A expansão evangélica em Venâncio

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Fugir do estereótipo e fortificar relações com a família e com Deus. Essas são as principais metas da atual realidade das igrejas evangélicas em Venâncio Aires. De acordo com Conselho Municipal de Ministros e Pastores Evangélicos (Compev), são cerca de 50 igrejas pentecostais e neopentecostais em todo o município, contudo, não existem números exatos pela dificuldade em regularização e organização de todas. Além disso, segundo o conselho, os locais com maior crescimento são os bairros Coronel Brito e Vila Arlindo, além do Centro.

“A igreja em Venâncio Aires tem avançado muito, tem se estabelecido por toda a região. A cada três meses, aproximadamente, tem surgido novas denominações. Teve um ano, assim por cima, que notei dez novas igrejas novas”, observa o presidente do conselho, pastor Ben-hur dos Santos, responsável pela Igreja Pentecostal Mistérios da Fé.

O Centro do Eventos da Igreja Batista da Paz recebe os festivais de Venâncio. (Foto: Divulgação)

O pastor Edimilson Bonifácio, da Igreja Batista da Paz, de 58 anos, nascido e criado na cidade, está há 18 anos à frente da congregação e relata as mudanças com o passar dos anos. Para ele, que vem de família religiosa, mas acabou se tornando pastor apenas com 40 anos, a relação da igreja com seus devotos foi se tornando mais próxima e menos dogmática. “Antes se criava uma redoma que limitava as pessoas. Atualmente, a mensagem é mais leve, mais perto do que todos falam no dia a dia”, comenta Bonifácio.

Já o pastor Jeferson Schultz, 39 anos, da Igreja Cristo Vive, está há oito anos em Venâncio. Ele afirma que a pandemia acelerou questões sobre o medo na sociedade, como, por exemplo, a depressão. “Aumentou a quantidade de pessoas que atendemos com esse cenário, e os pastores notaram as dificuldades e a necessidade de aproximação”, relata.

Combate à ‘religiosidade’

Schultz enfatiza o combate à religiosidade. “Tentamos conversar com todos, entender suas dificuldades e não levar para o lado proibitivo e punitivo”, diz.

Algo embasado por Bonifácio, ao citar que aprendeu, em sua infância, que caso errasse merecia uma punição. “É o padrão religioso. Depois descobri que não é nada disso, Jesus é apaixonante, não fazia diferenciação de pessoas, nunca se preocupou se alguém era perfeito”, comemora.

O termo ‘religiosidade’, de acordo com eles, se refere a ensinamentos mais rígidos, que cobram perfeição de seus membros, no qual são distribuídos discursos impossíveis de serem postos em prática. “Como líder, não preciso ser o Neymar da religião, Jesus não precisava disso”, brinca Bonifácio.

“É possível viver acreditando que os melhores dias estão por vir. É possível errar, mas não precisa ficar com aquele sentimento de culpa, Deus não cobra ou pune.”

EDIMILSON BONIFÁCIO

Pastor

Alcançar o público jovem

O pastor Edimilson Bonifácio destaca que, antigamente, o público era menor e sempre de pessoas com mais idade. Atualmente, ele brinca que boa parte do público são jovens, “uma piazada, que faz eu me sentir velho”.

“O contexto atual é mais tranquilo, mais leve. Com isso, chegamos no público jovem, afinal a espiritualidade é algo inerente no ser humano. E a religiosidade afasta esse público, a linguagem era muito distante. O sermão, na época, era fantástico, porém, não era prático, estava totalmente fora da realidade”, analisa Bonifácio.

Já Schultz afirma que trabalha para formar jovens que cuidarão de outros jovens. “Com a história deles, de superação, para ser exemplo para os demais. Com a linguagem, a paciência, o entendimento.”

Bonifácio reitera que vivemos em um época onde tudo é para ontem. De acordo com ele, entender que a reflexão precisa ser mais contemporânea, contextualizada, mais próxima do dia a dia, abre espaço para a pessoa ser ela mesma. “E fazer com que confie nesse Ser que está contigo, para compartilhar seus anseios e dúvidas.”

Enquanto isso, Schultz detalha que são realizados passeios, festivais de música, lives, campanhas de arrecadação de alimentos e outros eventos que aproximam os fiéis da comunidade. “Traz uma visão e uma alegria para eles, alcançar o coração deles mostrando o que Deus fez em nossa vida. É uma diversão sadia para os jovens e também a relação de alguém em quem confiar, em um confidente”, explica.

Bonifácio encerra dizendo que fica feliz fazendo o que gosta e ver os jovens com essa empolgação pela vida. “Alguns estão com depressão mesmo com 13, 14 e 15 anos. Unir eles com a família e dar um rumo, uma crença de um futuro melhor, é o que me motiva.”

“Antigamente, não podia se comentar sobre alguns temas com ninguém. Atualmente, sexualidade, masturbação, tudo é discutido aqui, e explicar para os jovens que podem conversar, inclusive com Deus, sobre isso.”

EDIMILSON BONIFÁCIO

Pastor

Conheça o pastor Edimilson Bonifácio:

Edimilson Bonifácio está há 18 anos à frente da Igreja Batista da Paz. (Foto: Leonardo Pereira)
  • É de família religiosa. Uma vez seu pai, atualmente com 84 anos, estava com problemas e chegou na Igreja Batista, o que mudou a vida dele. Se criou no meio, vendo e aprendendo com o seu ‘velho’ – que era seu super-herói e ídolo;
  • Porém, destaca que era mais introvertido. “O negro brasileiro tem na cabeça dele diversos medos e inseguranças.” Aos 19 anos, em 1985, chegou um pastor novo no bairro Gressler e o desafiou a liderar jovens.
  • Com 40 anos, surgiu a oportunidade para liderar a igreja;
  • Em 70 anos de história da Igreja Batista da Paz em Venâncio, ninguém ficou tanto tempo quanto ele. “Aquele espírito de quando eu tinha 18 anos, é como levo a minha igreja.”

Conheça o pastor Jeferson Schultz:

Jefferson Schultz se mudou para Venâncio há 8 anos e é um dos pastores mais jovens do município, com 39 anos. (Foto: Leonardo Pereira)
  • Entre 2006 e 2014, foi policial em Estrela. No pelotão, conheceu um colega que era cristão e frequentava a Igreja Cristo Vive em Estrela.
  • Criou uma célula – cultos caseiros – em Estrela e recebia dependentes químicos, ladrões, aqueles que haviam cometido crimes. “Estava ajudando quem eu deveria prender”, diz;
  • Um dia, o pastor chegou e falou para ele e sua esposa que havia sonhado com eles e precisava de um casal para levar para outra cidade. Na mesma época, Schulz teve uma visão da estação rodoviária de Venâncio Aires, que era a única coisa que conhecia da cidade.
  • Em 2014, se mudou para Venâncio Aires e inaugurou a Igreja Cristo Vive. A manteve por um ano em prédio no bairro Coronel Brito, até que encontrou a sede atual, onde está até hoje.

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