Foto: Jaqueline Carrisimi / Folha do MateHá 23 anos na profissão, Lindo Cezar foi promovido, no ano passado, a terceiro sargento da Brigada Militar
Há 23 anos na profissão, Lindo Cezar foi promovido, no ano passado, a terceiro sargento da Brigada Militar

Quem já tem ou passou dos quarenta anos deve lembrar da data em que, no colégio, aprendia-se a fazer o tradicional chapéu de soldado com a folha de jornal. Ou então, se fazia um ato cívico de marcha e reverência aos símbolos da Pátria, em forma de homenagem ao dia 25 de agosto, Dia do Soldado e do Exército Brasileiro. Os herois que, muitas vezes, colocam suas vidas em risco para salvar as nossas, seja nas ruas, no fogo, na água ou no ar.

Para contar a trajetória de 23 anos na profissão, Lindo Cezar da Silva é morador de Venâncio Aires, mas atualmente está no Comando de Operações Especiais (COE), em Porto Alegre, trabalha na Força Tarefa/ Operação Canarinho, Cadeia Pública de Porto Alegre. Aos 43 anos, natural de Erval Seco, em Seberi, região Noroeste do Estado, é casado com a professora Lucimar Marcon da Silva, e é pai da Maria Rita Marcon da Silva, que tem 16 anos. Lindo Cezar foi promovido no ano passado de soldado a terceiro sargento da Brigada Militar.

FOLHA DO MATE – O senhor atua hoje em Porto Alegre, conte-nos esta trajetória dentro da Brigada Militar ?

Sou Policial Militar há 23 anos. Formei-me em 11 de outubro de 1994. Já trabalhei em Porto Alegre entre 1994 a 1998, depois em Charqueadas de 1998 a 2002 e em Lajeado de 2002 a 2006.Atualmente estou em Venâncio Aires, à disposição do Comando de Operações Especiais (COE), de Porto Alegre, trabalhando na Força Tarefa/ Operação Canarinho, Cadeia Pública de Porto Alegre.

Além de Porto Alegre e Venâncio Aires atuou em outras cidades?

No ano de 2003 fui selecionado para a Força Nacional de Segurança onde, após efetuar o Curso de Nivelamento de Conhecimento em João Pessoa – Paraíba, passei a fazer parte da Força Nacional. Em 2007 fui convocado para trabalhar nos jogos panamericanos do Rio de Janeiro e Paraolímpicos, onde permaneci por oito meses no Rio, onde atuei em vários locais do Rio de Janeiro.

Nesta caminhada, chegou a frequentar escolas, universidade?

Tenho o ensino médio completo. Estudei na Escola Estadual Madre Tereza, em Seberi, e no Colégio Alfredo Westphalen também em Seberi.

Como foi esta trajetória profissional até chegar a Venâncio Aires?

Desde criança era o que eu queria, por ter um tio policial militar e outro da Polícia Civil. No ano de 1992 fui servir no Exército em Cachoeira do Sul, mas sempre me despertou a vontade de ser policial. Depois da minha saída do exército, optei pela carreira na Brigada Militar, fiz o concurso logo que sai do exército, na cidade de Porto Alegre, onde fui aprovado e frequentei por 11 meses a Escola de Formação e Especialização de Soldados da Brigada Militar. Já formado fui classificado em Porto Alegre. No início tinha vontade de voltar para Seberi e lá trabalhar, mas com o tempo fui permanecendo na região metropolitana. Casei em Seberi em 1998 e fui morar em Charqueadas, onde fiquei até 2006. Foi neste ano que vim para Venâncio Aires, onde mantenho residência até hoje e pretendo permanecer.

O que te chamou atenção e fez com que permanecesse na profissão naquela época? 

O que me chamou atenção na época para escolher esta profissão foi o desejo de fazer parte de uma instituição grandiosa, era como se tornar um super-herói, e a Brigada era o que me tornaria um.

O que é ser soldado ou o super- herói, hoje, no século 21?

Hoje, ser policial militar, ser um soldado, te resumo em poucas palavras: “Ser militar, é uma escolha de vida, posto que é uma profissão que requer primeiramente a capacidade de renunciar à própria vida em defesa da sociedade, e, concomitantemente, a capacidade de na maioria das vezes, renunciar a própria vida, quer seja familiar, social em prol do coletivo”. Atualmente posso dizer que as maiores dificuldades enfrentadas está no reconhecimento, muitas vezes, por parte da sociedade.

O bom da profissão ?

É saber que fazemos o que gostamos. Um brigadiano é um ser vocacionado. Para ser policial militar é necessário ser diferente de tudo e de todos.

Algum momento que tenha marcado a tua carreira?

Vários fatos no decorrer da carreira me marcaram. Um deles foi quando dois colegas foram baleados na Linha Estância Nova, em troca de tiros com meliantes. Outro fator marcante foi a minha ida para o Rio de Janeiro em 2007, experiência única, e claro, a minha promoção para sargento no ano passado.

Este orgulho de ser soldado, de servir à Pátria ou à segurança das pessoas meio que se perdeu nas escolas, com alunos e na comunidade. Qual a tua opinião, já que hoje é o Dia do Soldado?

Hoje mesmo, tudo se perdeu, o civismo, o respeito à Pátria. Antigamente um mês antes começavam os ensaios nas escolas para o desfile e as comemorações da Semana da Pátria. Todos os dias nas escolas, se hasteava a bandeira e cantávamos o Hino Nacional, hoje nada mais se cultua, é uma pena. Penso que o Exército Brasileiro, continua com sua função, o que se perdeu foram os valores às instituições.

O que significa comemorar o Dia do Soldado?

Comemorar o Dia do Soldado é o resgate da cidadania que devemos buscar, sociedade e polícia juntos, em busca de uma sociedade mais justa, e que os valores morais possam emergir e que o crescimento social seja uma realidade.