Josefina e Alceu Heissler acompanham as missas semanalmente (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Na área dos fundos da casa onde moram, na rua Leopoldo Aloisius Hinterholz, Josefina Heissler, 72 anos, e Alceu Antônio Heissler, 73 anos, acompanham todos os sábados a transmissão da missa, em áudio, pela torre da Igreja Matriz Santa Inês. Católicos desde criança, os dois iam à missa com frequência – pelo menos uma vez por mês se deslocavam até a igreja para acompanhar a celebração. Contudo, com o início da pandemia os dois foram à igreja uma vez, para receber a comunhão. Depois disso, passaram a acompanhar de casa a transmissão da celebração por meio da torre da igreja.

Segundo Josefina, por volta das 17h30min, ela e o marido iniciam a organização do espaço onde irão se instalar para ouvir a transmissão. No início, os dois usavam a área da frente da residência. No entanto, por causa da interferência causada pelo barulho de veículos que passam na rua, optaram por acompanhar a missa na área localizada nos fundos.

“Mesmo a missa não indo até o fim, é uma coisa muito boa a transmissão pela torre. Nós fazemos igual como se estivéssemos na igreja, cantamos e rezamos alto”, compartilha Josefina. A aposentada destaca que consegue ouvir muito bem a transmissão da missa, como se estivesse na igreja. “Não perdi nenhum sábado ainda. Está sendo muito importante para esses dias. É algo bom que inventaram, um jeito para podermos participar”, comenta.

Além de acompanhar a transmissão da missa realizada na Igreja Matriz Santa Inês pela torre, o casal também gosta de assistir as celebrações pela televisão e no cantinho da oração, criado na sala da casa, desde que a pandemia começou, rezam todas as noites uma dezena do terço pedindo saúde. Alceu também faz orações pela manhã. “A única coisa para nos ajudar é a oração”, ressalta Josefina.

Além de acompanhar a transmissão da missa pela torre, o casal Alceu e Josefina Heissler mantém, na sala da casa, um ‘cantinho de oração’ (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

História da torre

A partir da torre da igreja, localizada no Centro, paroquianos
podem acompanhar entre 25 e 30 minutos da missa realizada aos sábados, sem sair de casa (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

A torre da Igreja Matriz Santa Inês existe há muitos anos. Segundo a presidente da diretoria da Comunidade e da Paróquia Santa Inês, Eunice Heuser, o padre Miguel Odi a chamava de ‘a torre que fala’. Nesta época, a torre era utilizada, no sábado, para a divulgação de avisos. “Às 11h30min tocava o sino e logo depois começava um programa com as informações daquele fim de semana. Ela também era usada para outros avisos de utilidade pública na década de 80, como para convidar a torcida para participar de jogos de futebol importantes do Fluminense”, recorda.

Eunice lembra que a torre também tinha uma função muito importante durante as procissões de Corpus Christi, quando as falas eram todas transmitidas por ela e ecoavam pela comunidade. “Depois, a torre começou a apresentar falhas e caiu em desuso. Era basicamente reativada pelo grupo que coordena a Pastoral da Família no mês de agosto, quando é realizada uma programação especial. Estava quase que inativa e já apresentava falhas”, explica.

Com a chegada da pandemia, a comunidade decidiu consertar a torre para poder usá-la na transmissão de parte da missa. A ideia era ativá-la durante a semana da Páscoa, mas por causa de problemas técnicos isso não foi possível. Contudo, nas semanas seguintes já foi possível utilizá-la.

Para o regente do Coral Santa Inês e integrante da equipe de animação da missa, João Inácio Kroth, que sugeriu o conserto da torre e levou os equipamentos para a manutenção, a torre também pode ser usada para outros fins, como para a divulgação de nomes de pessoas que faleceram, logo depois que o sino fúnebre tocar.

Ele também acredita, que assim como acontecia no passado, a torre pode voltar a ser utilizada na divulgação de avisos de utilidade pública da igreja e da comunidade. “Ela consegue atingir muitas pessoas e, agora, depois de ter sido arrumada, está com ainda mais potência. Acho que seria interessante realizar uma manutenção periódica nela para seguirmos usando em outras atividades”, opina.

O que é transmitido pela torre

Quem está em casa, pode acompanhar entre 25 e 30 minutos da missa. Após tocar o sino, tem início a celebração com um canto. Os paroquianos podem acompanhar, além da parte inicial da celebração, o momento do perdão, da glória, a liturgia da Palavra, a mensagem de reflexão proferida pelo padre e as preces. A transmissão encerra com uma música e a bênção. Sempre são usadas canções durante a celebração. Depois da bênção para quem acompanha pela torre, tem segmento a missa para quem está na igreja.

Veja vídeos da transmissão pela torre: 

 

“Tempo totalmente diferente”

Padre Carlos Mueller fala sobre as adaptações que a igreja precisou fazer em tempos de pandemia da Covid-19 (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

O pároco local, Carlos Mueller, observa que com este tempo novo que estamos vivendo é preciso se adaptar. “É um tempo totalmente diferente do qual estávamos acostumados a viver”, observa. O padre também destaca que muitas atividades planejadas para ocorrer neste ano não puderam ser desenvolvidas e que as celebrações nas comunidades do interior, por enquanto, seguem suspensas.

“Aqui no Centro encontramos esse caminho de fazer a celebração com um número reduzido e a transmissão pela torre, que vem atingido muitas pessoas na cidade e que está sendo muito elogiada e aproveitada pelas pessoas”, avalia. O pároco também comenta que nas comunidades do interior as pessoas têm cultivado o hábito de assistir as missas pela televisão e de rezar diariamente em casa, o que ele aponta como sugestões para quem não pode ir até a igreja, em razão da pandemia.

“É preciso alimentar o espírito para criar perspectiva e esperança, para que a pessoa não desanime”, comenta. Segundo o padre Carlos, a transmissão pela torre da igreja está estabelecendo uma conexão de forma fácil e pelos comentários dos moradores é possível perceber que ela tem uma abrangência muito grande na cidade e que está funcionando bem.

“O importante é que cada Paróquia, cada comunidade, encontre o seu caminho de cultivar a fé”, observa. O pároco ainda destaca que o fato de Mato Leitão ser uma cidade silenciosa colabora para que as pessoas possam ouvir a transmissão. Atualmente, o público para participar de cada celebração presencialmente é limitado e varia entre 20 e 40 pessoas. Além disso, é necessário fazer inscrição prévia. “Temos uma angústia muito grande em relação à realização de sacramentos, como o batismo, a primeira comunhão, a crisma e os casamentos”, acrescenta o padre Carlos.

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