O impacto financeiro da ‘herança Covid’: déficit mensal do HSSM chega a R$ 700 mil

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O Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) realizou, na terça-feira, 17, a primeira edição do Conversa com a Comunidade, um bate-papo exclusivo para pessoas interessadas em saber mais sobre o trabalho da casa de saúde de Venâncio Aires e que deve ocorrer mensalmente.

Ainda em tempos de pandemia, o primeiro assunto foi a aplicação de recursos Covid, que desde 2020 chegaram de forma específica. O problema é que o verbo ‘chegar’ ficará mesmo na conjugação passada e não há mais dinheiro exclusivo para combater a doença. O último repasse ocorreu no fim de abril (R$ 317 mil) e, a partir de agora, o tratamento de paciente Covid está incluído nos custos gerais do HSSM.

“Esse recurso da Covid supriu em 100% os custos que a doença exigiu nesses dois anos. Isso é verdadeiro e supriu as carências naquele momento. Mas temos uma herança: a inflação, os custos e a dificuldade de estruturação de serviço. Hoje o déficit do hospital é maior porque os custos permaneceram acima do que era antes da Covid”, destacou o administrador do HSSM, Luís Fernando Siqueira.

Embora a manifestação dele confirme o que já vem sendo ventilado há mais tempo e os hospitais, de forma geral, tenham se organizado para trabalhar sem recursos Covid, ou seja, como era antes da pandemia, existe um ‘calcanhar de Aquiles’. Segundo Siqueira, diversos itens que sofreram uma disparada de preços entre 2020 e 2021 continuam com valores muito acima da própria inflação, e isso já contribui para o déficit mensal saltar para mais de R$ 700 mil.

“Antes da pandemia tínhamos cerca de R$ 500 mil de déficit. Mas os custos tiveram um aumento gigante, não só em medicamentos. Antes, um litro de soro custava R$ 4, hoje custa R$ 20. Uma caixa de luvas se pagava R$ 15, chegou a R$ 100 e, agora, gira em torno de R$ 60. Está tudo muito mais caro. Se somar a inflação de 2020, 2021 e 2022, ainda fica acima.”

Administrador do HSSM, Luís Fernando Siqueira, detalhou sobre os recursos Covid durante o primeiro Conversa com a Comunidade, na quinta, 17 (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Mais equipamentos

O administrador destacou que, mesmo os internados por Covid na UTI, por exemplo, estejam ocupando a estrutura de outros pacientes, são casos que podem precisar de mais equipamentos. “Na Covid, se tratam os sintomas. Então, tem muito paciente que, dependendo do sintoma, precisa de 7 a 8 bombas de infusão [equipamento destinado à administração de fluidos, como medicamentos e nutrientes, que são entregues de forma controlada no corpo do paciente], enquanto outro precisaria de apenas duas.”

Siqueira relatou ainda que a maioria das atuais internações pela doença é de pessoas mais velhas, que chegam com problemas de saturação e que não têm o esquema vacinal completo. “As internações requerem os mesmos cuidados, consomem as mesmas quantidades de sedativos, oxigênio, respiradores e leitos de UTI. Estamos tentando conhecer como será nossa oferta de estrutura sem ter um recurso apropriado ou definitivo para isso.”

Alternativas

Não é de agora que o hospital fala em implementar medidas para diminuir o déficit. Embora o valor não seja exato todo mês, já que receitas e despesas também variam – entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões, respectivamente – hoje gira entre R$ 700 mil até R$ 800 mil.

Além da renegociação de financiamentos bancários (o último feito em março com a Caixa Federal), o HSSM projeta a criação de novos serviços, como implementação da ressonância magnética (já em obras) e há conversas para oferecer espaços para clínicas médicas.

No entanto, segundo o administrador, Luís Fernando Siqueira, haverá análise de todos os setores e podem ser revistos contratos com fornecedores, serviços terceirizados e até mesmo a folha de pagamento. “Com o tamanho do déficit, não será uma única solução, mas um conjunto, tendo um planejamento estratégico que atende parte desse problema.”

Para Siqueira, um exemplo prático e que foi fundamental para o hospital, contribuindo para um 2020 mais equilibrado, foram os quase R$ 3,5 milhões de emendas parlamentares, buscados de porta em porta nos gabinetes de Brasília, em 2019. Com na época havia um plano de recuperação em ação, o valor entrou de forma específica para o pagamento de contas. “Temos que fazer isso novamente, mas definir quem vai fazer”, disse Siqueira.

Lembrando que essa primeira maratona de ‘corpo a corpo’ com deputados e senadores aconteceu no fim de novembro de 2019. Na época, viajaram a Brasília o então prefeito Giovane Wickert, o presidente do HSSM na época, Luciano Spies, e o então secretário de Saúde, Ramon Schwengber. O objetivo foi sensibilizar políticos a destinar parte de suas emendas para ajudar o hospital, o qual passava por uma crise financeira.

“Esse déficit não é exclusivo do hospital de Venâncio Aires. Ele atinge a maioria das instituições no Rio Grande do Sul, tanto que já há um forte movimento no Brasil para discutir a crise desencadeada pelos custos que a pandemia deixou.”

LUÍS FERNANDO SIQUEIRA – Administrador HSSM

Bate-papo

O próximo Conversa com a Comunidade está previsto para o dia 21 de junho. Até lá, será divulgada a forma para as pessoas participarem e o tema do encontro. “É uma forma de divulgação para todos os usuários, para que tirem dúvidas e conheçam a realidade do hospital, além de vermos o que podemos melhorar”, mencionou o administrador.

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