Alimentos industrializados e ricos em gordura e sódio são os maiores vilões. (Foto: Divulgação)

Com o corre-corre diário, as pessoas buscam por alimentos mais práticos e, no primeiro momento, optam por produtos industrializados, deixando a saúde em segundo plano. Este comportamento reflete na alimentação e na qualidade de vida, inclusive das crianças, que tem os pais como referência.

O aumento da obesidade infantil no Brasil é preocupante. Segundo Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo IBGE, uma em cada três crianças brasileiras com idade entre 5 e 9 anos está com o peso acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo a nutricionista da Magrass, Emille Klamt, a obesidade infantil está relacionada com a alimentação ou a genética. Para identificar o problema de saúde, a profissional orienta que sejam realizados exames periódicos. “A partir do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) é possível comprovar se a criança está no peso ideal, de acordo com a tabela”, comenta.

Além dos exames, ela acredita que a família e a escola também têm um papel fundamental neste processo, pois os pequenos têm os pais como espelho. “Na maioria das vezes, os pais também devem mudar a alimentação em função dos filhos. É preciso evitar produtos industrializados em casa para não incentivá-los”, afirma.

A nutricionista recomenda que os pais não podem fazer trocas com os filhos, por exemplo, prometer um doce depois da refeição. “Este tipo de comportamento pode gerar a compulsão alimentar nas crianças.”

Mesmo que seja difícil estipular horários para as refeições das crianças, os pais devem manter esta rotina, principalmente durante a semana. “As crianças devem sentar à mesa para fazer as principais refeições. Os lanches intermediários, durante a manhã e tarde, também são muito importantes, tudo é questão de hábito”, considera.

Como evitar a culpa?

Quando a obesidade afeta crianças, é muito difícil para os pais lidar com esta situação. Quando se limita um doce ou refrigerante, bate aquela culpa. A ideia de que “eles não merecem isso” é muito comum. Mesmo assim, é necessário manter este comportamento, pensando na saúde e bem-estar das crianças. Neste caso, é preciso mudar os hábitos alimentares aos poucos, com a substituição de alguns alimentos. “Trocar o refri pelo suco, preparar uma pizza com ingredientes mais saudáveis, inserir as frutas na batida são alguns dos artifícios”, orienta a nutricionista Emile Klamt.

Segundo ela, os problemas de saúde podem se manifestar tanto na infância quanto na fase adulta.“A obesidade infantil pode gerar vários problemas de saúde, entre eles, hipertensão arterial, alteração do metabolismo, baixa estima, diabetes e ansiedade”, cita.

Quando a obesidade infantil se manifesta?

De acordo com a nutricionista, Emille Klamt, não há uma previsão, a doença pode surgir a qualquer tempo. A obesidade infantil pode se manifestar até mesmo, durante a gestação. Neste caso, a alimentação da mãe, também pode trazer consequências para o bebê. “O diabete gestacional é um dos exemplos, a doença pode refletir na formação de uma criança obesa”, afirma.

O aleitamento materno até os 6 meses também é muito importante para a saúde das crianças. “Quando as mães inserem um outro alimento para substituir o leite materno, é comum que o organismo do bebê não esteja preparado para receber certos nutrientes, o que interfere na questão nutricional,” afirma.

Dicas

– Preparar alimentos lúdicos, pratos coloridos e com ‘rostinhos’ para despertar o interesse das crianças

– Optar por bolos integrais ou preparado com frutas

– Trocar o chocolate branco pelo chocolate preto com 50% a 70% de cacau

– Investir nos chás e sucos em vez do refrigerante (cuidado com os chás diuréticos)

– Evitar frituras e optar pelos alimentos assados

– Reduzir o sódio, a gordura e o açúcar nos alimentos

– Preparar o próprio alimento e evitar o consumo de produtos industrializados

“O exercício físico além da escola também é muito importante e pode ser prazeroso. Convidar os amigos para andar de bicicleta no fim de semana pode ser uma boa alternativa.”

EMILLE KLAMT

Nutricionista

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