No Dia D de protesto dos hospitais gaúchos por recursos, em torno de 9 mil procedimentos e consultas, segundo a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do RS, foram suspensos ou remarcados. Em Venâncio Aires, o Hospital São Sebastião Mártir não realizou os procedimentos eletivos, mas o restante dos atendimentos foram feitos. A partir de quinta-feira, o mesmo volta a trabalhar normalmente.

Foto: Thamy Spencer ADI / Folha do MateFaixa colocada na entrada de hospital na capital explica o dia de protesto
Faixa colocada na entrada de hospital na capital explica o dia de protesto

De acordo com o administrador do hospital, Gilberto Gobbi, o problema está no pagamento do Incentivo de Cofinanciamento da Assistência Hospitalar (IHOSP) que ficou pendente, o qual representa cerca de R$113 mil por mês. Gobbi ressalta que o dia foi tranquilo e os pacientes não foram prejudicados, pois nenhuma consulta foi marcada para hoje, quarta-feira, a fim de que ninguém comparecesse ao hospital e não recebesse atendimento. “Estamos torcendo muito para que o governo entenda a situação dos hospitais e comece a pagar esse atrasado que para nós é de extrema importância”, salienta.

Além disso, o administrador explica que, se até o final do mês não houver um retorno positivo por parte do Governo do Estado, os funcionários se reunirão e poderá ocorrer uma manifestação maior.

ESTADOEm todo o Estado, mais de 200 hospitais mantiveram atendimento parcial às populações ou realizaram algum tipo de manifestação. Na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde 53% dos pacientes têm procedência do interior, houve suspensão de atendimentos eletivos das 10 às 11 horas. Dirigentes do complexo hospitalar promoveram uma reunião pública, no auditório, para anúncio de futuros cortes em serviços: a Santa Casa vai reduzir em 17,3% o número de leitos oferecidos (serão 118 a menos) e deixará de fazer 4,3 mil internações ao ano, principalmente nas áreas clínica, pediátrica e cirúrgica, reduzirá leitos de UTI e 50,8 mil consultas ambulatoriais.

CRISE EMNúMEROSConforme a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, os 245 estabelecimentos sem fins lucrativos no Estado deixaram de receber do governo do Estado mais de R$ 207 milhões em cofinanciamento estadual do SUS. Isso equivale a duas parcelas de dívidas de 2014, de R$ 132 milhões, e três meses de cortes de recursos de 2015, no valor de R$ 75 milhões.Os hospitais filantrópicos são responsáveis por 75% dos atendimentos pelo SUS no Estado e empregam 65 mil trabalhadores.Os filantrópicos arcam, segundo a entidade do setor, com prejuízo de R$ 400 milhões ao ano, que era então amenizado pelo chamado cofinanciamento estadual, uma complementação àquilo que o SUS não cobre em valores pelos atendimentos. Esse auxílio não será mais pago porque o Estado alega também estar no vermelho.

Estamos torcendo muito para que o governo entenda a situação dos hospitais e comece a pagar esse atrasado que pra nós é de extrema importância