Venâncio Aires tem 31 farmácias, das quais 21 estão ligadas a redes (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

Dados do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF/RS) indicam que Venâncio Aires têm 31 farmácias, entre estabelecimentos com manipulação e drogarias. De 2010 para cá, o número pouco se alterou. Há uma década, eram 30 farmácias no município.

Entre fechamento de algumas lojas e a chegada de novos empreendimentos, o que chama atenção, nos últimos anos, é a expansão das redes. Além da chegada de grandes nomes, como São João e Maxxi Econômica, a associação de farmácias locais a redes evidencia uma tendência no segmento. Levantamento da reportagem da Folha do Mate apurou que oito redes estão representadas na Capital do Chimarrão, em 21 das 31 farmácias.

Com uma tradição de 24 anos, a Farmácia do Agricultor firmou uma parceria há cerca de sete anos com a rede Vida Farmácias. O estabelecimento fica localizado na rua Osvaldo Aranha, ao lado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). Segundo o proprietário, Carlos Silberschlag, a parceria pode ser chamada de uma espécie de associativismo.

Ele explica que usar o nome Vida Farmácias não diminui a autonomia do estabelecimento: os donos são os mesmos e trabalham da mesma forma. O que muda é que, com o contrato, a farmácia passa a ter vantagens que refletem no que é oferecido ao cliente. “Conseguimos comprar os produtos com um melhor preço e isso reflete no valor final para o cliente também”, destaca.

Diversidade dos produtos está entre os aspectos que contribuem para a expansão das farmácias (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

O proprietário garante que para eles foi interessante essa parceria por oportunizar mais vantagens aos clientes. Por meio da Vida Farmácias, é possível trabalhar com medicamentos ou produtos de perfumaria em promoção. A rede também faz campanhas com sorteios, que beneficiam os clientes.

Silberschlag salienta que cerca de 80% dos clientes da farmácia são moradores do interior e a intenção é sempre buscar alternativas favorecer os clientes com preços melhores, com um atendimento acolhedor. “Fizemos de tudo para fidelizar o cliente, bom atendimento é essencial”, diz.

 

Para a coordenadora do curso de Farmácia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Chana de Medeiros da Silva, a consolidação de redes de farmácias no Rio Grande do Sul e a chegada de redes de outros estados estão entre os fatores que ajudaram a alavancar o crescimento do ramo.

Na última década, o número de farmácias aumentou 6,3% em território gaúcho, alcançando 5.302 estabelecimentos. “Isso gera concorrência e as farmácias vão ampliando serviços”, observa. A diversificação de mercadorias, com a venda de produtos de perfumaria e itens industrializados, também fortalece o segmento.

ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE

Silvana é presidente do Conselho Regional de Farmácia (Foto: Divulgação)

Na opinião da presidente do Conselho Regional de Farmácias do Rio Grande do Sul (CRF/RS) Silvana Furquim, o aumento dos estabelecimentos também ocorre porque “a farmácia é um ponto de acesso a serviços em saúde mais permeável nos municípios gaúchos”.

A coordenadora do curso de Farmácia da Unisc concorda. “As pessoas estão mais preocupadas com as pessoas e, em grande parte dos casos, a farmácia é o primeiro estabelecimento de saúde que o paciente procura”, comenta a professora Chana de Medeiros da Silva.

Ela também observa que as farmácias já não vendem apenas medicamentos, mas oferecem serviços, como aferição da pressão arterial, testes rápidos e de glicemia, além da orientação sobre a forma correta do uso e interações medicamentosas.

Chana lembra que, a partir da Lei 13.021/2014, as farmácias passaram a ser consideradas estabelecimentos de saúde. “Isso ampliou possibilidades e a função do farmacêutico, que antes era apenas o responsável técnico e um ‘guardador’ de medicamentos controlados”, observa.

Entre as funções do profissional, a professora ressalta, além da orientação de como ingerir os fármacos, a possibilidade de indicar Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), para problemas de baixa gravidade, como cólicas, distúrbios gastrointestinais e dor de cabeça, por exemplo. “Em casos assim, o paciente pode chegar e fazer uma consulta com o farmacêutico, que tem autonomia para prescrever e indicar esses medicamentos, sempre incentivando o uso racional.”

>> 68% das farmácias de Venâncio Aires são associadas a redes. Entre elas, estão a São João (6), Vida Farmácias (6), Maxxi Econômica (3), Farmácias Associadas (2), Sanar (1), Tchê Farmácias (1), Panvel (1) e Preço Popular (1).

VANTAGENS X DESVANTAGENS

A presidente do Conselho Regional de Farmácia, Silvana Furquim, elenca pontos positivos e negativos relacionados à grande variedade de farmácias.

Vantagens:

– Maior concorrência em um item que consome até 12% da renda mensal do brasileiro;

– Maior acesso à saúde, visto que a farmácia é na maioria das vezes o primeiro ponto de contato com ambientes de saúde – e, eventualmente, o único –, e neste local há um profissional farmacêutico;

Desvantagens:

– O descontrole da concorrência pode gerar condutas danosas à população, estimulando o uso irracional, através da venda ‘casada’ de produtos ou a chamada ‘empurroterapia’ de medicamentos;

– Banalização do uso do medicamento, que não é isento de riscos.

NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS

A presidente do Conselho Regional de Farmácia, Silvana Furquim, explica que não há recomendação formal da Organização Mundial da Saúde (OMS), com relação à quantidade de farmácias por município, apesar dessa indicação ser mencionada em muitos lugares.

“Em países desenvolvidos, há, em média, uma farmácia para cada 3,5 mil habitantes. Aqui no Rio Grande do Sul há cerca de uma farmácia para cada 2,1 mil pessoas”, cita. Ela lembra, ainda, que no Brasil não há qualquer tipo de impedimento para que o número siga crescendo, já que não há previsão legal desta limitação.

*Colaborou: Cassiane Rodrigues

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