Delegado Vinícius detalha como o ‘conto do bilhete’ premiado é praticado

-

O conto do bilhete premiado é um dos golpes mais antigos e que segue fazendo vítimas. Dias atrás, um homem e uma mulher, em dois golpes distintos, perderam R$ 47 mil. E apesar de todas as informações repassadas pelas autoridades, elas sabem que os estelionatários voltarão à Capital do Chimarrão e farão novas vítimas. “São profissionais que usam a criatividade para atrair as vítimas e, assim, facilitar seus golpes”, resumiu o delegado Vinícius Lourenço de Assunção.

Ao lado do comissário Paulo Ullmann, o delegado disse que o ‘conto do bilhete’ é um negócio rentável e ressaltou que os estelionatários são extremamente experientes. “Eles escolhem as vítimas se baseando na maneira de se vestir, de se portar e na idade”, observou o titular da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).

Outro apontamento feito é que os golpistas nunca abordam as vítimas falando do bilhete premiado. “Sempre chegam pedindo ajuda e fazem a pessoa se comover e se prontificar a ajudar. O golpe tem prosseguimento assim que chega o segundo estelionatário e então eles usam de criatividade para mostrar que o suposto prêmio do bilhete premiado pode mudar a vida daquela pessoa”, explica Ullmann.

Ainda segundo o comissário, neste momento os golpistas já sabem se a vítima tem dinheiro disponível e se está disposta a pagar para receber uma ‘bolada’, sem fazer força. “Elas induzem as vítimas ao erro, falam de sonhos, de mudar de vida, de conseguir comprar imóveis de alto padrão e carros de luxo. Dizem que é uma oportunidade única e as pessoas pagam por isso e só depois se dão conta de que foram enganadas”, observa o policial.

Ele cita o caso registrado na semana passada, onde os golpistas disseram que o bilhete estava premiado em R$ 3 milhões. Naquele caso, explica o comissário, um dos golpistas fez de conta que iria ‘passar a perna’ no outro golpista (o que chegou pedindo informações) e compraria o bilhete e, por isso, precisava dinheiro para pagar pelo bilhete. “Então ele disse para a vítima que cada um ficaria com R$ 1,5 milhão, por isso que a mulher entregou R$ 6 mil e depois fez mais uma transferência de R$ 30 mil, para garantir a sua parte”, explicou.

Na Polícia Civil há mais de 30 anos, o comissário revela que em apenas uma oportunidade conseguiu prender em flagrante dois homens que haviam praticado o conto do bilhete em Venâncio. “O que mais dificulta é que as vítimas demoram muito para comunicar que caíram em um golpe. Geralmente elas vêm na Delegacia no dia seguinte, quando os golpistas já estão longe. Fazem isso porque não acreditam que foram vítimas de um golpe e por vergonha”. Ullmann segue dizendo que mais de 90% das vítimas só procuram as autoridades depois de falar com familiares e estes confirmarem que se trata de um golpe.

Dinheiro some

Um fato que chama a atenção é como as pessoas conseguem sacar altas somas e em caso de transferências, como a Polícia Civil não consegue rastrear as contas e reaver o dinheiro. “As vítimas são orientadas pelo golpistas sobre como proceder ao pedir dinheiro nos bancos. Normalmente, dizem para elas pedirem dinheiro pois estão comprando uma casa e precisam do dinheiro imediatamente, pois caso contrário, perderão o negócio”, explicou Ullmann.

Sobre as transferências, o delegado Vinícius disse que são feitas para bancos digitais, usando contas abertas com documentos de terceiros, que foram vítimas de algum tipo de golpe. “E como as denúncias nunca são feitas logo após o golpe, não conseguimos ter acesso às contas. E mesmo que conseguíssemos, o dinheiro já não estaria mais naquela conta”, cita.

Por isso, orienta o delegado, as pessoas devem ter mais atenção e suspeitar de pessoas que lhe oferecem vantagens, mas lhe pedem dinheiro em troca, como garantia. “Isso não existe. No caso deste golpe, ninguém vai te parar na rua para pedir ajuda para trocar um bilhete premiado. Desconfie sempre”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques

Últimas

Exclusivo Assinantes