Destroços do avião após a colisão no cerro que faz divisa entre Vale Verde e Passo do Sobrado (Foto: Arquivo/Divulgação)
Conteúdo que integra o caderno de 23 anos de Vale Verde

No dia 14 de setembro de 1945, um avião bimotor com quatro tripulantes, piloto e copiloto bateu no cerro que faz divisa entre Vale Verde e Passo do Sobrado. Os tripulantes eram amigos do então presidente Getúlio Vargas, que estavam indo para São Borja. A queda destruiu totalmente a aeronave, ferindo alguns passageiros, mas com maior gravidade o piloto, que ficou preso às ferragens.

Segundo testemunhas da época, como os agricultores Adolfo Weber, Afonso Froemming e Ernesto Maria, todos já falecidos, por volta de 16h eles estavam cortando cana-de-açúcar, quando ouviram o ronco de um motor, que sobrevoou suas cabeças, a poucos metros de altura.

O filho de Afonso, Julio Froemming, lembra que o pai contava que, logo em seguida, os agricultores ouviram uma aceleração brusca do avião e segundos depois dois estrondos. Após, houve um silêncio total.

Quando os três agricultores chegaram ao local, perceberam os destroços do avião, bem no topo do cerro, o que indicava que a aeronave quase havia conseguido evitar o acidente, mas acabara batendo em árvores mais altas.

Os três homens iniciaram uma ação de salvamento das vítimas. Providenciaram uma carroça para conduzir os feridos até a localidade de Vila Mellos, que fica a aproximadamente cinco quilômetros do local do desastre.

A partir de lá, providenciaram um caminhão, que conduziu todos até o Hospital Santa Cruz. O motorista, na época, foi Arlindo Rieck e as estradas eram bem precárias. Logo após o estrondo e a queda, uma verdadeira multidão foi até o local para ver de perto o que tinha acontecido, inclusive pessoas de outros municípios, que ficaram sabendo do ocorrido.

Três dias depois, dois aviões da base aérea de Canoas pousaram no campo de Roberto Franke, onde uma pista foi improvisada para pouso e decolagem. Uma equipe técnica foi até o local recolher os destroços do avião e encaminhou tudo em partes de volta a Canoas. Na época, somente duas pessoas de Vila Mellos tinham câmera fotográfica, sendo Benno Schuch e Reinaldo Seibert, autor da foto usada nesta matéria.

Lembranças da família Fischborn

A família Fischborn contribuiu de várias formas com o desenvolvimento de Vila Mellos. Na foto, de 1938, aparecem Olíbio Fischborn (já falecido), sua motocicleta, que era algo raro na época, e três de suas irmãs: Sucy Isabela Victoria Fischborn Lutz, Elza Matilde Fischborn (já falecida) e Erna Irene Fischborn (já falecida).

O local da foto é nos fundos da residência de Didi Scherer, que fica no centro de Vale Verde, sendo que a casa foi construída no ano de 1932 e pertenceu a Pedro Fischborn. O patriarca da família tinha várias habilidades e atuava em uma oficina com ferraria e carpintaria, ao lado da casa.

Além disso, ele trabalhava com canos para forno de fumo, carroças, arados e até mesmo caixões eram construídos para enterros na época. Pedro era respeitado por atuar em diversas áreas, o que era importante em uma vila com pouquíssimos moradores.

Sucy nasceu no ano de 1934 e, atualmente, tem apenas uma irmã ainda viva: Alice Lídia Tietze, 92 anos. Ela lembra que, em certa época, quando não podia mais se falar o alemão, seu pai construiu uma sala para receber as pessoas, para que pudessem solicitar os trabalhos em alemão sem serem ouvidos, já que muitos não sabiam quase nada em português. Além disso, lembra que o pai era presidente do partido integralista, no tempo dos camisas verdes.

Olíbio Fischborn, em 1938, com sua motocicleta e as irmãs Sucy, Elza e Erna (Foto: Arquivo/Divulgação)

Sucy, que teve mais nove irmãos. esteve recentemente em Vale Verde, visitando a casa onde morou e de onde leva muitas lembranças. Ela conta que, quando jovem, tinha muitas habilidades e era costureira. Fazia muitos vestidos, inclusive de casamento. Sabia ‘encrespar’ cabelos, que na época era moda, e, além disso, fazia coroa de flores para os velórios, entre outros.

Já seu irmão Olíbio foi o primeiro taxista da localidade, era muito prestativo e possuía um engenho de arroz. Com uma memória invejável, lembrava de fatos acontecidos há muitos anos com precisão, mesmo depois de alcançar uma idade avançada.

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