Aos poucos, mais vítimas estão denunciando o caso na DPPA. (Foto: Alvaro Pegoraro)

“À medida que o tempo vai passando e as vítimas não conseguem reaver o seu dinheiro, decidem não aguardar mais pelas promessas de ressarcimento e denunciar tudo na polícia”. A observação do delegado Vinícius Lourenço de Assunção está se concretizando e segundo ele, os relatos ajudarão a chegar nas pessoas que lideravam estas denominadas pirâmides financeiras no município. Entre a quarta-feira e ontem, duas vítimas do mesmo ‘investidor’ procuram a Polícia Civil (PC).

Uma delas é uma mulher de 41 anos. Na quarta-feira, à tardinha, ela denunciou na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) que foi vítima da ‘Speedcash’. Ela declarou que conheceu o negócio através de um amigo e que investiu R$ 21.650 mil, em três momentos distintos. Porém, quando tentou fazer o primeiro saque, foi informada que não seria possível. Posteriormente, pediu seu dinheiro de volta, soube que não receberia nada e foi orientada a ingressar na Justiça.

Esta mulher disse que no dia 15 de maio transferiu R$ 7.650 mil para a conta de um conhecido, na agência do Banrisul. Este homem foi quem lhe apresentou o negócio, oferecendo juros diários de quase 4% [no site da empresa, que está ativo, a promessa é de juros diários de até 3,5%].

Posteriormente, a mulher entregou mais R$ 12 mil em dinheiro e transferiu outros R$ 2 mil ao investidor, que tem 37 anos e reside na área central da cidade. A denunciante relatou que um mês depois tentou sacar os rendimentos, mas foi informada que a empresa estava com problemas financeiros e pediu que ela agendasse o saque e voltasse 30 dias depois.

Neste período, a vítima soube que a empresa onde aplicou o dinheiro, na verdade se tratava de uma pirâmide financeira. Ela fez contato com seu conhecido e pediu o ressarcimento dos valores investidos. No entanto, foi informada que não receberia nada e que era para ingressar com uma ação contra a empresa para tentar reaver os valores.

R$ 12 MIL
Ontem à tarde, um homem de 39 anos comunicou na DPPA que também foi vítima da Speedcash. Ele mencionou que no começo do mês de fevereiro transferiu R$ 12 mil da sua conta para a conta de um amigo, na agência do Banrisul. Esta pessoa sacou o dinheiro e levou tudo em espécie para o homem de 37 anos, o mesmo que foi denunciado pela mulher, na quarta-feira.

Posteriormente, a vítima falou diretamente com o homem de 37 anos, que transformou os R$ 12 mil em três investimentos de U$ 1 mil. “Até hoje tenho login e senha da minha conta e consigo acessá-la normalmente. Porém, nunca consegui efetivar um saque”, mencionou. Este denunciante referiu que o site da empresa está ativo e permite que o investidor faça previsão de saque. Porém, o saque nunca acontece.

INVESTIGAÇÕES
Apesar de ser de conhecimento da PC que há mais de uma empresa que lucrou com moradores de Venâncio Aires, oferecendo juros estratosféricos – que não foram pagos e os valores investidos não foram devolvidos -, poucas vítimas procuraram a DPPA para denunciar o caso. Oficialmente há o nome de uma mulher e de dois homens, apontados como responsáveis por captar o dinheiro dos investidores no município.

O relato desta mulher de 41 anos, observou o delegado Vinícius, ajudará nas investigações. O titular da DPPA ressaltou que já ouviu comentários de empresários que teriam entregue altas somas aos investidores, mas nada disso chegou oficialmente ao seu conhecimento. “As pessoas têm que denunciar aqui na DPPA”.

Além das denúncias contra a Speedcash, há duas ocorrências contra a InDeal. Sobre esta empresa, que tinha sede em Novo Hamburgo e representantes na Capital Nacional do Chimarrão, a Receita Federal (RF) apurou que aqui foram captados R$ 7,8 milhões. A oferta, relataram as vítimas, era de rendimentos de 15% no primeiro mês.

Os sócios da InDeal estão presos. A RF estima que a empresa captou cerca de R$ 1 bilhão de investidores no Brasil. Uma parte deste dinheiro foi reavido em bens adquiridos pelos sócios, como veículos de luxo, imóveis de alto valor e joias, que foram apreendidos pela Polícia Federal. Outra parte estava em bancos, com rendimentos normais.

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