Aposta na criação de búfalos

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Passo do Sobrado é conhecido pela tradicional Festa do Búfalo. A última edição da festa foi realizada em 2016. Segundo o secretário de Educação, Cultura e Desporto do município, Fluvio Luis Kroth, a intenção da atual administração é realizar o evento novamente em 2023.

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, o município possui cerca de quinze criadores de bubalinos, dentre eles Valdir Inácio Ferreira e Maria Simone Ferreira, ambos com 40 anos, moradores da localidade de Campo do Sobrado. O gosto pela criação se deu devido aos ‘briques’ que Ferreira fazia, com compra e venda de búfalos. De acordo ele, certo dia um produtor quis se desfazer da criação que tinha e Ferreira decidiu comprar. A criação da família é para abate e comércio para outros produtores.

Nos 50 hectares de terra, atualmente são criados 12 búfalos. Na época da seca, os produtores acabaram se desfazendo de alguns bubalinos. A família começou a criação aos poucos, principalmente porque os animais precisam ter espaço, mata e açude com água. De acordo com Ferreira, a rentabilidade da criação do animal é boa, visto que o búfalo não precisa de cuidados especiais, é criado solto no campo, se reproduz todo ano e desmama por conta. Os animais se alimentam de campo nativo e, quando está muito seco, comem silagem.

Em Campo do Sobrado, família Ferreira cria búfalos para abate e comercialização (Crédito: Roni Müller)

Ferreira afirma que aprendeu sozinho sobre a criação de búfalos e assegura que o animal pode pesar até uma tonelada. Já para a búfala ‘pegar cria’ precisa ter em torno de quatro anos de idade.

Até que o búfalo vá para o abate, pode demorar em torno de um ano e meio a dois, com aproximadamente 170 a 180 quilos, porém pode-se acelerar o processo de engorda do animal. “Quanto mais novo o animal, melhor a carne”, garante Ferreira. A carne de búfalo é comercializada por, aproximadamente, R$ 21 o quilo.
Segundo o criador, a carne de búfalo é muito procurada, visto que é mais benéfica para a saúde do que a carne de gado, por exemplo.

Tradição da criação de búfalos passada de pai para filho

O gosto que Bruno Juliano Ferreira, 11 anos, tem pelos bubalinos certamente foi herdado dos pais. O pequeno é filho de Valdir e Maria Ferreira e foi ele quem domou a Cigana, a búfala de estimação da família.

Os pais relatam que tiraram a búfala da manada bem cedo e colocaram para mamar em uma vaca. O Ferreira conta que Bruno pesquisava na internet como se adestrava um búfalo, até que, depois de muita paciência, o menino conseguiu ensinar o animal a deitar e levantar. “A gente pode fazer qualquer bicho ficar como quiser, desde que tenha paciência e carinho para ensinar”, afirma o pai.

Certo dia, Bruno até montou na Cigana. Porém, ela se assustou e corcoveou, desde então, o guri não sobe mais na búfala, mas o carinho e cuidado permanecem os mesmos. Hoje, Cigana tem um ano e dois meses, e conhece a família pelo cheiro.

Bruno, 11 anos, foi o responsável por ‘domesticar’ a búfala Cigana (Crédito: Arquivo Pessoal)

 

Agroindústria familiar planeja produtos à base de búfalo

A agroindústria familiar é uma das formas de divulgar o nome do município em diversos cantos do estado, mas também de ‘treinar’ o paladar da população para gostar de comer derivados de búfalo, visto o seu potencial nutritivo. Por isso, a Vanessa Cristiane Ferreira Rutstaz, 30 anos, e o esposo William Jochims Rutsatz, 28 anos, querem buscar, através da Agroindústria de Embutidos Ferreira, a produção de salame e linguiça de búfalo.

“A agroindústria familiar tem muito disso. A gente compra o búfalo do meu irmão, Valdir, manda para o abate e depois faz produtos para o consumo da população”, explica Vanessa. Atualmente ainda não são produzidos embutidos à base de búfalo, pois precisam passar por uma série de testes e análises que se tornam muito onerosos. De acordo com Vanessa, o município auxilia nessa ‘legalização’ do produto, mas devido à pandemia o processo se tornou um pouco mais difícil.

“A nossa ideia é ter os produtos à base de búfalo já na próxima festa que for realizada pelo município, pois nas feiras que participamos os clientes pedem por produtos diferentes, por isso queremos incentivar o consumo de carne de búfalo”, afirma Vanessa.

Além da agroindústria de embutidos,Vanessa e William Rutstaz também têm um açougue na localidade de Campo do Sobrado (Crédito: Roni Müller)

Carne de búfalo x carne bovina

Conforme a nutricionista Daniele Reis, a principal diferença entre a carne de búfalo e outras carnes é o benefício à saúde. A carne de búfalo é menos gordurosa, tornando-se mais saudável para todas as idades, desde crianças até idosos. Do ponto de vista nutricional, a carne de búfalo é saborosa, tem menos colesterol, é rica em ômega 3 e tem boa taxa de ferro.
Comparando com a carne bovina:
• 40% menos colesterol
• 12 vezes menos gordura
• 55% menos calorias
• 11% a mais de proteínas
• 10% a mais de minerais

Nutricionista Daniele Reis destaca a importância dos derivados de búfalo na dieta para todas as idades, desde crianças a idosos, devido ao seu amplo benefício à saúde (Crédito: Arquivo Pessoal)

 

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