Em 2015, a venâncio-airense Mariana Heck González, 25 anos, visitou a Alemanha pela primeira vez, o que resultou em uma paixão imensa pelo país e seus costumes locais. Após iniciar um curso de alemão, já no Brasil, em 2016, surgiu, finalmente, a oportunidade de estudar e trabalhar no país europeu, onde ela já vive há cerca de 10 meses.

Mariana conta que, atualmente, reside em Berlim, capital da Alemanha, mas, por conta da rotina das pessoas com quem mora, viaja por várias cidades do país. “Moro com irmãs gêmeas, que são atrizes, seus maridos, que são diretores e escritores de peças de teatro, e seus filhos”, relata. Assim, a venâncio-airense viaja com as famílias e ajuda a cuidar das crianças. Ela acrescenta, ainda, que a mudança para a Alemanha se deu com o intuito de estudar o idioma, trabalhar e, também, ajudar a família no que fosse preciso.

Foto: Divulgação / Arquivo PessoalBebida típica da Alemanha, o chope é preferência entre os turistas e residentes locais
Bebida típica da Alemanha, o chope é preferência entre os turistas e residentes locais

>> SOBRE AS MULHERES NO PAíS

– Como é o acesso à educação para as mulheres?

Com relação à educação, não percebo diferença. Homens e mulheres têm o mesmo direito de estudar em escolas subsidiadas pelo governo desde a infância até a universidade. Eles têm um sistema de educação diferente do nosso, que inclui, desde cedo, um acompanhamento forte por parte do governo alemão.

– Como é o mercado de trabalho para mulheres no país?

Acredito que não exista uma profissão que regularmente costumam ocupar. Elas ocupam o que precisa ser preenchido, lógico, dentro da sua área de estudo. Com relação a trabalho, muito se fala que as mulheres reergueram a Alemanha nos períodos pós-guerra. E isso é real, elas precisavam aprender de tudo para recomeçar a vida. Eles falam muito sobre como a mulher foi importante para o país voltar a ter força e crescer. Logicamente, isso deve ter uma influência direta no mercado de trabalho atual.

– Como as mulheres encaram o casamento no país?

Casamentos são como no Brasil. Existem muitos luteranos, judeus, cristãos, muçulmanos, etc. A celebração é realizada conforme cada doutrina. O que eu sinto com relação a relacionamentos em geral é que elas são mais tradicionais. Não existe o ‘ficar’. Você namora, até achar a pessoa ideal, casa, tem filhos. A idade também é relativa, mas observei e, dentro do meu convívio, existe uma média de mulheres com até no máximo 30 anos casadas e já com ao menos um filho.

– Qual é o papel da mulher na família, nos afazeres de casa e criação dos filhos?

Aqui, o trabalho é realmente dividido entre todos. Mulheres e homens trabalham fora e, quando chegam em casa, precisam tomar conta da casa e das crianças. No caso da família que eu convivo, é realmente assim e funciona. Homens cozinham, lavam e passam; mulheres trocam lâmpada, consertam coisas e vice-versa. As crianças também são responsabilidade dos dois. Não existe apenas o trabalho da mulher em casa. Todos têm os mesmos afazeres. Com relação à criação de filhos, aqui é muito diferente do Brasil. Primeiro que não existe essa coisa de menino/menina. é criança. Não importa a roupa que usa, corte de cabelo ou se brinca de boneca ou carrinho. Comidas também são diferentes, e, a criação, eu sinto que não é tão rigorosa. As crianças são educadas tanto pelas mulheres quanto pelos homens.

Foto: Divulgação / Arquivo PessoalEntre os pontos turísticos conhecidos do país, está o Portão de Brandemburgo
Entre os pontos turísticos conhecidos do país, está o Portão de Brandemburgo

– Você considera que o país enxerga as mulheres com igualdade de oportunidades?

Dentro do que eu vivi até o momento aqui, eu vejo que as mulheres têm tantas oportunidades quanto os homens, seja em trabalho ou estudos. Como o governo controla tudo muito bem, eu acho que essa parte está muito bem desenvolvida aqui dentro para a mulher alemã.

– Como é a realidade das mulheres estrangeiras no país?

A realidade é que uma mulher estrangeira aqui passa por diferentes situações, boas e ruins. São muitas histórias de mulheres que já sofreram algum tipo de agressão por serem estrangeiras (dentro desse contexto, cabe religião, costumes, crenças, etc.). Por outro lado, eu vejo que as situações boas se sobressaem a todos essas outras. O povo alemão, diferente do que muitos pensam, sabe ser muito gentil e consegue te ajudar sempre que necessário. Sobre os desafios, acredito que eles são constantes na vida de qualquer pessoa que decide trocar de país. Você sai da sua zona de conforto para buscar o novo e te sujeita a conhecer e ter novas experiências. Com o tempo, o que era um desafio acaba se tornando algo mais sutil, que se incorpora ao seu estilo de vida.