O exemplo de jovens que valorizam o voto

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Faltam menos de seis meses para as eleições gerais 2022 – que ocorrem nos dias 2 de outubro (primeiro turno) e 30 de outubro (segundo turno), caso seja necessário –, quando serão eleitos presidente, governadores, senadores e deputados. Em meio a um país polarizado e a expectativa de eleições apertadas, a importância do voto do eleitorado jovem tem sido muito destacada. Principalmente, a participação dos adolescentes entre 16 e 17 anos, que têm a opção de votar, mesmo sem a obrigatoriedade.

Campanhas nas redes sociais buscam incentivar o voto da galera jovem. O assunto também chega a grandes eventos, como foi o caso do Festival de música Lollapalooza, deste ano. Para garantir o direito de votar nas eleições deste ano, é preciso ficar atento: o prazo para fazer o título eleitoral vai apenas até o dia 4 de maio.

Estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Cônego Albino Juchem (CAJ), Maria Eduarda Wagner, de 17 anos, já tirou o título para votar este ano – ela já tem o documento disponível no aplicativo de celular. Para ela, participar da eleição é muito importante para exercer a cidadania. “Não estou achando certo os rumos do governo, mas não tenho tanto direito de opinar pois não votei na outra eleição. Depois vou poder opinar melhor porque votarei, justamente para poder fazer a diferença”, considera a guria, que é um dos 271 jovens entre 16 e 17 anos que têm título eleitoral em Venâncio, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de março.

Eleitores em Venâncio

  • 16 anos 71 31 homens e 40 mulheres 0,13%
  • 17 anos 201 89 homens e 112 mulheres 0,38%
  • 18 a 20 anos 1.773 840 homens e 933 mulheres 3,35%
  • Total de eleitores 25.235 homens e 27.672 mulheres 100%

Participação do eleitorado de 16 e 17 anos de todo país nas eleições

  • 2002: 30,3%
  • 2006: 31,02%
  • 2010: 32,7%
  • 2014: 23,3%
  • 2018: 21,5%

Em 2018, um em cada cinco adolescentes de 16 e 17 anos tirou título de eleitor no Brasil, segundo o TSE.

Como tirar o título on-line

1 – Entre no Portal do TSE (www.tse.jus.br) e clique na aba superior, em ‘Eleitor e Eleições’. Procure o menu ‘Tire seu título – Título Net’, no final da página à esquerda (onde há uma imagem de uma mão segurando um título).

2 – No final da próxima tela, vá no menu ‘Iniciar seu atendimento a distância’, que fica na parte ‘Faça seu requerimento’.

3 – Depois, é só selecionar o estado, conferir a lista de documentos necessários (comprovante de residência, documento com foto, selfie e certificado de quitação militar) e clicar em ‘Próximo’.

4 – Na tela de identificação, você deve escolher ‘Não tenho’, preencher os dados principais e clicar em ‘Próximo’.

5 – Depois, na página seguinte, é só preencher o formulário com os dados obrigatórios.

6 – A próxima etapa é a de envio da documentação. Isso deve ser feito na parte que está logo abaixo desse formulário. Basta selecionar o documento que você vai incluir e clicar na parte ‘Selecionar arquivo’. Quando você inserir todos os documentos necessários, finalize o processo.

7 – Concluída a solicitação, é só ficar de olho. Você pode acompanhar o requerimento lá no final da página inicial do Título Net.

8 – Quando o processo for concluído, não fique esperando o documento em casa. Afinal, agora é tudo digital. Ao fazer a consulta, você vai ter acesso ao número do título e aí é só baixar o aplicativo e-Título (disponível no Google Play ou App Store) no celular. A versão digital serve como documento oficial e poderá ser apresentada ao mesário no dia da eleição.

Aplicativo E-Título é uma opção mais prática para as próximas eleições. (Foto: Divulgação)

Os porquês do desinteresse político

O cientista político Fredi Camargo explica que, ao longo da história, os jovens participaram de muitos eventos e manifestações políticas. “Podemos citar como exemplo os movimentos contra o regime militar e os caras-pintadas”, comenta. Os caras-pintadas foi um movimento estudantil brasileiro realizado no decorrer do ano de 1992 que teve, como objetivo principal, o impeachment do presidente do Brasil na época, Fernando Collor de Mello.

Camargo observa que as manifestações são características fortes dos jovens. “A juventude é mais ‘barulhenta’ e por isso temos a impressão de que o voto do jovem tem mais valor. Na realidade, a computação de voto é matemática, mas a juventude, por ter essa possibilidade de facultar seu voto, sempre é o voto mais visado pelos candidatos. Pelo movimento que eles fazem de persuasão de seus pares e pela imagem que o candidato passa a ter quando é apoiado pela juventude”, analisa o cientista político.

Apesar disso, atualmente, se percebe o desinteresse dos jovens por assuntos políticos. Um dos sinais é a baixa participação daqueles que podem votar, mas ainda não são obrigados. Mas, quais os motivos para isso?

“Falta de interesse, de conhecimento e, às vezes, de informação. Na verdade, a informação chega, mas muitos não querem ir atrás. A gente sabe porque procurou”, opina a estudante Lívia Kist, 17 anos, aluna do CAJ, assim como Maria Eduarda Wagner.

Utilizada no Brasil, a urna eletrônica é uma das mais seguras do mundo. (Foto: Divulgação)

A colega delas, Letícia Inês da Silva, 17 anos, destaca que apenas as três têm o título de eleitor em toda a turma. “A questão de política é tratada como piada. A maioria nem sabe como tirar o título, as formas, nem que pode ser on-line”, afirma.

O cientista político Fredi Camargo elenca alguns motivos para esse afastamento dos adolescentes com o assunto. “Podemos citar o desinteresse advindo da falta de esperança na atividade política pelos resultados do trabalho dos nossos representantes. Uma outra questão a ser levada em conta é a falta de instrução curricular no sistema de ensino, no qual as crianças e os jovens não são apresentadas à atividade política e sua direta intervenção em nossas vidas.”

Na escola

As estudantes concordam que o tema deveria ser mais trabalhado na escola. “Muitos de nossos colegas não entendem, falam mal, e é culpa também da falta de informação. Não aprendemos sobre isso, ninguém fala como fazer. Deveríamos aprender na escola, se tivesse uma aula ajudaria”, acredita Maria Eduarda. Além disso, Lívia relembra a falta de respeito com o jovem. “Acho que não somos respeitados apenas por sermos jovens, seria legal uma comunicação para nos integrar na política.”

Discussões rasas

Outro ponto destacado por Camargo é que há comportamento mais acomodado das duas ou três últimas gerações da população jovem, com mais interesse por assuntos dinâmicos mas sem profundidade, que surgem na internet. “O jovem hoje está mais individualista, os valores e as noções de coletividade mudaram, até mesmo por uma intervenção cultural ocidental de ultracompetição em nome do sucesso”, ressalta.

Além disso, ele salienta que as redes sociais facilitaram a disseminação da informação, mas também da desinformação, para toda a população. “O maior impacto do advento das redes sociais, sem dúvida, foi a aproximação de nichos ideológicos semelhantes e o aumento do embate entre ideologias distintas, mas as discussões são, de maneira geral, muito rasas.”

“Não podemos querer culpar o eleitor por um problema que está no comportamento de quem ele coloca sua esperança. Devemos alterar radicalmente a educação de base inserindo noções e conceitos de política na grade curricular de ensino das crianças e jovens para que eles entendam a importância enorme da política nas nossas vidas. Mas essa é uma proposta polêmica, afinal eleitor instruído não vota em político ruim.”

FREDI CAMARGO

Cientista político

Se liga!

Neste ano, o eleitor brasileiro votará na esfera nacional e estadual. Sendo assim, escolherá seus representantes nos seguintes cargos para os próximos quatro anos:

– Presidente: a autoridade máxima do Executivo do País.

– Governador: autoridade máxima sobre um distrito ou um estado da federação.

– Senadores: cada estado elege três senadores. São responsáveis, principalmente, pela elaboração de leis e por fiscalizar os atos do Executivo, podendo processar e julgar outros cargos, além de aprovar escolhas de ministros, propostas do presidente e operações financeiras.

– Deputado federal: responsável por fiscalizar o Poder Executivo do País. O número de deputados que um estado pode ter está diretamente relacionado ao número de habitantes.

– Deputado estadual: responsável por legislar, criar, alterar, vetar leis no âmbito regional.

(Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Sabia?

O voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos e/ou analfabetos. Contudo, o voto é obrigatório para todo cidadão, nato ou naturalizado, alfabetizado, com idade entre 18 e 70 anos.

• Desde 1996, as eleições acontecem pela urna eletrônica. Dessa forma, agiliza-se o processamento do voto. Poucas horas após o término da votação, o resultado já é divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral

Semana do Jovem Eleitor

Durante a campanha Semana do Jovem Eleitor, promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral entre os dias 14 e 18 de março de 2022, foram emitidos 96.425 novos títulos em todo o Brasil e no exterior para jovens com 15 a 18 anos. As faixas etárias que registraram os melhores índices foram as de jovens com 18 e 17 anos, respectivamente.

Dados totais:

• 4.387 mil títulos oferecidos a jovens de 15 anos (que completam 16 anos até dia 2 de outubro, data do primeiro turno das Eleições Gerais de 2022), 22.934 mil títulos para adolescentes com 16 anos, 33.582 mil títulos para pessoas com 17 anos e 35.522 mil títulos para cidadãos com 18 anos.

• Os estados mais engajados foram São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Já Roraima, Rondônia e Amapá foram as unidades da federação com a menor quantidade de pessoas entre 15 e 18 anos que buscaram a Justiça Eleitoral para tirar o primeiro título.

• 30 jovens se alistaram para votar no exterior.

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