Encontro de gerações lembrou do histórico das principais conquistas do movimento sindical. (Foto - Edemar Etges).

Promover um diálogo entre os jovens rurais e pessoas da terceira idade, entre elas, fundadoras e filhos de fundadores, integraram a pauta de conversas do primeiro encontro de gerações promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Venâncio Aires na manhã desta sexta-feira, 11, no salão da entidade.

O encontro oportunizou um diálogo entre as duas gerações, e assim, visualizar as dificuldades enfrentadas, rever as lutas e conquistas, mas especialmente, realizar a integração das duas gerações.

A secretária do STR, Sandra Wagner, destaca que o encontro integra o planejamento estratégico de ações desenvolvido pela Regional Sindical do Vale Rio Pardo e Baixo Jacuí, voltado para a qualificação das diretorias, conselheiros e funcionários dos sindicatos. “Devemos mostrar aos jovens rurais o que é o sindicalismo e o STR, pois eles são o futuro da agricultura, do sindicalismo e também da nossa entidade”, frisou. Sandra acrescentou que este mês, o STR desenvolveu duas ações. Uma foi com a terceira idade, com a realização do 13º Encontro Municipal do Aposentado Rural e, com os jovens, o programa ‘Fala, Jovem!’. “No encontro de hoje [ontem], resgatamos o histórico de lutas e de conquistas durante os 57 anos de caminhada do nosso sindicato.”

Força

“Se o agricultor familiar soubesse a força que tem, se uniria para lutar e se mobilizar para manter todas as conquistas dos antepassados”, salientou o presidente do STR, Cláudio Fengler. Ele acentuou que entre as diversas ações desenvolvidas pela entidade, está a de conscientizar os jovens sobre a importância do sindicato e o sindicalismo na vida deles.


“As lutas e as mobilizações sempre marcaram o trabalho do sindicato durante os seus 57 anos de história.”

CLÁUDIO FENGLER – Presidente do STR de Venâncio Aires


Depoimentos

Entre os participantes estiveram Ireneu Lenz, um dos fundadores do STR de Venâncio Aires; Rudi Klafke, filho de outro fundador e ex-presidente Octávio Adriano Klafke; Paulo Silberschlag, filho do fundador e também ex-presidente Armindo Silberschlag, entre outros filhos de fundadores.

Nos seus depoimentos, eles lembraram do por quê da criação do STR e que isto ocorreu por diversos fatores, como a falta de assistência e acesso à saúde dos agricultores familiares, a falta de direitos previdenciários como a aposentadoria rural, a falta de políticas de comercialização e de preço mínimo, ou seja, os produtores enfrentavam inúmeras dificuldades e passavam por sérias necessidades.

De forma unânime, eles solicitaram aos jovens rurais que não deixem morrer o histórico de lutas, de mobilizações e de conquistas dos antepassados, pois o sindicato ficará sob a responsabilidade deles e que eles precisam continuar mobilizados para não perderem nenhum dos direitos previdenciários já adquiridos.


“Não podemos perder o que os nossos antepassados conquistaram com muitas lutas e mobilizações.”

VITOR GABRIEL DE MORAES – Jovem rural

“Me sinto realizada em hoje poder lutar pela minha categoria. Tenho orgulho de ser agricultora familiar. Não precisamos ter vergonha de trabalhar na roça, porque todos os lideres sindicais também são filhos da roça.”

ROSENEI NEUMANN – Líder sindical


Datas

– 13 de maio de 1962 é o dia da criação do STR de Venâncio Aires.

– 6 de outubro de 1963 é o dia da fundação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag).

Principais conquistas

As principais conquistas do movimento sindical em prol do agricultor familiar são:

  1. Direitos previdenciários, como a aposentadoria rural conquistada em 1971, quando somente os homens se aposentavam aos 65 anos com meio salário mínimo. O benefício foi corrigido com a Nova Constituição de 1988, com um salário mínimo para os homens aos 60 anos e aos 55 anos para as mulheres.
  2. Programa da Habitação Rural por meio da Cooperativa Habitacional da Agricultura Familiar (Coohaf).

3 Crédito Fundiário.

4 Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

5 Participação das agroindústrias familiares nas principais feiras do estado, como a Expointer e Expoagro Afubra.

6 Valorização da mulher trabalhadora rural a partir das mobilizações do dia 8 de março e Marcha das Margaridas, que ocorre a cada dois anos, em Brasília.

7 Formação de lideranças sindicais por meio do Instituto de Formação Sindical Irmão Miguel.

 

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