Embora a fé possa parecer um sentimento abstrato e difícil de conceituar, é só olhar para o exemplo de jovens de Venâncio Aires para entender a importância da fé na vida deles. Mais do que um motivo para acreditar e cultivar a espiritualidade no dia a dia, a fé é um caminho de integração, formação de liderança e uma forma que muitos jovens encontram para ajudar o próximo, independentemente da religião.

Nesta edição, pegamos carona nos preparativos da maior festa religiosa de Venâncio Aires – a Festa de São Sebastião Mártir -, para falar sobre a atuação dos ‘festeirinhos’ e de outros jovens da paróquia que estão empenhados em auxiliar na animação dos eventos, venda de rifas e outras atividades. Além disso, destacamos o exemplo da igreja Tribo do Rei, formada, em sua maioria, por jovens. Boa leitura!

CAMINHO DE FÉ E ALEGRIA

Quando começam os preparativos para a Festa de São Sebastião Mártir, eles já estão a postos. Acompanhados da família, os jovens conhecidos como ‘festeirinhos’, por serem filhos dos festeiros do evento, preparam seus instrumentos, carregam as energias e entram em ação. Afinal, os jovens são os responsáveis pela música na peregrinação pelas comunidades dos bairros e do interior.

Formado por sete integrantes, neste ano, o grupo dos ‘festeirinhos’ cumpre a agenda de 15 visitas, de 26 de dezembro até 20 de janeiro, data de encerramento dos três dias de festa.

Grupo dos ‘festeirinhos’ participa das peregrinações da imagem de São Sebastião Mártir, levando alegria e descontração às missas festivas nas comunidades (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

Além de animarem os encontros, eles também participam ativamente de outros projetos, como a arrecadação de materiais recicláveis para venda. “Ano retrasado começamos a juntar latinhas que foram doadas ao João XXIII”, explica Leonardo Wagner, 21 anos.

Desde pequenos, ele e a irmã, Maria Eduarda Wagner, 14 anos, estão inseridos na igreja ao lado dos pais. “Comecei como coroinha, depois aprendi a tocar instrumentos e logo fiz apresentações nas missas. Hoje faço parte do grupo de festeirinhos e dos jovens”, comenta Maria Eduarda, que percebe o orgulho dos pais em ver os filhos seguindo o mesmo caminho.

“Na época de peregrinação, as missas são mais festivas e divertidas e o jovem tem este papel, de dar uma nova vida à igreja”, acrescenta Henrique Klock, 18 anos. Andressa Alves, 16 anos, também gosta de participar do grupo para conhecer pessoas diferentes. “Durante as peregrinações fizemos novas amizades, levamos alegria e motivamos os jovens a praticar a fé”, salienta.

Além deles, fazem parte do grupo, Fernanda Beatriz Klock, 23 anos, Alisson Santos Vieira, 29 anos e a caçula, Manoela Renata Klock, 11 anos.

DE JOVENS PARA JOVENS

As ações na Festa do Bastião são apenas alguns exemplos do envolvimento dos jovens na igreja. Na Paróquia São Sebastião Mártir, eventos como a Semana Missionária, Fé & Café e retiros reúnem a galera jovem em momentos de integração e reflexão.

lll Semana Missionária reuniu em torno de cem jovens, em 2019 (Foto: Divulgação)

No ano passado, em torno de cem estudantes participaram da III Semana Missionária, nas férias de inverno. A programação anual conta com atividades esportivas, de formação e ações concretas, das quais participam tanto jovens que já estão envolvidos com as atividades da igreja católica quanto amigos convidados por eles.

O padre Rodrigo Hillesheim, 28 anos, observa que, quando se sentem pertencentes à igreja, “os jovens se tornam apóstolos de outros jovens”. De acordo com ele, em todas as atividades voltadas à juventude, trabalha-se para que elas sejam feitas “de jovens para jovens” – incluindo a participação na organização dos eventos, nas orações e na definição dos temas que serão abordados.


‘‘A religião contribui para a formação de pessoas de caráter, livres e fortes. A contribuição maior é na liberdade, em se tornar responsável frente às exigências do mundo e da própria família.’’

Rodrigo Hillesheim – Padre


Além disso, ele explica que, nos últimos anos, a igreja tem buscando falar a linguagem deles. “Passam os séculos e o conteúdo da religião não muda, mas a forma de comunicar, o jeito de fazer, sim. E os jovens são protagonistas nesse processo”, comenta. “Em todas as atividades, trabalhamos Jesus como um modelo de líder. O objetivo é que se olhe para a vida de Jesus para poder repetir isso no nosso tempo.”

Programação da Semana Missionária incluiu ações concretas como auxílio a idosos (Foto: Divulgação)

A coordenadora da Juventude na paróquia, Alessandra Justen, 27 anos, também ressalta que a participação dos jovens na igreja é uma método de formação de lideranças. “São eles que vão assumir papéis nas comunidades e essa formação também auxilia na vida. Com essas atividades, conhecemos e interagimos com muita gente”, afirma Lelê, como é conhecida.

Um dos projetos da Paróquia São Sebastião Mártir para este ano é desenvolver o Objetivo Novo de Apostolado (Onda) em Venâncio Aires – um projeto voltado a adolescentes de 10 a 13 anos, já que, em geral, é a galera a partir de 14 anos que participa das atividades. “É uma faixa etária que até então não é coberta e um período entre a Primeira Eucaristia e a Crisma, para que o adolescente não se afaste da igreja”, comenta o seminarista Giovane Gonçalves, 25 anos.

Lelê, padre Rodrigo e seminarista Giovane destacam as ações por meio das quais a igreja se aproxima dos jovens (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

MENSAGEM DE DEUS NA LINGUAGEM JOVEM

Com espírito jovem e novas ideias para propor à igreja Tribo do Rei, Lucas Matheus Schedler, 33 anos, descobriu que tinha vocação para ser pastor. Em 2017, o administrador, com pós-graduação em Empreendedorismo, começou a cursar Teologia. Hoje, a Tribo do Rei, igreja na qual ele atua como pastor, tem um grupo no qual em torno de 70% são jovens de 15 a 35 anos.

“Sem os jovens, a igreja não ia acontecer. Eles precisam de um propósito, uma guerra para lutar e um norte para seguir, isso faz com que a grande maioria se engaje em vários projetos, não só ligados à igreja quanto aos clubes de serviço”, afirma o pastor.

Jovens da Tribo do Rei participam de encontros para interagir, trocar ideias e propor novas ações (Foto: Divulgação)

Ele acredita que, para motivar a gurizada a ir à igreja e estar envolvida em projetos sociais, é preciso falar a mesma linguagem do grupo. “Os jovens se sentem parte da igreja porque a mensagem de Deus é traduzida para eles, seja através de um clipe postado no Instagram, um vídeo no Facebook ou uma música descontraída. A mensagem nunca muda, mas a linguagem pode ser adaptada”, explica Lucas.

Assim, os jovens se identificam e tornam-se mais participativos. “Eles percebem que o líder se comunica assim como eles, brinca com aquilo que brincam e se diverte assim como eles”, afirma.


“Decidi seguir este caminho para fazer algo diferente e ajudar aos outros, porque acredito que vale a pena. Percebo que o jovem quer fazer algo mas precisa de alguém para puxar a frente. Eles têm muita energia e disposição, que devem ser aplicadas no lugar certo.”

Lucas Matheus Schedler – Pastor e estudante de Teologia


Música é um dos atrativos para jovens, na Tribo do Rei (Foto: Divulagação)

Além disso, há as atividades das Células, com encontros nas casas e visitas a pessoas que necessitam de apoio e atenção. Os jovens da Tribo do Rei também se envolvem com atividades ligadas à música e ao canto e produzem material para ser veiculado nas redes sociais, com foco na família, no respeito e na igualdade. “A igreja também tem o papel de multiplicar lideranças e mostrar que o jovem pode ser útil e contribuir com novas ideias dentro da sociedade”, considera Lucas.

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