Sem eventos, o show é virtual

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Músico e professor de música, Anderson Elias Ruwer, conhecido como Andy Ruwer, 34 anos, teve a rotina alterada por conta da pandemia. Além de ministrar aulas, ele toca no Grupo The Ruwers, que teve muitos compromissos cancelados nas últimas semanas.

Há 21 anos na profissão, conta que nunca viveu algo parecido. “Eu nunca fiquei tanto tempo sem tocar no palco, sempre temos eventos todos os finais de semana”, relata. O pai dele, Renato Ruwer, fundador do grupo em que tocam e que tem extensa trajetória no ramo, também não recorda de ter passado um período tão longo sem tocar presencialmente para o público. “Meu pai também não se lembra de ficar mais de um mês sem tocar. Em 2008, com o surto da H1N1 também foi necessário parar por um tempo, mas logo tudo voltou ao normal”.

Para não perder o contato com o público e continuar mostrando o trabalho, o Grupo The Ruwers tem feito transmissões ao vivo pela internet, as chamadas ‘lives’. “É uma forma de mostrar nosso trabalho e de estarmos próximos do público e fazendo música.”

Os integrantes buscaram ajuda de apoiadores para promover os shows virtuais, nos quais também são realizados sorteios de brindes. Na última apresentação, na semana passada, internautas que assistiram doaram alimentos para serem repassados às famílias carentes por meio do programa Mesa Brasil Sesc. “Também temos ideia de fazer uma live para angariar recursos para a manutenção da nossa banda, assim como outros grupos já fizeram. Até porque nossa renda de banda zerou. Já vi que algumas bandas estão encerrando, vendendo equipamentos, isso é muito triste.”

Momento desafiador para quem vive da arte

Andy Ruwer afirma que a preocupação é grande entre a classe dos músicos, pois muitos se mantêm, exclusivamente, com os cachês dos shows. “Conversamos com os amigos músicos e quem não têm outra renda ou uma reserva para passar por esse período está tentando o auxílio pelo governo ou ajuda de amigos e familiares”, diz.

O Grupo The Ruwers teve todos os compromissos cancelados em abril e maio e poucos puderam ser adiados para o fim do ano. “Eu e meu pai seguimos com aulas online, mas quem depende exclusivamente dos shows está numa fase muito complicada”, relata.

O músico observa que essa é uma fase complicada até para a saúde mental dos artistas, que não estão acostumados a ficar tanto tempo em casa e não veem perspectivas boas para as próximas semanas, já que todos os compromissos estão sendo cancelados. “Não tem uma resposta para combater esse vírus. A única forma é a prevenção e o isolamento social e isso afeta diretamente a gente, porque nós dependemos de locais onde as pessoas se encontram para se divertir”.

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