A história de Cléria com o Guarani começou há quase dez anos, por meio do trabalho voluntário (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Há quase uma década, Cléria Inês Linck Theisen, 53 anos, começou a escrever a história dela com o Esporte Clube Guarani. Foi por ocasião de uma enchente que alagou o estádio Edmundo Feix, que ela se disponibilizou a atuar como voluntária e ajudar na limpeza e organização do local. Por cerca de dois anos ela seguiu como voluntária do time, auxiliando, principalmente, nas tarefas da cozinha. Após esse período, ela foi contratada para atuar como cozinheira e preparar as refeições dos atletas que vestem a camisa do Rubro-Negro.

Mãe do Arthur Avelino Linck Theisen, 18 anos, Cléria é chamada de ‘tia’ pelos jogadores do Guarani. Ela é a responsável por preparar, de segunda a sexta-feira, o café e a janta dos atletas. Já no fim de semana, o trabalho aumenta e ela ainda tem a tarefa de deixar o almoço pronto. “Sou a primeira a entrar e a última a sair”, observa, ao contar que, normalmente, a jornada de trabalho inicia às 6h30min.

As tarefas se intensificam durante os meses de atuação da equipe profissional do Guarani. “Tenho eles como filhos meus, até porque eles estão longe da família. Eles se sentem bem. Quando termina o treino eles vêm direto para o refeitório”, compartilha.

MOTIVAÇÃO

Engana-se quem pensa que a dona Cléria atua apenas na cozinha. De acordo com ela, quando as tarefas relacionadas à preparação dos alimentos chega ao fim, ela logo vai em busca de outra atividade junto ao estádio. “É a minha segunda casa. Trabalhar aqui me ajudou a progredir, a ver a vida de outra forma”, observa.

Natural de Venâncio Aires, a cozinheira do Guarani, mora no Centro da capital Nacional do Chimarrão desde os 26 anos. A mudança de Linha Harmonia da Costa, no interior do município, foi necessária para que ela pudesse dar continuidade aos estudos. Segundo ela, o gosto por cozinhar foi herdado da mãe. “Tudo que tu faz com o amor, rende. Eu gosto do Guarani”, destaca.

Agora, Cléria se prepara para ver o filho entrar na faculdade. Ele vai cursar Gastronomia, na Univates, a partir de fevereiro. Apesar de ter crescido convivendo com as atividades do Guarani, Arthur não pretende seguir carreira no futebol. Mas garante que gosta de assistir aos treinos. “Temos uma boa relação, uma amizade boa entre mãe e filho”, observa a venâncio-airense.

Cléria e o filho Arthur, de 18 anos, no Estádio Edmundo Feix, local que faz parte da história deles (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

RELAÇÕES

Conforme Cléria, que ainda trabalha como cozinheira nas sextas-feiras à noite em um bar localizado na frente do Edmundo Feix, a relação com as famílias dos jogadores é muito boa. “Eles entraram em contato para saber como os filhos estão, afinal, muitos deles estão longe de casa”, esclarece.

Com os atletas e a equipe técnica, também há vínculo. Em muitos casos, os jogadores ou profissionais já não atuam mais no Rubro-Negro, mas ainda mandam mensagem contando novidades sobre as carreiras. Dona Cléria também faz questão de acompanhar as atividades dos ex-atletas do Índio, que durante um período foram como filhos dela. “Eu criei uma família com o Guarani”, acrescenta. O carinho pelo time é tão grande, que mesmo quando se dedica às tarefas na cozinha, pela janela ela dá uma espiadinha nos treinos e nos jogos.

Uma das histórias mais marcantes que Cléria viveu com o Guarani, foi quando o Rubro-Negro conseguiu subir para a Divisão de Acesso. “Os jogadores me buscaram para participar da carreata pela cidade com eles”, recorda. A partida foi disputada em Venâncio Aires.

Em dias de jogos em casa, Cléria costuma dar uma espiadinha da janela da cozinha para conseguir ver a partida (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

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