, foi dar um aperto de mão no meu ídolo D’Alessandro”, destaca.

Por causa da paixão pelo futebol, William sonha em cursar Jornalismo e atuar com jornalismo esportivo. “Já que não vou conseguir ser jogador ou técnico, isso é o mais próximo que tenho de trabalhar perto de um clube”, considera.

Assistir aos jogos do Inter, no Beira-Rio, está entre as realizações de William. conhecer o ídolo D’Alessandro foi
Um dos momentos mais importantes da vida do garoto (Foto: Arquivo Pessoal)

Desafios de acessibilidade

Sobre as limitações enfrentadas diariamente, William explica que é difícil pegar alguma coisa que esteja alta e que não consegue ir até a cadeira de rodas sozinho, ou sair dela. Os acessos na cidade, segundo o garoto, são complicados. “Tem lugares que meus amigos entram, eu fico esperando no lado de fora até eles conseguirem abrir espaço para pegarem a cadeira no colo e entrar com ela no lugar.”

O guri frequentava bastante festas com os amigos, mas, por questão de acessibilidade, não consegue mais ir. “A única casa de festas que eu tinha acesso aqui na cidade, fechou”, lamenta.

Cirurgias

A mãe de William, Ecledes Maria Fagundes de Souza, conta que ele nasceu aos cinco meses de gestação e logo passou por muitas cirurgias. “Tinha 800 gramas, e como ele era dobrado não deu para medir”, lembra.

Ao longo da vida, o garoto passou por diversas cirurgias e uma o marcou muito. “Fizeram três cirurgias em uma só. No meu braço e os dois joelhos, em uma só vez. A recuperação foi muito ruim, tomava morfina no umbigo para passar a dor”, relembra William.

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