Cachorro morto por picada de cobra pode ter salvo seu dono em Passo do Sobrado

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No fim da tarde de segunda-feira, 4, em Potreiro Grande, interior de Passo do Sobrado, o agricultor Eraldo Moraes havia saído de casa para trocar os bois de lugar na propriedade. Como de costume, levou seus cachorros junto. Um dos cães caminhava na frente, quando se deparou com uma cobra, a qual o picou.

No momento, Moraes pediu ajuda do seu vizinho para matar a cobra, que media 1,20 metro. Segundo pesquisas feitas pela família, se trata de uma Urutu Cruzeiro. O cachorro Jacke, picado pela cobra, foi levado para casa, onde foi medicado, mas morreu horas depois. “Esse cachorro foi um herói, pois ele provavelmente evitou que meu pai fosse a vítima, pois ambos caminhavam na mesma direção da cobra”, destacou a filha, Fabíola Linke Moraes.

Eraldo Moraes contou que outros animais haviam morrido do mesmo modo com marcas de picada de cobra. “Duas cadelas, uma novilha e agora meu cachorro, todos mortos por ataque de cobra. O pior é que dizem que esses animais vivem em casal, e portanto, outra deve morar nas proximidades”, alertou o agricultor.


“Nosso cachorro morreu como herói, pois ele deve ter evitado que meu pai pudesse ter sido a vítima da cobra.”

FABÍOLA LINKE MORAES – Filha do agricultor Eraldo Moraes


Sobre a cobra

Segundo a bióloga Daiane Haas, que atua na secretaria de Meio Ambiente de Venâncio Aires, a serpente é conhecida popularmente por Cruzeira, nome científico Bothrops alternatus. Possui desenhos na cor escura em forma de gancho de telefone pelo corpo e seu comprimento pode variar de 40 centímetros a 1,5 metro na vida adulta.

Ela explica que é uma espécie vivípara, ou seja, que dá origem a filhotes formados, não há a fase de ovo no desenvolvimento. Possui importância médica, pois é responsável por grande parte dos acidentes com maior gravidade. As serpentes do gênero Bothrops, o qual englobam, além da Cruzeira, as conhecidas Jararacas, são responsáveis por 90% dos acidentes com ofídios no país, segundo dados da Fiocruz.

São encontradas principalmente em zonas rurais e periferias de grandes cidades, e vivem no centro-oeste, sudeste e sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Podem ser diurnas ou noturnas, preferindo ambientes úmidos como matas e áreas cultivadas, além de locais onde haja facilidade para proliferação de roedores (paióis, celeiros e depósitos de lenha). A bióloga recomenda sempre uso de botas para a proteção, manter os ambientes limpos e livres de roedores, pois são atrativos para as serpentes, e procurar imediatamente socorro médico, caso ocorra um acidente.

A bióloga destaca que as cobras não atacam deliberadamente, mas somente quando se sentem ameaçadas, com exceção das suas presas, as quais precisam matar para sobreviver. Daiane também enfatiza que a lei não permite o abate ou caça de animais silvestres, mas que é algo natural e compreensível que as pessoas queiram se livrar de ameaças tão perigosas.

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