Apesar de se aparentar insignificante, um papelzinho jogado na rua faz diferença. Ainda que pareça inofensivo, microlixos como papel de bala e bitucas de cigarro também podem gerar perigos a nossa saúde e ao meio ambiente. O assunto foi tema do artigo ‘A questão do microlixo no desenvolvimento da educação para a sustentabilidadeÂ’, escrito pela venâncio-airense Deisi Becker e duas co-autoras, para o livro Sustentabilidade: Resultados de Pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Deisi é doutoranda na Escola de Administração, onde integra o Grupo de Pesquisa em Sustentabilidade e Inovação (GPS).

No livro de 358 páginas, que conta com a colaboração de 99 autores, a venâncio-airense trata sobre as questões que envolvem o microlixo. “Algo que, quando descartado, é tão pequeno, e para quem descarta parece que é inofensivo, quando somados a outros lixos que parecem ter a mesma característica, seu potencial de substâncias tóxicas pode ser prejudicial à saúde, solo e ao meio onde vivemos”, define. São exemplos de microlixo: papel de bala, tampas de garrafas, canudos, palitos de picolé, anéis de latinha, cacos de vidro, pontas de cigarro.

Para escrever o artigo, Deisi conta que a pesquisa de campo foi desenvolvida em 2012, em uma instituição de ensino superior (IES) de Santa Maria, localizada no mesmo espaço-físico de outras empresas e colégio, em local que circulam públicos distintos. A partir da coleta de materiais, diz que ações de sensibilização foram realizadas com alunos do colégio vinculado à instituição, através de palestras e atividades em sala de aula, a fim de diminuir o microlixo existente. Entre o microlixo recolhido, os materiais mais encontrados foram pontas de cigarro, tampas de garrafa, papéis de bala, guardanapos de papel, canudos e chicletes.

“Os professores envolveram os alunos para que pudessem entender os impactos de ações, como deixar chicletes no chão ou papéis na sala de aula. Notou-se que este envolvimento repercutiu em ações no dia a dia das crianças na escola e em casa, de acordo com relatos dos professores”, destaca. Ainda, conforme Deisi, os alunos tiveram uma rápida mudança de atitude que refletiu nas demais pessoas com que convivem. “Alguns pais vieram perguntar o que estava ocorrendo na escola, pois o filho estava interessado em repreender ações dos adultos em relação ao lixo, à economia de água e energia.”

O lançamento do livro Sustentabilidade ocorreu no fim de junho, em Porto Alegre, na Livraria Cultura do Bourbon Country. De acordo com a venâncio-airense, os textos do livro são resumos expandidos de artigos, dissertações, teses e relatórios de pesquisa. “A linguagem é simples e direta, direcionada para o público não acadêmico.” O livro é organizado pelo professor Luís Felipe Nascimento e pela mestranda Patrícia Tometich, e conta com 80 textos de pesquisadores que já fizeram ou fazem parte do GPS da Ufrgs. Conforme Deisi, a obra está à venda na Livraria Cultura ao preço de R$ 20 e busca difundir os estudos que são realizados nas universidades.