Foto: Sandra Ristow / Arquivo pessoalNicky não sobreviveu à doença e tutores apelam para limpeza de terrenos como forma de evitar proliferação de ratos e novos casos
Nicky não sobreviveu à doença e tutores apelam para limpeza de terrenos como forma de evitar proliferação de ratos e novos casos

Doença infectocontagiosa que acomete tanto os animais quanto o homem, a leptospirose é uma das zoonoses mais frequentes e se concentra sobretudo nos meses chuvosos, em regiões alagadas e/ou deficientes em saneamento básico. “Em Venâncio Aires e região atendemos vários casos de leptospirose neste ano”, alerta o médico veterinário Luciano Frozza.

Moradores do Loteamento Parque do Chimarrão, Crisnei Haas e Sandra Ristow perderam o cachorro Nicky para a doença. Com pouco mais de cinco meses, o pinscher veio a óbito na semana passada e causou tristeza na residência. O casal conta que o animal estava com a vacinação em dia e foi levado ao médico veterinário no dia posterior à constatação de sintomas, mas mesmo com o início do tratamento, ele não resistiu e faleceu durante a internação em uma clínica veterinária.

Crisnei e Sandra possuem um filho de dois anos e três meses e um outro cão com seis anos, o linguicinha Tedy, e apelam para que os moradores da região façam a sua parte e limpem os terrenos tomados pelo mato localizados nas imediações, uma vez que o ambiente se torna propício para a proliferação de ratos, principais transmissores da leptospirose. A família também pede que a Prefeitura providencie o serviço onde os donos não têm arcado com a responsabilidade.

O veterinário Luciano Frozza atenta que a doença pode se apresentar de forma latente, com a presença do agente causador de modo inativo por algum tempo; ou aguda, quando o processo patológico tem início súbito, desenvolvimento rápido e duração curta. “Os sinais clínicos referem-se ao dano hepático, renal ou vascular. Em geral, os primeiros sintomas são vômito, falta de apetite e febre.” Mais tarde, acrescenta, ocorre gastroenterite hemorrágica, dores musculares, poliúria (eliminação de grande volume de urina num dado período) e polidipsia (sede excessiva), úlceras na boca e icterícia (amarelão).

Atendimento deve ser buscado com urgência

Quando o tutor suspeitar da doença, Frozza destaca que este deve procurar com urgência um médico veterinário para a realização de exames laboratoriais de avaliação das funções hepática e renal, bem como de exame sorológico para confirmação ou não da doença.

O médico veterinário explica que os cães infectados podem apresentar leptospiras na urina e se tornarem vetores da doença se não tratados de forma correta. “A infecção ocorre por penetração das bactérias na pele ou mucosas após a exposição à urina contaminada. Essa doença é uma zoonose de comunicação compulsória, afeta os animais e o homem.”

Frozza cita que na maioria dos casos de que teve conhecimento, os animais não tinham a vacinação em dia. Por isso, chama a atenção para que os tutores se conscientizem da importância de manter a vacinação em dia, uma vez que ela é a melhor forma de prevenção da leptospirose e outras doenças. “A prevenção se faz pela aplicação de vacinas produzidas a partir de amostras de vários sorotipos de leptospiras. A vacinação deve ser anual e naqueles animais que vivem em áreas de risco (locais alagados, com ratos, ou com casos de leptospirose) deve ser semestral.”

De acordo com Frozza, a leptospirose é uma enfermidade com bom índice de cura se for diagnosticada e tratada de forma precoce. “Os tratamentos da fase inicial de leptospiremia e para evitar o estado de portador devem ser receitados por médico veterinário”, ressalta.