Sintomas ajudam a identificar se o animal está ou não contaminado. (Foto: Pixabay)

Os diagnósticos de cães com leptospirose canina aumentaram de 2018 para 2019. De acordo com o médico veterinário Lucas Lorenzom, que faz o alerta, o crescimento no número de casos está relacionado à incidência de chuvas e alagamentos. “Os lugares com menos higiene ou menos favorecidos economicamente geralmente são os mais acometidos”, ressalta. No entanto, diferente de anos anteriores, quando o índice era maior em cães do interior, esse cenário mudou e há também pets da área urbana.

A leptospirose canina é contagiosa, causada por uma bactéria que ataca órgãos importantes e pode levar a graves consequências. Lorenzom explica que os cães geralmente são contaminados pela urina dos ratos. “Isso se dá pelo fato de a bactéria estar presente na urina de alguns ratos contaminados e, por isso, pode estar presente em águas de enchentes”, justifica. Os principais transmissores são as ratazanas, ratos de esgoto, ratos de telhado ou camundongo. “Eles não desenvolvem a doença, mas armazenam a bactéria nos rins, liberando no meio ambiente”, diz. Estão inclusos neste grupo de transmissores, além dos ratos, os gambás, cães e guaxinins.

CONTAMINAÇÃO E SINTOMAS

A contaminação dos cachorros ocorre geralmente no contato com fluídos de cães ou outros animais contaminados através de urina, vômito ou pelo contato com ambientes e outros objetos. O médico veterinário salienta que os sintomas podem variar. Em algumas situações, o animal não vai ficar visivelmente doente e, em outras, pode ter quadros agudos que levam à morte.

“Temos que cuidar, principalmente, febre, vômito, diarreia, desidratação, letargia, perda de apetite, perda de peso, tremores, dor ou rigidez muscular, icterícia, sangramento em urina, fezes, vômito ou saliva”, lista. Ainda de acordo com Lorenzom, é preciso observar também dificuldades para respirar, tosse, secreção ocular ou nasal e edema.

“A bactéria penetra no cão pela pele ou pela ingestão oral, por isso, devemos cuidar sempre onde os cães bebem água.”

LUCAS LORENZOM
Médico veterinário

SINTOMAS

• Mesmo que seja perigosa, a leptospirose canina pode ser prevenida com a vacinação, que deve ser reforçada periodicamente, conforme o grau de exposição do animal à doença.

• Adote medidas de higiene, como a remoção periódica dos lixos e limpezas regulares de terrenos e telhados. Isso ajuda a manter os roedores longe.

• Principalmente em época com muitas chuvas, o cuidado deve ser redobrado. A água de enchente, que lava ruas e bueiros, costuma estar cheia de leptospiras, que podem infectar o animal.

• Por isso, é importante deixar o cãozinho protegido durante as tempestades e tomar cuidado durante os passeios.

• Levar o seu amigo de quatro patas para visitas regulares ao veterinário pode ajudar na prevenção desta doenças e outras.

TRATAMENTO 

1 O médico veterinário Lucas Lorenzom explica que a doença precisa ser administrada com potentes antibióticos que inibem e eliminam a bactéria. “Devemos também usar medicamentos de suporte específicos para os órgãos acometidos”, salienta.

2 Por vezes, o profissional também irá indicar uma dieta específica e especial com suplementos, “levando em consideração que o quadro gastro intestinal pode estar acometido”.

3 Nem sempre é necessário que o cão seja internado de forma integral, mas parcial em clínicas com estruturas especiais e isolados para que outros cachorros não sejam acometidos. “O acompanhamento profissional durante todos os estágios é essencial”, destaca.

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