No fim do mês, Carine Reis deixa a mesa ocupada como diretora da Emef Benno Breunig para assumir um novo desafio (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Aos 38 anos, Carine Isabel Reis decidiu embarcar, junto com o marido e o filho, em um novo desafio. Além da mudança de estado, em Rondônia, na região Norte do país, a professora de Letras Português/Inglês, mestre em Letras e diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Benno Breunig, do bairro São Francisco Xavier, vai iniciar uma nova trajetória profissional: será taquígrafa da Assembleia Legislativa, em Porto Velho.

O concurso para assumir o cargo foi feito em 2018, e a homologação ocorreu em maio de 2019. De lá para cá, Carine, que se classificou em sétimo lugar no certame, sabia que a qualquer momento seria chamada para assumir a função. “O coração está animado, mas, ao mesmo tempo, dá aquele friozinho na barriga em fazer essa mudança. Não é uma coisa inesperada, isso já vem sendo falado, planejado e querendo ser conquistado há muito tempo. Eu e meu marido lutamos muito para isso”, compartilha. Antes do concurso em Rondônia, Carine já havia feito certames para a função de taquígrafa em Caxias do Sul, Belém, Teresina, Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia. Para garantir a vaga no Norte do Brasil, foi necessário realizar provas teórica e prática.

A história de Carine com a taquigrafia iniciou em 2013, quando ela começou a fazer um curso direcionado a essa área em Porto Alegre. Para a formação, a professora precisou se deslocar, durante dois anos, todos os sábados para a Capital. Para isso, contou com apoio do marido, Vanderlei Giehl, uma vez que, na época, o filho Arthur Elias Giehl, hoje com 9 anos, era pequeno. Depois disso, os encontros começaram a ocorrer quinzenalmente. Entretanto, a dedicação continuou sendo constante. “O caminho da taquigrafia é muito marcado pela persistência. Também é preciso ter velocidade na mão”, observa.

Carine, ao centro, com suas atuais vices-diretoras Denise Bick e Beatriz dos Santos (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

DOCÊNCIA

Moradora do bairro Gressler, Carine iniciou a caminhada na docência em 2006, quando passou em um concurso promovido pela Prefeitura de Venâncio Aires. “Comecei a atuar aqui [escola Benno Breunig] em uma manhã, e na Emef Dois Irmãos, com a Educação de Jovens e Adultos (EJA), à noite. Depois disso, comecei substituir a professora de Português e, desde então, a balança começou a virar”, comenta, em meio a risos.

Entre o fim de 2009 e início de 2010, Carine pediu para atuar todas as horas do concurso na escola Benno, período em que recebeu o convite para ser vice-diretora da instituição de ensino. “De 2010 em diante eu era vice-diretora do turno da tarde e professora no período da manhã. Em 2014, assumi como diretora e aí passei a me dedicar integralmente a essa função. São quase 14 anos de relação com a escola”, recorda.

Para ela, ocupar o cargo de diretora representa responsabilidade, seriedade e atenção, em especial aos alunos. “Cada um é um universo”, acrescenta. Ela também ressalta os aprendizados. “Aprendi a lidar com as pessoas, a ouvir, ser ouvida, a importância das colegas, pois não fazemos nenhum trabalho sozinha, e da parceria com os pais. O respeito, a humildade e fazer o certo precisam fazer parte do trabalho”, pondera.

FAMÍLIA E MAGISTÉRIO

• De acordo com Carine, o fato de ter na família muitas pessoas vinculadas ao Magistério foi um influenciador para que ela estudasse Letras. “Até tentei pensar em outras áreas, mas era para Letras que eu voltava”, relembra.

• Além disso, ela relata que a professora Nina Rosa Heinen Pereira foi uma grande inspiração. Carine teve aula com ela de Português e Inglês no Ensino Fundamental, cursado na escola Frida Reckziegel, de Vila Palanque. “Ela me transmitia muito conhecimento. Sempre tinha informação sobre qualquer assunto e isso me encantava. E eu pensava, deve ser porque é professora”, comenta.

Carine, o marido Vanderlei e o filho Arthur se preparam para viver uma nova experiência em Rondônia (Foto: Arquivo pessoal)

DESAFIOS 

• Carine relata que deixar a família e amigos em Venâncio Aires será um desafio em razão da saudade. No entanto, ela acredita que a tecnologia facilitará a comunicação. Pedir exoneração do cargo de diretora também ‘mexe’ com os sentimentos.

• No momento, a venâncio-airense está envolvida com questões burocráticas para assumir o cargo e ainda de transição dos novos membros da diretoria da Emef Benno Breunig. A distância da família, também exigirá que ela, Vanderlei e Arthur encontrem novas atividades de lazer. “Gostamos muito de natureza. Acho que isso vai facilitar.”

• Como planos ela menciona a vontade de estudar Filosofia, uma paixão que descobriu durante a participação em uma bolsa de iniciação científica durante a graduação na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), mesma instituição de ensino na qual fez o mestrado em Letras.

• Para ela, na hora de mudar é importante estar com o coração aberto, disposto a conhecer novas culturas e pessoas, aprender com essa experiência e, o mais importante, estar disposto a fazer a tentativa. “Em uma mudança, mesmo que seja só de bairro, vai de coração aberto”, aconselha.

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