João Scherer (Didi) faleceu aos 91 anos, tendo sido motorista de transporte coletivo por 52 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Na noite do sábado, 9, aos 91 anos, faleceu o motorista aposentado João Scherer (Didi). Ele foi sepultado no domingo, 10, no cemitério municipal de Passo do Sobrado e velado no necrotério comunitário de Vale Verde, em uma cerimônia direcionada à família, por conta do coronavírus. Ele deixa enlutados três filhos, sendo Neiva, Nestor e Neusa, além de netos e uma bisneta.

“Foi triste termos que nos despedir do meu pai desta forma, pois o velório pode acontecer por apenas três horas, e sem apertos de mãos, nem abraços, e somente com alguns familiares presentes. Entendo que o protocolo atualmente exige esses cuidados, mas lamento pela pouca solidariedade, o que rompe com os bons costumes e foge dos ensinamentos passados pelos nossos pais”, destacou Nestor Scherer. O motivo da morte foi causa natural.

CIDADÃO

Scherer era uma pessoa muito bem quista por toda comunidade de Vale Verde, Passo do Sobrado e General Câmara, onde trabalhou por 52 anos como motorista de ônibus, e com todas as dificuldades de estradas precárias da época, nunca se envolveu em um acidente.
Por seu comprometimento, competência, astúcia, ousadia e cordialidade com a qual sempre tratava a todos, foi homenageado pelo município de General Câmara, bem como, pela Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul e pelo Expresso Albatroz, onde trabalhou. Didi Scherer dedicou sua vida inteira ao transporte coletivo e iniciou dirigindo um ônibus em Passo do Sobrado, na década de 50, e anos depois, em 1971, passou a trabalhar no Albatroz, onde fazia o itinerário Vila Mellos à General Câmara, bem como, a Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires.

Didi Scherer no aniversário de 90 anos com os filhos Nestor, Neiva e Neusa (Foto: Arquivo Pessoal)

INSPIRAÇÃO

O produtor rural e morador de Vale Verde, Adriano Kroth, que também trabalhou como cobrador e motorista no Albatroz, disse que Scherer lhe serviu como inspiração e modelo de profissionalismo e competência. “Ele me deu muitos conselhos e me orientou diversas vezes. Lembro que o Didi era um faz tudo na empresa, pois realizava serviços nos correios, bancos, farmácias, trazia alimentos, retirava o dinheiro para os aposentados, trazia e levava cartas e bilhetes, entre outros”, lembrou Kroth.

Disse que não havia tempo ruim, e que a calma, serenidade e tranquilidade, eram qualidades latentes no motorista João Scherer. “Ele guardou com muito orgulho, até o dia da sua morte, sua primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH), sem nenhuma multa, nem acidente de trânsito. Foi um ser humano que só ajudou a todos durante sua vida, um exemplo de vida”, concluiu Adriano Kroth.

RELEMBRANDO

  1. Em entrevista concedida à Folha do Mate, há três anos, ele contou que o trajeto até General Câmara, em torno de 55 quilômetros, levava até três horas para ser percorrido, devido à precariedade das estradas naquela época, sem falar nas diversas vezes que teve que dormir no ônibus com passageiros, quando o coletivo quebrava, ficava atolado ou não conseguia passar nas enchentes.
  2. Didi não só transportava pessoas com segurança, mas também servia de carteiro e viajante, pois trazia e levava encomendas de todos os tipos. Até mesmo recados entregava pessoalmente para quem era solicitado. Como na época não existia nem telefone, Didi ia até mesmo aos hospitais, ver como estava um parente de uma família, para dar notícias no retorno da viagem.
  3. Além de motorista desempenhava as funções de cobrador, mecânico e ainda entregava as malas aos passageiros. Na época, a residência de Didi Scherer era uma espécie de rodoviária, onde os passageiros iam para embarcar e também para trocar os calçados e roupas, que sujavam muitas vezes do trajeto de suas casas até o ônibus, principalmente em dias de chuva. Algumas tomavam até café com o motorista, pois haviam saído de madrugada de seus lares e com pouco dinheiro.

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