Do xadrez ao quebra-cabeça, jogos divertem as famílias na quarentena

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Quebra-cabeças, cartas, xadrez, damas e memória estão entre os diversos jogos que passaram a integrar a rotina durante o isolamento social e estão sendo relembrados por algumas famílias, que, antes, por conta do tempo, não tinham como rotina jogar.

A gerente da Brincasa, Paula Anschau, relata que a loja sempre tem demanda de jogos, mas a procura dobrou nos últimos meses. Na primeira semana de abril, as prateleiras ficaram praticamente vazias. “Os quebra-cabeças com mais de mil peças são os mais pedidos.”

Ela conta que os clientes são tanto crianças quanto adultos, e alguns jogos possibilitam a participação de todas as idades. “Tem muito adulto que compra para montar e emoldurar ou pega jogos de cartas”, comenta Paula. Além disso, os jogos pedagógicos e os que envolvem toda a família começaram a ser mais procurados recentemente. “Acho que é uma forma da família fazer algo junto, por isso, neste momento estão querendo jogos, porque eles estão com mais tempo.”

 Gerente da Brincasa, Paula afirma que os quebra-cabeças com mais de mil peças são os mais procurados nos últimos meses
Gerente da Brincasa, Paula afirma que os quebra-cabeças com mais de mil peças são os mais procurados nos últimos meses (Foto: Eduarda Wenzel)

Em família

Entre as pessoas que costumam comprar jogos está a corretora de imóveis Camila Müller, 37 anos. Na casa dela, é comum ter jogos didáticos, pois desde criança tinha acesso a esse material. Desde que a pandemia começou, ela investe ainda mais seu tempo para jogar com a filha Manuela Müller Gonzatto, 6 anos, a enteada Rafaela Reis Gonzatto, 13 anos, e o marido Marco Antonio Gonzatto, 53 anos.

O preferido da família é o quebra-cabeça, mas compram diversos tipos. “Sempre montamos quebra-cabeça em família, mas agora passamos a montar mais e também adquirir outros jogos para estimular o aprendizado”, comenta. Os quebra-cabeças com mais de mil peças montados pela família são emuldorados e servem como decoração da casa.

As atividades são praticadas especialmente no fim de semana ou à noite, quando a família se reúnena sala, pois mesmo com o isolamento social, as aulas e trabalhos seguem on-line. Além disso, às vezes jogam de forma virtual. “Intercalamos, porque a tecnologia também pode ajudar, mas preferimos os jogos fisícos”, ressalta Camila.

A corretora de imóveis acredita que essas atividades com jogos didáticos ajudam na aprendizagem da filha, que está em fase de alfabetização. “Estávamos com dificuldade de ensinar ela a ler e escrever. Incluímos os jogos pedagógicos como uma forma descontraída e educativa para tornar este processo mais leve e interessante para ela. Estamos felizes, pois conseguimos alcançar o nosso objetivo”, conta Camila. Ela também salienta que para os adultos é uma diversão. “Eu encontro nos jogos uma forma de tirar o estresse da correria do cotidiano.”

Jogos auxiliam no desenvolvimento da personalidade

Os jogos didáticos, que estão sendo mais procurados durante a quarentena, requerem interação entre os participantes. Por isso, conforme a neuropsicopedagoga Ana Silvia Hickmann da Rosa, podem auxiliar na formação de personalidade das crianças.

A profissional explica que jogar constrói conhecimentos e desenvolve área afetivas, como da frustração de perder. “A criança necessita de frustração e o jogo proporciona isso, pois nem sempre a criança ou o adolescente vai conseguir tudo na vida e esse ensinamento começa nessa brincadeira”, destaca. Ana Silvia observa que os jogos que são didáticos também estimulam a paciência, tolerância, responsabilidade, respeito, liderança e pensamentos estratégicos.

Segundo a neuropsicopedagoga, os jogos de mesa, como trilhas, damas e xadrez, contribuem para a construção da paciência, resiliência e empatia. São indicados para crianças e adolescentes que possuem baixa tolerância à frustração – não admitem perder e mudam as regras quando estão e desavantagem. Por isso, é muito importante estabelecer as regras antes de iniciar o jogo, fazer um ‘contrato’ explícito para que não haja divergência no decorrer da brincadeira.

A profissional indica mais os jogos físicos. “Eles requerem maior interação social, empatia e relações com os outros. Os jogos on-line ficam bastante restritos a uma relação unívoca – quando são somente para diversão pessoal, sem relações com os outros -, mas a maioria dos jogos on-line também ajuda no raciocínio.”

Ana Silvia lembra que, neste momento de maior convivência familiar, é importante ter atividades de descontração, pois contribuem para a união da família e agregam conhecimentos. “Temos que incentivar jogos que auxiliam a aprendizagem e os que ajudam no corpo físico, como jogar bola, pular corda e fazer brincadeiras ao ar livre”, indica.

Ana Silvia Hickmann da Rosa
Ana Silvia Hickmann da Rosa afirma que os jogos ajudam na formação de personalidade das crianças e adolescentes (Foto: Arquivo pessoal)

“É necessário desenvolver a criança como um todo. Por isso, deve-se ter tanto atividades que ajudam na parte cognitiva como as que ajudam fisicamente.”

ANA SILVA HICKMANN DA ROSA
Neuropsicopedagoga

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