Foto: Letícia Wacholz / Folha do MateSavio Pereira afirma que o próprio tabaco é a cultura que garante a diversificação
Savio Pereira afirma que o próprio tabaco é a cultura que garante a diversificação

 

Dos 15 delegados que formam a delegação brasileira durante a 7ª Conferência das Partes para o Controle do Tabaco, na índia, um deles representa a voz do fumicultor durante o evento que tem como objetivo acabar com o consumo de tabaco no mundo. Savio Pereira, Secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, garantiu que o produtor de tabaco será sempre apoiado pelo governo brasileiro, como deixou claro e registrado quando ratificou a Convenção-Quadro, em 2005.

No entanto, o mesmo governo que se coloca no compromisso de garantir alternativas economicamente viáveis à produção, arrasta discursos e na prática, não consegue financiar a diversificação. Segundo Pereira, além das dificuldades financeiras do país, a diversificação das propriedades esbarra na própria valorização da cultura que é rentável e possui um sistema integrado e organizado para oferecer ao produtor, desde a segurança, recolhimento de embalagens, até programas e ações sociais. “Esta é uma das produções mais autossustentáveis do ponto de vista econômico e social. é só visitar uma região produtora que você vai ver isso que reflete até mesmo no IDH [índice de Desenvolvimento Humano] dos municípios”, observa o secretário-substituto.Na Conferência das Partes, o artigo 17, que trata de alternativas economicamente viáveis volta a ser debatido, desta vez, até com um projeto do governo indiano que foi apresentado e tem por objetivo fortalecer os trabalhos nessa área. Para Savio, o item é importante, deve ser discutido, mas desabafa ao afirmar que “na prática essas alternativas na verdade não existem” e são “um pouco fantasiosas.”Ele observa que atualmente o tabaco é muito competitivo e caberá ao mercado oferecer essa alternativa com ajustes de preços, caso contrário, o caminho da diversificação ficará ainda mais distante.

“Tabaco dá renda para diversificar”Sobre o processo de alternativas viáveis, Savio disse que os produtores que diversificam conseguem plantar outras culturas, justamente, devido à cultura do tabaco. “Dá renda suficiente para eles poderem diversificar.”Se por um lado o governo brasileiro não consegue auxiliar com linhas de créditos, por outro, as próprias entidades que os representam asseguram voz e conhecimento técnico para auxiliá-lo. Um exemplo é o sistema mutualista da Afubra que, desde 1957 socorre, com um auxílio os associados que tiveram danos nos seus fumais causados por tempestades de granizo.