Foto: Edemar Etges / Folha do MateJosé Arlindo e ângela somente querem o direito de trabalhar
José Arlindo e ângela somente querem o direito de trabalhar

Projeto de autoria do Executivo que está tramitando na Câmara gera discussões na comunidade. A iniciativa prevê a cedência de um novo local para a Associação das Catadoras e Catadores de Material Reciclado (Amapasso) se instalar. Além disso, já gerou diversas discussões, análises e foi tema de debate na Câmara.

Por meio deste projeto, o Executivo quer disponibilizar um prédio da Administração Municipal, uma incubadora empresarial, localizada no bairro Harmonia, para que os catadores e coletores de resíduos que integram a associação possam ter seu local de trabalho garantido. A mudança de local se deve ao fato de que a atual estrutura está precária e o espaço foi cedido provisoriamente.

“Somente queremos um lugar para trabalhar e, por isso, tanto faz o local. Não podemos mais continuar onde estamos instalados”, frisam os associados José Arlindo Quadros da Silva e ângela Teresinha dos Santos. Silva acrescenta que o Ministério do Público de Santa Cruz do Sul determinou que a Amapasso encerre as atividades no prédio atual, localizado às margens da ERS-405. Entre os motivos alegados está o mau cheiro provocado pelos materiais reciclados e o prédio impróprio, pois é todo de madeira e o MP exige que seja de alvenaria. “Os que acusam que o nosso material provoca mau cheiro, nunca nos visitaram para conhecer o nosso trabalho. Trabalhamos com material reciclado e não lixo como muitos definem”, completam os trabalhadores.

“O material reciclável é o nosso ganha pão diário”, José Arlindo Quadros da Silva, catador de material reciclável.

Mais associados

Atualmente, a Amapasso conta com cinco associados e, segundo José Silva, há várias pessoas interessadas em se integrar à entidade, o que no momento não é possível porque a associação precisa mudar de lugar. A partir do momento em que estiver localizada em novo prédio, vai abrir espaço para, no mínimo, mais 15 catadores. “Gostamos do nosso trabalho. Ficamos tristes quando as pessoas que falam mal de nós sem conhecerem de perto o nosso trabalho”, desabafa ângela.

Ela acrescenta que no novo prédio, a associação vai poder ampliar o trabalho e até gerar vagas de emprego. No dia 10 de janeiro, a Amapasso completou um ano de fundação e, desde então, desenvolve seu trabalho no prédio atual.

A Amapasso

• A Amapasso recebe e coleta materiais que podem ser reciclados, sendo que os principais são: papel; papelão; plásticos; embalagens; potes; latinhas de alumínio; jornais; vidros, metais e garrafas pets, entre outros. A coleta seletiva é precedida de triagem dos produtos e comercialização dos mesmos.

Moradores do Harmonia contrários à instalação

Foto: Claudio Froemming / Folha do MateCatadores da Amapasso e moradores do bairro Harmonia estiveram na sessão da Câmara para pressionar por motivos distintos
Catadores da Amapasso e moradores do bairro Harmonia estiveram na sessão da Câmara para pressionar por motivos distintos

A mudança para o bairro Harmonia não é bem aceita pelos moradores, que se preocupam com a proximidade das residências e a possibilidade de mau cheiro e atração de animais e insetos. “Somos a favor do trabalho da Amapasso, porém em outro local, pois aqui fica colado com as residências, o que pode vir a nos trazer problemas. Pela lei deveria estar a pelo menos dois mil metros de distância”, afirmou o morador Francisco Lemes, durante a sessão da Câmara realizada no dia 30 de janeiro.

Se o impasse não for solucionado pelo Poder Público, vamos até a promotoria reivindicar nossos direitos”, Francisco Lemes, morador do bairro Harmonia.

Todos os vereadores já se manifestaram na tribuna da Casa sobre o assunto, onde ressaltaram a incontestável importância da Amapasso e o desejo de resolver o impasse. Valdenir Linch (PTB) foi um dos que defendeu a ideia de conseguir outro local para a instalação da associação, para que os catadores não se sintam constrangidos e os moradores não se sintam incomodados com os resíduos dentro do bairro.

O presidente da Câmara, Selmo Fagundes (PT), também está preocupado em resolver a situação e disse que a questão está sendo analisada com muita cautela e carinho, tendo em vista a importância do trabalho desta instituição em prol do meio ambiente e do sustento das quatro famílias que vivem deste trabalho.