Lili conta sua história como cabeleireira (Foto: Ana Carolina Becker/Folha do Mate)

A vaidade e o sorriso são marcas de Lili Irene Becker, 76 anos. Sempre com o cabelo bem escovado e um ‘batonzinho’, ela é uma das cabeleireiras mais antigas de Venâncio Aires. Por suas ‘mãos vaidosas’ passaram noivas, debutantes e muitas mulheres que confiaram em seu potencial para se preparar para momentos simples e especiais.

Natural de Passo do Sobrado, ela relembra que desde muito cedo auxiliou nas tarefas de casa e, principalmente, a cuidar dos sobrinhos. Inclusive, morou com a irmã Ilga Maria Kroth, em sua cidade natal, e depois em Linha Sapé, para ser babá das crianças. ‘Missão’ que a levou ainda mais longe. Ao lado de outra irmã, Cassilda, morou em Santa Catarina, dos 9 aos 15 anos. Lá, trabalhou como serviços gerais e cuidadora. Ao retornar a Venâncio, voltou a morar com os pais, João e Rosalina Schmitz, na rua 7 de Setembro, até o casamento.

Depois de muito acompanhar as ‘corridas de bicicleta’, consideradas atrativas em janeiro, Lili conta que foi a primeira vez que viu o marido, Nilsio Becker, hoje com 81 anos. “Ele era um alemãozinho rápido para andar de bicicleta. Estava lá para ver meu irmão ganhar, mas ele acabou conquistando o primeiro lugar e meu irmão ficou em quarto”, recorda. Essa foi a primeira vez que viu o futuro marido, no entanto, o namoro começou somente nos bailes do Salão Konrath, no Grão-Pará. “Era um salão de madeira”, acrescenta a cabeleireira.

O casal recorda que, no dia do casamento, em 1964, chovia muito. A cerimônia foi celebrada na igreja matriz e as comemorações foram em casa. “Eu salvei a vida dela”, brinca Becker. Ele conta que como vieram morar na casa no mesmo endereço, na rua 7 de Setembro, onde residem até hoje, precisavam atravessar uma sanga. “Chovia muito quando viemos para casa. Estávamos no jipe do Edmundo Schwengber e, quando a Lili foi descer, ela resvalou no vestido e quase caiu dentro da sanga”, lembra o marido.

O filho mais velho, Edson, nasceu dois anos após o casamento e o caçula, Alex, em 1968. Hoje, o casal Becker tem quatro netos – Francieli, Bruna, Eduarda e João Pedro.

ROTINA

Lili não escolheu o ofício de cabeleireira, a profissão que a escolheu. Com um dom para cuidar e embelezar os outros, conta que a primeira permanente em cabelos crespos foi feita na irmã, Rosvita Schmitz. Mas, alguns ‘truques’ foram ensinados por outra cabeleireira, Anita Schmitz, que atendeu durante muito anos na residência junto ao Posto Schmitz. “Fui um dia fazer permanente no cabelo da minha mãe lá no salão dela. Quando terminei, ela bateu no meu ombro e disse que eu podia começar a atender que estava pronta”, comenta.

No início, organizou um cantinho pequeno para atender nos finais de semana, em um cômodo da casa. Com o passar dos anos, ampliou os atendimentos e garantiu uma boa carta de clientes. Ensinou à nora, Solange Zelair da Luz, 48 anos, o mesmo que lhe ensinaram e conta com a ajuda dela nos atendimentos do salão que mantém até hoje em funcionamento. No local, também divide espaço com o filho Edson, que segue a profissão de cabeleireiro. “Todos esses anos que trabalhei como cabeleireira foram muito bons. Grande parte do que adquirimos foi graças ao salão”, acrescenta.

JOGOS DE CANASTRA

Durante muitos anos, Nilsio e Lili reservaram suas noites de terças-feiras para jogar canastra. No Campeonato de Canastra, que tinha na época 24 casais participantes, a disputa era em duplas e o casal Becker garantiu troféus e medalhas. Hoje, o casal já não participa mais dos jogos, mas guarda as boas lembranças da época.

 

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