Benício Werner cumpre quarto mandato à frente da Afubra. (Foto: Luciana Jost Radtke/AI Afubra).

Durante as assembleias ordinária e extraordinária realizadas no dia 13 de julho, no teatro do Colégio Mauá, em Santa Cruz do Sul, Benício Albano Werner foi reeleito presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Ele assume o quarto mandato, a nova gestão será de quatro anos e se estenderá até julho de 2023.

Em entrevista à Folha do Mate, Werner fala da preparação de uma diretoria jovem, que possa assumir a entidade no momento oportuno e dos projetos para os próximos quatro anos, além de avaliar o cenário atual da fumicultura. Trata também dos perigos iminentes que cercam toda a cadeia produtiva do tabaco.

FOLHA DO MATE – O senhor foi reeleito para mais um mandato de quatro anos à frente da Afubra. O que o levou a se candidatar novamente para seguir como presidente da entidade?

BENÍCIO WERNER – Durante a última gestão, foi aprovada, em assembleia, uma alteração estatutária onde ficou estabelecido que o mandato da diretoria terá a duração de quatro anos, podendo ser renovado somente uma vez, salvo renovação para cargo distinto ao anteriormente exercido. A definição de composição da chapa é feita de pleno acordo com nosso grupo. Quanto à minha declaração de transição, não quer dizer exatamente o que o próprio estatuto prescreve. Tivemos um bom exemplo dos nossos antecessores, que também pensaram em preparar colegas para assumirem as posições de titulares que vinham até então assumindo. É este comprometimento que também estamos assumindo.

Quais são os principais projetos, planos de trabalho e ações que serão desenvolvidos pela atual gestão no período 2019/2023?

Como projeto, podemos citar a preparação de uma diretoria jovem. Temos melhorias a serem feitas no Parque da Expoagro Afubra, para melhor acomodar as agroindústrias, expositores e visitantes. Também nos planos está a abertura de filiais em regiões onde temos muitos associados e não estamos presentes com filiais e nem com o Sistema Mutualista e os outros benefícios que, junto com a filial, os associados têm. Queremos estreitar ainda mais os laços com as entidades, construindo uma parceria cada vez mais forte, trazendo, com isso, uma maior sustentabilidade na propriedade do nosso associado. No Sistema Mutualista, também queremos aprimorar ainda mais a questão da tecnologia de informação da parte operacional e de comunicação com o associado, pois não podemos desconhecer que o nosso produtor, cada vez mais, está conectado. Com isso, a comunicação entre a entidade e seu associado trará ainda maior vínculo.

Como a Afubra está, hoje, contextualizada na cadeia produtiva do tabaco?

Junto às entidades parceiras (sindicatos e federações), não só da parte que diz respeito à produção do campo, como também dos trabalhadores da indústria, com a própria representação das indústrias, quando o assunto se refere a interesses comuns à cadeia produtiva do tabaco. E temos ainda um canal de acesso ao que acontece em nível internacional por meio da ITGA.

E como está hoje o cenário do setor produtivo do tabaco? Quais as principais ameaças?

O cenário brasileiro é de cautela. Precisa-se de muita atenção ao que ocorre no âmbito de legislação e decisões governamentais. Precisamos sempre estar vigilantes e atentos, pois os antitabagistas sempre estão à procura de novas formas de restringir e prejudicar a cadeia produtiva do tabaco. A cautela também precisamos ter em termos de produção, para que a oferta não seja maior que a demanda. De 2017 para 2018, houve um decréscimo no consumo de cigarros de 1,8%, e a produção de tabaco, somente de 0,5%. Isto nos preocupa em termos de oferta e demanda.

Quais são as perspectivas para a safra 2019/2020 que está sendo plantada?

A perspectiva, em termos de produção, é que não deveria aumentar para termos um resultado positivo na comercialização. Quanto à qualidade, sempre existe uma grande incógnita, pois não depende só do conhecimento e da dedicação do nosso produtor, mas tem muito a ver com o clima. Esperamos ter um clima favorável para que o produtor tenha uma safra com boa lucratividade.

Em 2020, a Afubra celebra a 20ª edição da Expoagro. Qual a importância de poder comemorar esta data como presidente da Afubra?

Em 2020, teremos duas datas importantes e elas vão ocorrer simultaneamente. Em 21 de março de 2020, a Afubra completará 65 anos de atividades. E também teremos a comemoração da 20ª Expoagro Afubra. São datas importantes para fazer uma reflexão sobre os que iniciaram se dedicando, quando, certamente, as exigências foram difíceis e diferentes das de hoje. Queremos cumprimentar aqueles que deram continuidade e que levaram até esta data e aos que hoje estão fazendo com a mesma dedicação, mas com a alegria de poder estar comemorando esta data.

Sobre os dispositivos eletrônicos para fumar, qual é a posição da Afubra para a audiência pública que a Anvisa irá realizar no mês de agosto, quando discutirá subsídios científicos e atualizados sobre os potenciais riscos e benefícios desse tipo de dispositivo?

Iremos participar representando os produtores de tabaco. A posição da Afubra é de defender a liberação dos produtos conhecidos como ‘aquecem, mas não queimam’ (iqos, ploom e glo), que utilizam tabaco, e não os eletrônicos, que usam nicotina líquida, que desconhecemos se essa nicotina líquida é extraída de tabaco ou de produção química.

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