Alta do dólar e exportação elevam o preço das carnes

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O custo para adquirir carne bovina nos açougues e supermercados tem aumentado significativamente nos últimos anos. A diferença é notada pelos consumidores de maneira geral e, principalmente, pelos estabelecimentos comerciais do ramo de alimentação.

Com base no levantamento mensal da lista de compras feito pela Folha do Mate, a média do quilo da carne bovina teve acréscimo de 55,6%, na comparação do mês de abril de 2019 para 2021. Na diferença do ano passado para agora, o aumento equivale a 20,4%.

A indústria frigorífica justifica que o aumento dos preços é reflexo do mercado internacional, que está com uma demanda alta, o que interfere diretamente nos preços praticados nas negociações nacionais. Além disso, há reflexos da diminuição da área de produção, visto que os agricultores passaram a substituir por outras culturas.

Os preços dos produtos necessários para a produção bovina também alteram diretamente o custo para os frigoríficos e, consequentemente, no preço praticado para o consumidor final.

A economista Cíntia Agostini afirma que a alta dos produtos do ramo alimentício também tem impacto devido aos impostos. Segundo ela, cerca de 20% do valor dos produtos do ramo alimentício são de encargos, sendo que a porcentagem no Rio Grande do Sul pode variar entre 13 e 30%, dependendo do alimento e da época. Ela salienta que, em média, 25% a 30% do valor das carnes correspondem a impostos, na soma dos diretos e indiretos.

A variação ocorre devido a algumas taxas serem federais e outras estaduais. Além disso, a oscilação do preço do dólar interfere diretamente neste sentido. “A nossa moeda internacional está alta. Falamos de uma retomada ou tentativa de retomada da economia no mundo e exportamos muitos itens. Assim não temos disponibilidade de matéria- prima também. Isso tem um pouco de interferência da pandemia de coronavírus”, destaca.

A economista também observa que a exportação tem grande interferência neste sentido. “Nossa moeda está desvalorizada em comparação com o dólar. Ou seja, está caro para comprarmos do exterior, mas ficou bom vender para eles. O que acontece é que muitas empresas que entregam produtos no país estão preferindo venda para o exterior.”

ADAPTAÇÃO

Nos restaurantes, a adaptação dos pratos é a solução encontrada. Proprietário do Restaurante Tropicana, Carlos Becker diz que, anualmente, já se prevê um aumento no preço das carnes no mês de outubro, em virtude da proximidade com as festas de fim de ano. Porém, desde o ano passado, as alterações são mensais. “Tivemos que adaptar e utilizar mais pratos com carne de porco e frango. Nas marmitas, tivemos que substituir a carne de rês por embutidos e outros industrializados”, afirma.

As medidas são necessárias, segundo Becker, para evitar o aumento de preço constante para o cliente final. “Foi a alternativa que encontramos para manter a proteína e não aumentar o valor”, comenta. Além disso, também foram feitas parcerias com fornecedores com pedidos semanais, com o intuito de fixar o preço. Becker ressalta que isso foi feito para fidelizar a relação com o fornecedor e garantir um preço fixo e a qualidade dos produtos.

Já para o buffet que é servido no restaurante, o cardápio foi alterado de uma forma que não perdesse a qualidade, mas gerasse economia. “Lasanha de carne de rês que tínhamos todos os dias, substituímos por frango e legumes em alguns deles. O filé de frango com bacon que comprávamos pronto estamos fazendo aqui, tudo para baixar o custo”, exemplifica.

*Colaboraram Eduarda Wenzel e Luana Schweikart

“ESTÁ SENDO UM MOMENTO BEM DIFÍCIL PORQUE NOSSO CUSTO FIXO SE MANTEVE E O VARIÁVEL COMEÇOU A AUMENTAR AINDA MAIS. BUSCAMOS ESTRATÉGIAS PARA MANTER QUALIDADE SEM PERDER A COMPETITIVIDADE NO MERCADO.”

CARLOS BECKER

PROPRIETÁRIO DE RESTAURANTE

Supermercados também sentem o impacto

Segundo o responsável pelas compras do supermercado Lenz, Roderlei Lenz, as vendas de carne bovina e suína tiveram uma pequena redução quando comparado ao ano passado, mas não uma grande diferença. O supermercado vem diminuindo as ofertas dessas carnes e consequentemente, aumentando as opções de outros tipos, como a carne de frango, por exemplo. “Todo ano o preço da carne tem um pequeno aumento, mas neste ano, esse valor subiu 40% na carne bovina. Foi muito desproporcional. O mercado inter no acaba sofrendo com esse aumento, pois o câmbio favorece as exportações para os frigoríficos”, analisa.

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