Na terça-feira, 11 , data da próxima reunião, Divisão de Acesso completa cinco meses inativa. (Foto: Roni Müller)

Quando se trata de reunião onde a pauta é a retomada da Divisão de Acesso, o saldo final é de incertezas e mais incertezas. Medo e insegurança são questões que estão aliadas e que infelizmente atormentam os dirigentes de clubes, sem contar a série de dificuldades financeiras. No final da tarde de quarta-feira, 5, um novo encontro virtual foi realizado entre dirigentes das equipes e o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Luciano Hocsmann.

Foram mais de duas horas de muita conversa para tentar definir algo em relação ao futuro. Por enquanto persistem as dúvidas se a bola volta a rolar ou não.A Divisão de Acesso está paralisada desde março. Foram possíveis a realização de apenas três rodadas (dias 1º, 8 e 11). Sem uma situação mais efetiva, a indefinição já teve até uma mobilização dos jogadores das equipes pedindo a volta da competição.

O intuito da reunião de quarta-feira era justamente definir a retomada da competição ou então bater o martelo diante do cancelamento. Entre os assuntos levantados por parte da FGF e questionamentos dos clubes, nada ficou definido. A entidade propõe a retomada da primeira fase da Divisão de Acesso para 20 de setembro com término previsto do campeonato dentro da primeira quinzena de dezembro.

Diante da pandemia e com a oscilação das bandeiras nos 15 municípios que a Divisão de Acesso engloba, o retorno fica quase que inviável já em setembro. Mesmo que a Divisão de Acesso seja prorrogada para mais adiante ainda, a FGF tem como prioridade definir o acesso ainda em 2020. “Entidade não quer que a Divisão de Acesso se prolongue dentro dos dois primeiros meses de 2021. Para isso é necessário encontrar datas possíveis e suficientes para que o campeonato retorne e seja contemplado dentro de 2020”, destaca o presidente do Esporte Clube Guarani, Sérgio Batista.

Ainda em relação as bandeiras, Hocsmann relatou que no momento em que retornar a Divisão de Acesso e por ventura alguma das cidades ingressar na bandeira vermelha, a tendência é da competição parar.

Atento às discussões e questionamentos feitos no encontro virtual, Batista comenta sobre as dificuldades diante das questões de protocolo. “Em relação ao transporte da delegação por exemplo, é um atleta a cada dois bancos. Hospedagem em hotel é uma pessoa por quarto. Custos aumentam consideravelmente, sem contar a alimentação. Clubes tem a receber ainda R$ 40 mil da Federação mas a cada duas rodadas tem um novo protocolo e que seria descontado desse valor. Se houver a necessidade de novos testes mais adiante, quem tem que arcar com o valor são os clubes. Ninguém tem de onde tirar. Por isso fica inviável, infelizmente, dar prosseguimento à competição”, disse Batista.

Por último ficou acordado que dirigentes de clubes apresentem propostas para a Federação, seja pela retomada ou então pelo cancelamento. Um novo encontro será realizado na terça-feira, 11, para quem sabe se definir de uma vez por todas o futuro dos clubes e da própria competição.

“Encerrar o 2020 por aqui e recomeçar do zero em 2021”

A maioria dos clubes quer o retorno da Divisão de Acesso desde que haja uma ajuda financeira mais considerável da FGF. Mesmo diante de tantas indefinições, Sérgio Batista vota pela retomada da competição. Por outro lado, o líder não enxerga uma luz no fim do túnel. “Infelizmente para o torcedor em geral, atletas, familiares, comissões técnicas, o futuro está ainda totalmente indefinido. Na minha humilde opinião, tudo leva a crer que a Divisão de Acesso não deva retornar mais em 2020. Encerrar por aqui e lá em 2021 recomeçar tudo do zero”, cita o líder.

Uma das questões levantadas pela Federação é que os clubes devem se responsabilizar se por ventura algum dos seus atletas venha contrair o vírus. “Uma questão que pode inclusive virar acidente de trabalho. Ninguém deseja e vai que tenha proporções maiores? Nenhum dos clubes está livre do pior e com certeza a responsabilidade irá recair para a instituição”, relata Batista.

Por último o presidente rubro-negro afirma que se por ventura a decisão final for pelo cancelamento da Divisão de Acesso de 2020, a competição é bem provável que será realizada somente após o Gauchão de 2021. “O Rio Grande do Sul é um dos poucos Estados em que a Série A e o Acesso são disputados simultaneamente. A proposta é pela Divisão de Acesso no segundo semestre. Esta será mais uma das pautas do nosso próximo encontro”, completa o líder.

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