Fábio e Bingo: Guarani de 1988 conquistou o inédito título de campeão amador com atletas, em sua imensa maioria, de Venâncio Aires (Foto: Rui Borgmann)
Uma defesa que sofria poucos gols. Fábio Lermen, Mano Menezes, Bingo, Bastião, Henrique e Carlos chegaram a propor uma vaquinha para destinar aos colegas de ataque para que marcassem gols, já que o time ia bem defensivamente, contudo o setor de frente deixava a desejar. Para chegar à conquista do título amador de 1988, a primeira estrela do clube, o Guarani iniciou a formação do time dois anos antes. Após ser eliminado na fase regional em 1986, em 1987 a direção rubro-negra começou a pagar os atletas, recebendo reforços de outros clubes do município, como Santos e Cruzeiro. Inclusive Mano Menezes, que foi zagueiro em 1986, chegou a ser dispensado no ano seguinte.
Já em 1988 o Guarani se tornou um clube semiprofissional, como enfatiza o zagueiro Bingo. Ele diz que o preparador físico Arthur Ruschel iniciava o processo de treinamentos físicos durante a semana. “Eu não ia, aqueles treinos não eram pra mim. Me apresentava apenas para jogar”, alega Bingo. Como a maioria dos jogadores trabalhavam durante o dia, os treinos eram realizados nos fins de tarde.
E o Guarani ganhou forma; com um elenco formado pelos melhores de 1986 e 1987, com Mano reintegrado, inclusive sendo o capitão, foi galgando fases até chegar à final quando precisou das penalidades máximas para comemorar o título após três empates sem gols com o Sapiranga. Na época o técnico era Telmo Kist.

“Queria que o Guarani voltasse a ser um clube raiz”

Campeão amador em 1988, Fábio Lermen diz que o Guarani lhe trouxe muitas amizades que perduram até hoje, porém diz que o profissionalismo e a busca incessante por resultados tem atrapalhado o clube nos dias atuais.

“O Guarani me trouxe muita amizade que cultivo até hoje com o Carlos, Vovô, Bingo, Chinês, Mano. Me tornei uma pessoa melhor, reconhecido como ex-goleiro do clube. Na época era o time da comunidade, representava as famílias envolvidas, nossos pais, amigos. Hoje não vejo mais  dentidade com a comunidade. Vejo o clube abandonado porque não temos mais atletas de Venâncio Aires. Queria que o Guarani voltasse a ser um clube mais raiz, se profissionalizou demais e a cidade não acompanhou.”

Fábio Lermen ex-goleiro do clube na década de 1980


“Guarani precisa inovar com futebol feminino e a base”

Para o zagueiro Bingo, que tinha 29 anos na conquista do campeonato amador e atualmente completou 60 anos no último dia 2, para que o Guarani possa voltar a ser atrativo e ter de volta sua torcida precisaria apostar na base e no futebol feminino. “É muito mais fácil convencer uma menina a ganhar R$ 500 do que pagar R$ 5 mil para um jogador que vem alguns meses e vai embora. A comunidade iria ajudar”, ressalta.

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