Bianca é de Mato Leitão e vive na França desde o fim de agosto do ano passado (Foto: Arquivo pessoal)

ando ganhou a primeira medalha na Olimpíada de Matemática, em 2008, Bianca Kroth descobriu que apesar de ter facilidade em outras áreas, seu coração vibrava pelas exatas. “Foi quando combinei essa paixão com minha fascinação por grandes obras feitas pelo homem que entendi que a profissão que eu deveria seguir seria a Engenharia Civil”, relata. Aos 23 anos, completados hoje, a jovem vive na cidade de Alès, na França, o sonho de realizar um intercâmbio, desejo cultivado desde a adolescência.

Na Europa, a estudante está dando seguimento ao curso de Engenharia Civil iniciado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Vim para a França no fim de agosto de 2018, e permanecerei aqui até meados do próximo ano. Como é um programa de duplo diploma, quando eu me formar no Brasil, receberei dois diplomas: um brasileiro, da UFRGS, e o diploma francês, da Ecole Nationale Supérieure des Mines d’Alès”, explica. No exterior, além de assistir às aulas, Bianca faz estágios, missões em empresas e projetos de desenvolvimento ou pesquisa.

Filha de Elaine e de João Kroth, a irmã mais velha da Amanda cursou o ensino fundamental e médio no Colégio Estadual Poncho Verde. Antes de ir para a França, Bianca apenas tinha viajado para países da América do Sul, como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Entretanto, no período em que está na Europa, teve a oportunidade de conhecer diversos lugares, como Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Áustria, Suíça, Bélgica, Hungria, Itália, Marrocos, Vaticano e Mônaco.

INCENTIVO

Desde criança, a jovem recebeu incentivo dos pais para participar de atividades extracurriculares, como dança, patinação, teatro e esporte. “Sei que todas essas atividades desenvolveram minhas habilidades e também me tornaram mais responsável, dedicada e decidida”, observa. A estudante ainda salienta que a família sempre comemorou e apoiou cada conquista. “Eu não estaria aqui se não fossem meus pais e minha irmã. Eles me apoiaram em todos e em cada um dos meus sonhos, por menor que eles fossem. Eles comemoraram cada uma das minhas pequenas conquistas. Sou privilegiada por ter eles na minha vida e devo parte ou tudo de quem sou e onde estou hoje a eles.”

Nesse período fora do país, a jovem viveu muitas descobertas e, com a saída da zona de conforto, ela acredita ter se tornado mais forte e independente. “Essa experiência engrandece não só minha vida acadêmica e profissional, mas também minha vivência pessoal. É uma oportunidade única de crescimento e acesso ao conhecimento. Com certeza vou voltar com uma bagagem muito grande ao Brasil e espero poder aplicar tudo aquilo que eu aprender aqui. Esse será meu diferencial no mercado de trabalho no futuro”, avalia.

Bianca com os pais, Elaine e João, em Veneza, na Itália, durante a visita deles (Foto: Arquivo pessoal)

ADAPTAÇÃO

Antes de ir morar e estudar na França, Bianca se preparou por meio de pesquisas sobre a cultura e os hábitos dos franceses. Além disso, contou com a ajuda de alguns brasileiros que já tinham tido ou estavam vivendo essa experiência. “Ter a companhia e o acolhimento deles fez muita diferença. Fui com a mente e o coração abertos ao novo, ao que estivesse me esperando”, compartilha.

De tudo que já viveu fora do país, o que mais chamou atenção da estudante é a segurança. “A cidade onde estudo é pequena, tem cerca de 40 mil habitantes. Mas através da universidade já tive a oportunidade de morar em outras cidades por pequenos períodos para realizar estágio e missão e também realizei viagens a turismo. Em todos esses lugares a sensação de segurança é muito grande. Não é que não exista criminalidade, mas o índice de violência é muito pequeno, quase inexistente. Me sinto em Mato Leitão”, comenta. Sobre saudade, Bianca diz que sente falta da família, amigos e da hospitalidade e calor do povo brasileiro.

No processo de adaptação, a jovem também precisou inserir na rotina diária o uso do francês. Para se preparar para isso, ela começou a estudar o idioma em janeiro do ano passado e em meados de março fez a prova, oficial, aplicada na Aliança Francesa em Porto Alegre. O teste engloba compreensão escrita e oral, gramática e produção escrita e oral. “Passei no nível B2, ou seja, um nível acima do que era exigido. Continuei estudando até vir para a França e continuo estudando até hoje. Passar na prova em tão pouco tempo não foi nada fácil. Eu estagiava em um turno e estudava no outro, no que seriam minhas férias da faculdade. Mas me preparei muito para o estilo do teste e desde o começo acreditei que eu era capaz”, recorda.


“Essa experiência significa para mim descobrir um novo mundo, lá fora, e uma nova Bianca aqui dentro. Nesse um ano fora do Brasil, já me deparei com diversas situações atípicas, com costumes muito diferentes dos meus, com outras culturas. Isso nos faz abrir a mente em relação ao mundo e as diferentes formas de vê-lo.”

Bianca Kroth – Estudante


Para a estudante, a fase mais difícil foi a entrevista na Ecole, com o diretor da instituição francesa. “Participar de uma entrevista desse nível, para duplo diploma, por si só não é fácil. Em um idioma que comecei a descobrir em apenas quatro meses, é extremamente difícil”, observa. Depois que mudou para a França, o nível do francês da Bianca cresceu muito, pois ela precisa usá-lo tanto em tarefas cotidianas quanto em atividades formais. Além disso, a jovem ainda precisa dominar o inglês. “Esses idiomas são muito importantes na minha vida acadêmica e, com certeza, serão no meu futuro profissional. Comunicação é essencial em qualquer profissão, mas também na nossa vida. Percebi muito isso nas viagens que fiz. O quão importante é entender e conseguir se expressar em outras línguas.”

Amanda também visitou a irmã neste ano. Na foto, as duas estão na Disney de Paris (Foto: Arquivo pessoal)

SOBRE A BOLSA

  • Bianca ficou sabendo dessa bolsa através de um edital lançado na página de mobilidade acadêmica da Escola de Engenharia da UFRGS. O primeiro passo para participar foi enviar, em 2017, uma série de documentos, entre eles históricos escolares.
  • Em seguida, ela recebeu a aprovação para a entrevista e em dezembro de 2017 a estudante recebeu a confirmação de que havia conseguido uma das três bolsas disponíveis para o edital.
  • Depois, foi preciso confirmar o nível mínimo de francês e fazer uma entrevista com o diretor da universidade francesa escolhida por ela, a Ecole Nationale Supérieure des Mines d’Alès, da cidade de Alès, na França.

OUTRAS OPORTUNIDADES 

Em 2008, quando estava na 6ª série [como era chamada na época] do Ensino Fundamental, Bianca ganhou uma bolsa para participar do programa de Iniciação Científica Jr do CNPq. A oportunidade surgiu porque ela recebeu uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. No total, a jovem recebeu quatro medalhas de prata e uma menção honrosa enquanto estudante do colégio Poncho Verde.

Quando já era estudante da UFRGS, a jovem continuou participando da iniciativa, mas dessa vez como integrante do Programa de Iniciação Científica em Matemática, que dá direito à bolsa de mestrado em Matemática.

1 comentário

  1. Muuito top! OBMEP, de fato, abre caminho para várias oportunidades na vida de estudantes que moram em interior ou que são de baixa renda (que por si só teriam muita dificuldade em consegui-las)… No meu caso também foi o primeiro GRANDE incentivo que eu tive na educação e marca a vida de qualquer um que já teve a oportunidade de participar do PIC Jr… Parabéns Bianca!! Fico feliz com suas conquistas.

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome