Jaqueline inaugurou a Doca Embalagens, no bairro onde mora, há mais de 50 anos (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

Investir no comércio sempre foi um desejo antigo da professora aposentada Jaqueline Inês Chaves, 53 anos, desde que construiu a casa na rua Félix da Cunha, no bairro Centro. Antes de assumir a sala de aula, a professora já pensava em administrar o negócio próprio. Em 2018, dois anos antes da aposentadoria, Jaqueline começou a amadurecer a ideia. Inicialmente, ela não sabia qual área que pretendia investir, mas de uma coisa ela tinha certeza: queria inaugurar um comércio no próprio bairro, onde possui uma história construída há mais de cinco décadas.

A professora de Português/Inglês ingressou na rede municipal em 1987, atuando em várias escolas, principalmente do interior do município. De 1990 a 2017, ela ingressou na rede estadual de ensino, até conquistar a aposentadoria integral, em 2018.

Após pesquisar sobre a nova área de atuação e receber algumas sugestões dos familiares, Jaqueline inaugurou a Doca Embalagens, em janeiro deste ano. “Em março, quando eu estava começando a ingressar com a loja, fomos surpreendidos com a pandemia. Este ano foi atípico, mas apesar das dificuldades, em julho, percebi uma melhora. Os restaurantes não fecharam totalmente, por isso as vendas se mantiveram”, afirma a empreendedora que atua no ramo de embalagens e abastece lancherias e restaurantes. Contudo, ela argumenta que o principal desafio foi mudar de área, da sala de aula, algo que já estava acostumada a fazer, para atuar no comércio, em contato direto com fornecedores e clientes.

A empreendedora argumenta que a experiência com diferentes pessoas, quando esteve no serviço público também foi importante para atingir a visibilidade na nova área de atuação. “Meus clientes pertencem a diferentes bairros de Venâncio e cidades vizinhas. Alguns dos meus ex-alunos e colegas professores (que estão no ramo da alimentação) vêm comprar aqui comigo”, destaca.

“Assumir um negócio e ter contato com outras pessoas fez bem para a minha autoestima. Às vezes, é preciso criar, mudar e inventar coisas novas para sair da zona de conforto. Para isso, é necessário acreditar na capacidade e no potencial que se tem.”

JAQUELINE INÊS CHAVES – Empreendedora

Vantagem de trabalhar em casa

Jaqueline possui uma ligação muito forte com o bairro, local onde reside há mais de 50 anos. Ela mora com a filha Júlia, 23 anos, a sobrinha, Jéssica, 28 e a mãe Francina Chaves, 79 anos (que reside na casa dos fundos).

Há 10 anos, quando construiu a casa própria, ela já projetou um espaço para uma sala comercial. “Quando deixei espaço, já pensava em empreender, mas ainda não sabia qual seria o segmento. Quando falei que queria investir todos achavam que era uma loja de confecções. Mas, a minha ideia era atuar em um setor que atendesse a demanda e tivesse um giro bom de mercadoria”, destaca a empreendedora.

Segundo ela, a proximidade de casa, facilita o trabalho. “Desta forma, estou perto de casa e da minha família. Quando preciso fazer alguma entrega ou serviço na rua, minha mãe de 79 anos, fica na loja para mim”, afirma Jaqueline, que atende os clientes até mesmo fora do expediente, geralmente, no horário do almoço ou jantar.

Além disso, ela mesma que realiza as entregas das embalagens. “Uma vez fiquei sem carro e para não deixar o meu cliente na mão, peguei as embalagens e fiz a entrega a pé”, recorda.

Saiba mais

  • Em 2018, após a aposentadoria, Jaqueline começou a fazer trabalhos artesanais (bordado em vagonete) e participou do grupo de artesãs da Prefeitura para manter uma atividade.
  • A família sempre comentava que Jaqueline seria motorista de táxi, igual ao pai, Luiz Rodrigues Chaves (já falecido), que atuou até os 67 anos na profissão. As brincadeiras surgiam com frequência porque ela fazia ‘corridas’ de táxi para amigos e vizinhos. “Hoje em dia é mais difícil de trabalhar como taxista, devido à insegurança, mas, naquela época, eu fazia isso informalmente para as pessoas conhecidas”, recorda.
  • A escolha do nome Doca Embalagens foi em homenagem à avó paterna, já falecida, que tinha o apelido de Doca.

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