Com familiares em Mato Leitão, Bianca Kroth segue as orientações do governo francês (Foto: Arquivo pessoal)

A estudante Bianca Kroth, 23 anos, reside atualmente na França, um dos países da Europa atingidos pela pandemia do coronavírus (Covid-19). Natural de Mato Leitão, a jovem segue uma rotina de isolamento que começou em 17 de março e com as fronteiras fechadas por, no mínimo, 30 dias.

Bianca relata que na França já são mais de 74 mil casos confirmados e mais de 8, 9 mortes. “O vírus está presente no território nacional, com várias zonas de reagrupamento de casos (clusters). Atualmente, estamos no estágio 3 do plano de ação do governo, que visa prevenir e limitar a circulação do vírus”, conta. A jovem vive na França desde agosto de 2018, quando foi selecionada para participar do programa Brafitec, programa de dupla diplomação que é custeado pela Capes e tem duração de dois anos.

“Estou em confinamento num apartamento de 20 metros quadrados e não tenho contato com ninguém, a não ser meu namorado, Henrique. Só podemos sair de casa com autorização e para atividades necessárias, como compras no supermercado ou farmácia” compartilha. Bianca diz que as caminhadas são restritas a uma hora diária num raio de um quilômetro do local de domicílio.

O confinamento, explica Bianca, continuará até a quarta-feira, 15, com possibilidade de ser prorrogado. “É uma medida bem drástica, mas tem mostrado resultados positivos em vários países. Acho que a questão ‘isolamento x economia’ deve ser discutida, cabendo aos chefes de estado elaborar planos estratégicos para passar por esta crise da melhor forma possível e com o menor número de mortes”, comenta.

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“Ligo praticamente todos os dias pra minha família, aproveitando que agora temos tempo livre e que se encaixe na nossa rotina, mesmo com um fuso de 5 horas de diferença. Me preocupo muito com meus familiares e amigos brasileiros.”

BIANCA KROTH – Estudante


INTERCÂMBIO

Em 2014, Bianca começou a cursar Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na França, a jovem segue com os estudos na Ecole Nationale Supérieure des Mines d’Alès, cidade de Alès. “O sistema aqui é um pouco diferente do que existe no Brasil. Os períodos letivos são compostos por períodos de aulas teóricas presenciais, missões, projetos práticos e estágios, todos estes, porém, diferentemente do Brasil, são realizados em turnos integrais”, observa.

O trabalho de conclusão de curso também funciona de forma diferente. “Aqui os estudantes fazem um projeto dentro de uma empresa. No meu caso farei este estágio final (6 meses) em Vélizy-Villacoublay. Começaria em abril, mas devido à atual situação, a data foi adiada para maio”, menciona.

EUROPA

“A Europa tem maior proximidade com a China, em comparação ao Brasil, e recebe uma maior quantidade de turistas. Isso fez com que o vírus chegasse aqui mais cedo e tivesse mais facilidade para se espalhar. Infelizmente, demorou-se a perceber a gravidade da situação”, comenta.

RUAS

Bianca reforça que a movimentação de pessoas nas ruas da cidade (40 mil habitantes) é reduzida. “Acredito que a maioria da população está de acordo com as medidas tomadas pelo governo e segue as suas orientações. O governo prometeu dar suporte aos trabalhadores que tiveram que parar suas atividades”, avalia. A estudante cita que sua região é uma das com menor número de casos, apesar de já ter ocorrido ao menos um óbito pelo Covid-19.

ROTINA

“Estou tentando manter o corpo e a mente saudáveis. Eu e meu namorado criamos uma rotina onde definimos horários de estudo, exercícios físicos e lazer. Já acabei alguns cursos online e comecei outros, revisei parte do conteúdo que aprendi aqui e que utilizarei no meu trabalho de conclusão e estágio e estou lendo um livro”, compartilha Bianca.

Outra mudança na rotina é com relação as compras de mercado. “Damos preferência ao mercado do tipo drive, onde realizamos as compras online e apenas pegamos os produtos. Lavamos todas as embalagens ao chegar em casa”, completou.

BRASIL

“Os principais comentários são referentes à desorganização e negligência quanto à gravidade da pandemia. Muitas decisões ainda são tomadas sem base científica e também é grande o número de notícias falsas que circulam pelas redes sociais e aplicativos de comunicação”, ressalta Bianca ao comentar as notícias que circulam na França sobre a pandemia no Brasil.

SAIBA MAIS 

O Programa Capes-Brafitec promove o intercâmbio de estudantes em todas as especialidades da engenharia. Estudantes brasileiros podem cursar até um ano de sua graduação na França e estudantes franceses podem estudar no Brasil pelo mesmo período.

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