Greve no IFSul repercute entre pais e servidores

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Em comunicado oficial na última sexta-feira, 27, os servidores públicos do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) campus Venâncio Aires anunciaram que, a partir desta semana, entrariam em greve em busca de reajustes salariais. No documento, é informado que esse movimento é a última instância após meses de negociação com o Governo Federal. A greve não tem data para ser finalizada, apesar de se aguardar uma atitude governamental até o início de julho.

A nota informa que os servidores estão em greve pela reposição das perdas inflacionárias dos últimos três anos (19,99%). A medida repercutiu entre pais e alunos, entre eles a mãe do estudante do 3º ano do Ensino Médio, Lucas Silveira, Lisete Stertz. Ela afirma que entende a motivação da greve, contudo, considera o momento inoportuno da decisão. “Estamos saindo de uma pandemia, o ensino foi prejudicado. Penso que essa greve proposta, neste momento, é um atraso para os alunos e um desgaste para o Instituto”, pontua.

O jovem iniciou o ensino no IFSul em março de 2020, com 15 anos, e em duas semanas teve as aulas paralisadas por conta da pandemia. Lisete relembra que as demais escolas se ajustaram a nova realidade, principalmente em relação a aulas on-line, enquanto o Instituto retornou apenas em outubro de 2020, seis meses após a paralisação. “Retornaram com o on-line e assim ficaram por um ano, quando outras escolas já haviam retornado ao presencial, mantinham o cronograma à distância e com calendário alterado, já que o calendário escolar foi prejudicado pelo tempo sem atividades”, diz.

De acordo com a mãe do estudante, no período on-line, a carga horária foi cumprida, de forma síncrona e assíncrona, porém, o retorno ao presencial ocorreu somente em novembro de 2021. “Não questionei a demora na adaptação nem a resistência na volta ao presencial, entendo que os profissionais não estavam preparados para algo tão fora do comum”, detalha.

Da mesma forma, ela destaca que não entra no mérito do merecimento em relação ao reajuste salarial e benefícios, afinal, todas as pessoas que desenvolvem atividades para as quais foram contratadas merecem o reconhecimento e o pagamento de seus salários. “Claro que, não estando satisfeitos, todos têm a liberdade de buscar no mercado de trabalho outras oportunidades. Contudo, todo e qualquer servidor público deve cumprir o papel para o qual foi contratado através de concurso público, ciente de suas escolhas e responsabilidades”, conclui.

“Minha crítica é em relação à paralisação neste momento, depois de tudo que passamos, com o atraso no ensino e com uma retomada de atividades tão lenta.”

LISETE STERTZ

Mãe de estudante

Em Venâncio, cerca de 80 servidores paralisados

Ainda no comunicado publicado na sexta-feira, 27, os servidores do IFSul informam que não possuem reajustes anuais ou correção da inflação como outros trabalhadores. “As reposições inflacionárias só ocorrem em negociações diretas com o governo, o que normalmente envolve greve. Além disso, o índice de 19,99% representa apenas a inflação acumulada neste governo, mas os servidores estão com seus salários congelados há mais de seis anos”, diz o comunicado.

As aulas retornaram em 16 de maio. Entretanto, foi realizada uma Assembleia Geral, online, com servidores de todos os campis no mesmo dia, aprovando a greve a partir do dia 19, sendo que em Venâncio, houve uma reunião na quarta-feira passada, 25, quando 65% dos que estavam presentes, cerca de 70 servidores, se posicionaram a favor de aderir ao movimento.

No campus Venâncio, são em torno de 80 servidores, entre professores e funcionários. De acordo com a assistente em administração e integrante do comando da greve no campus, Ruti Oliveira, o calendário escolar está suspenso, sendo atendidas apenas demandas essenciais e algumas atividades administrativas remotamente.

Ruti, que também faz parte da direção executiva do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) seção IFSul Pelotas, frisa que todos têm o direito de se manifestar e os servidores sabem o quanto a greve é difícil e impacta na vida dos estudantes, técnicos e docentes que fazem parte da comunidade acadêmica. “No entanto, este último recurso de mobilização acaba sendo o único que efetivamente chama a atenção daqueles com poder de negociar”, enfatiza.

A assistente em administração acredita que a greve terá resultados, tanto que, segundo ela, já teve para os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que conquistaram a reposição de 19,99% com uma greve de 52 dias encerrada na segunda-feira, 23. “Tem dinheiro para orçamento secreto e apoiadores do governo. Então tem dinheiro para a educação, ela só precisa ser compreendida como prioridade e, para isso, contamos com o apoio de toda a sociedade”, finaliza.

“A greve é o último recurso de mobilização e acaba sendo o único que efetivamente chama a atenção daqueles com poder de negociar. Tem dinheiro para a educação, ela só precisa ser compreendida como prioridade.”

RUTI OLIVEIRA

Servidora do IFSul

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