Comércio está na expectativa para a abertura parcial das atividades nesta segunda-feira

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Depois de quase três semanas de portas fechadas, empresários começam a manifestar expectativa em relação ao retorno parcial das atividades. É que nesta terça-feira, 16, o governador Eduardo Leite, apresentou aos empresários a possibilidade de retorno do plano de cogestão com vigência a partir do dia 22 de março. A iniciativa tem o objetivo de permitir autonomia aos prefeitos, adaptando medidas mais flexíveis, principalmente no que diz respeito ao funcionamento do comércio. Os municípios que estiverem em bandeira preta, por exemplo, terão autonomia para adotar protocolos da bandeira vermelha, por meio do sistema do Distanciamento Controlado, só que desta vez, deverão seguir medidas mais rígidas.

Esta decisão vem sendo aguardada há dias pelos empresários, segundo o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços (Caciva) de Venâncio Aires, Vilmar de Oliveira. “A tendência é de que os prefeitos possam tomar as decisões de acordo com as peculiaridades de cada município. Não se pode comparar cidades com realidades diferentes, desta forma, podemos adaptar um decreto ao nosso cenário local”, afirma.

Segundo ele, mesmo que as normas de Distanciamento Controlado sejam mais rígidas, em relação aos protocolos da bandeira vermelha, o plano de cogestão traz esperança aos empresários do ramo. “O comércio passou muito tempo fechado, amargando prejuízos. A situação estava insustentável, pois o fato de estar 100% fechado impossibilitou as cobranças e vendas, estabelecendo grandes prejuízos e intranquilidade no setor”, destaca. Oliveira menciona que alguns empresários tiveram que se desfazer de bens para manter o salário dos funcionários ou buscar recursos por meio de financiamentos bancários, o que inicialmente, não foi uma alternativa facilitada”, avalia.

A perspectiva de retornar ao trabalho traz alívio à proprietária da empresa Eletro Armim, Roberta Fischer. Nos dias em que a loja permaneceu fechada, a empresária aproveitou para colocar tudo em ordem, fazer o balanço das mercadorias e repor os produtos que estavam em falta no estoque. “As nossas expectativas são as melhores possíveis. Mesmo que as normas sejam mais restritivas que as definidas pelo protocolo da bandeira vermelha, esta medida fará toda a diferença. A possibilidade, de ao menos, entrar uma pessoa por vez na loja para fazer as compras já é suficiente. Além disso, adotar normas mais restritivas, por meio do atendimento fracionado, traz mais segurança aos lojistas”, avalia.

Mesmo que a empresa tenha adotado as vendas pelo sistema on-line, ela observa que não há comparação com o atendimento presencial. “O sistema digital atrai apenas uma parcela dos consumidores. Alguns, preferem olhar pessoalmente o produto, ou até mesmo, não se adaptam à forma de pagamento pelo aplicativo do PIX’, observa Roberta.

“Todos temos consciência de que a saúde deve ser preservada mas, deve haver um equilíbrio. No fim, todos perdem com isso, porque sem o comércio não há renda, o município não arrecada e a economia não gira.”

VILMAR DE OLIVEIRA – Presidente da Caciva

Flexibilizações

Entre as flexibilizações previstas está a de que, o comércio não essencial poderá abrir somente de segunda a sexta-feira, até 20h (entrada até 19h); restaurantes, bares e lanchonetes poderão permanecer abertos até às 17h, (com entrada até às 16h) sem restrição de dias; hotéis e alojamentos, poderão funcionar com lotação máxima de 50% com Selo Turismo Responsável e 30% sem Selo Turismo Responsável, entre outras adequações, que estão sendo analisadas pelo governador Eduardo Leite.

O governo também confirma que vai manter o fechamento de atividades das 20h às 5h até 30 de março. A novidade é que essa regra vai vigorar por mais tempo, mas nos finais de semana (sexta, sábado e domingo), durante todo o mês de abril. Hoje, está prevista uma reunião do Gabinete de Crise, e amanhã, com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e com representantes de associações regionais, para a definição da medida.

O governador avalia a possibilidade da cogestão regional caso, ao longo desta semana, haja uma redução efetiva do contágio e da demanda hospitalar. “Se confirmarmos esse movimento, poderemos avaliar a retomada da cogestão, mantendo medidas extraordinárias de restrição e intensa fiscalização contra aglomerações”, destacou Leite.

Para que as medidas sejam adotadas deverão ser mantidos protocolos básicos para todas as atividades, entre eles, uso obrigatório e correto de máscara, cobrindo boca e nariz; distanciamento interpessoal; higienização das mãos e das superfícies de toque com álcool 70 ou similar, ventilação cruzada (janelas e portas abertas) e/ou sistema de renovação de ar.

Prefeito Jarbas da Rosa avalia a necessidade de retomada da economia

Os 16 municípios que fazem parte da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), entre eles, Venâncio Aires, aguardam a manifestação oficial e a publicação do decreto estadual para solicitar a edição do decreto regional de cogestão,solicitando que os municípios atuem sob o protocolo de bandeira vermelha, na próxima semana.

Durante uma live realizada ontem, pela Caciva, o prefeito anunciou o fim da política de lockdown nos fins de semana, na Capital do Chimarrão, e a reabertura do comércio não essencial a partir da próxima segunda-feira, 22.

Apesar de saber das dificuldades do comércio e das empresas locais, Jarbas da Rosa destacou que o agravamento da pandemia exigiu decisões difíceis do Governo Municipal e altos investimentos. “Apesar de um déficit já projetado de quase R$ 15 milhões, nesses primeiros meses tivemos que investir R$ 500 mil em novos leitos de UTI, leitos clínicos, uma nova estrutura de Centro Respiratório junto a UPA, medicamentos e profissionais de saúde. Todos estamos num esforço extra de recursos e psicológico”, destacou o prefeito.

Durante o bate-papo, Jarbas da Rosa destacou as ações na área econômica adotadas por seu governo. Entre elas, a prorrogação da parcela do IPTU de março para novembro, prorrogação de 30 dias das taxas municipais de fiscalização de funcionamento e sanitárias e suspensão do envio das dívidas para protesto pelos próximos 90 dias. “Além disso, estamos disponibilizando várias linhas de crédito com o Banco do Povo junto à Sala do Empreendedor para atender as necessidades de financiamento para o pequeno empresário”, destacou.

“Prejuízos jamais serão recuperados”

Por Cristiano Wildner

O presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Sergio Galbinski, em entrevista ontem ao Terra em Meia Hora, da Terra FM, destacou que os prejuízos causados pela pandemia no setor do varejo no Rio Grande do Sul jamais serão recuperados. Apesar da AGV fazer parte da base de consulta da Comitê de Crise do Estado para a edição das regras do Distânciamento Controlado, o presidente apela que se necessário a partir de agora, que o governo, escolha outros segmentos econômicos para restringir às vendas. Mas elogiou bastante também o “moderno sistema criado no Rio Grande do Sul para dar transparência quanto ao avanço da pandemia a partir das bandeiras”. Ele destacou que foi uma forma da população poder acompanhar a evolução da doença. Mas apelou ainda para a população: “Para o comércio voltar, as pessoas precisam evitar aglomerações. Precisam evitar as jantas entre amigos e conhecidos. Todos precisam ajudar”, conclamou.

Indicadores estaduais

  1. Depois de ter atingido um aumento de, em média, 350 leitos a mais por dia em fevereiro, o número retrocedeu para cerca de 16 leitos a mais por dia.
  2. A taxa de transmissão verificada em meados de fevereiro estava em torno de 2,35 e, agora, gira em torno de 1,4.
  3. A queda nesses indicadores é um reflexo das duas semanas e meia de restrições mais severas adotadas pelo Estado para frear o contágio e a disseminação do vírus.
  4. De acordo com o o governador Eduardo Leite, dados da demanda de internações já demonstram a redução da circulação do vírus
  5. Caso os indicadores confirmem, ao longo desta semana, a redução efetiva do contágio e da demanda hospitalar, governador adotará plano de cogestão, a partir desta segunda-feira, 22, possibilitando a flexibilização das medidas.
  6. Contudo, ele adiantou que o Estado irá se manter em bandeira preta, que representa risco altíssimo no modelo de Distanciamento Controlado, pelas próximas semanas.
  7. A bandeira anterior – neste caso, a bandeira vermelha – é um limite de onde não podem passar no relaxamento de restrições. Os municípios poderão adotar regras mais rígidas ou continuar com as medidas da bandeira preta.

*Com informações do Governo do Estado

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