Marcus com a esposa Taís e as filhas Isadora e Valentina, no porão que reformaram para moradia (Foto: Rosana Wessling)

A casa grande foi trocada por um aconchegante porão para moradia. As infinitas possibilidades comerciais da cidade deram lugar a um minimercado na vizinhança. A rotina e as preocupações mudaram por um propósito diferente, o empreendedorismo. Vida e trabalho se unem 16 quilômetros distantes do centro de Venâncio Aires, em Vila Santa Emília, depois de Marcus Schlindwein, 47 anos, retornar à localidade, depois de 25 anos trabalhando na cidade.

Schlindwein saiu de Santa Emília aos 15 anos, com a intenção de concluir os estudos e se inserir no mercado de trabalho na cidade. Trabalhou um tempo em uma fábrica de calçados em Mato Leitão e prestou serviço ao Exército Brasileiro por dois anos.

Depois disso, como já tinha carteira de habilitação para caminhão e ônibus, buscou a colocação em uma empresa de transportes. No início, trabalhava como cobrador. “Foi quando conheci a cidade. Antes só conhecia a Osvaldo Aranha e a Voluntários da Pátria”, conta. Quando assumiu como motorista, ficou por uma semana com outro colega, até decorar o roteiro. Depois, já fazia o trajeto sozinho. “Fazia o bairro Macedo e Gressler, mas como cobria férias dos colegas acabei conhecendo toda a cidade”, afirma.

No trabalho como motorista, Schlindwein também conheceu diversos municípios do Rio Grande do Sul, do Brasil e até mesmo fora, como Chile e Argentina. Por um período, trabalhou em uma empresa de turismo e fazia roteiro de excursões.

Em 2015, após 25 anos de atuação como motorista, optou por mudar. “Viajava muito e precisava abrir mão da família, por isso decidi parar”, conta. Foi então que começou a trabalhar numa empresa local, na qual ficou por um ano e meio.

O motorista morava com a esposa Taís, 33 anos, e as filhas Isadora, 11, e Valentina, 6, no bairro Macedo. A casa da família tinha recebido melhorias, com piscina e quiosque, mas a vontade de ter o próprio negócio e trabalhar para si era algo que tinha em mente.

Os pais dele, Irineu e Maria Lúcia Schlindwein, 71 e 68 anos, trabalham com produção de frangos há mais de três décadas e, devido a problemas de saúde do patriarca, o casal não estava conseguindo seguir com o negócio. Foi quando o até então motorista decidiu expandir os negócios do pai.

“Nos primeiros meses estranhei a questão do controle financeiro. Estava acostumado a saber quanto ia receber e programar as contas para isso. Demorou um pouco para me adaptar com a situação nova, mas sinto que tudo aconteceu no momento certo”, declara.

Mais do que a atuação profissional, a decisão também necessitava da mudança de endereço e a família trocou a cidade pelo interior. “No início foi complicado, a Taís e a minha filha mais velha sentiam falta da família na cidade, mas hoje se adaptaram. A mais nova é como se estivesse crescido aqui já”, diz.

Para Taís, a mudança também foi radical, pois trabalhava como costureira na cidade. “Eu nasci e me criei na cidade, tinha tudo perto. No início foi bem complicado”, comenta. Por um período ela até voltou a trabalhar na fábrica na cidade, comprou uma moto para conseguir se locomover. Mas depois do susto de um acidente decidiu ficar por definitivo no interior nas novas atividades. “Estranhei muito pelo isolamento. Longe da família e amigos, mas a internet facilitou muito”, comenta.

EXPANSÃO

Com o benefício de um financiamento específico de incentivo à sucessão rural, nos próximos meses, devem ser construídos dois galpões de 150 metros de comprimento por 16 metros de largura, para o alojamento de frangos na propriedade da família. O processo nos novos aviários será ainda mais automatizado que a atual estrutura, possibilitando uma maior produção com utilização de pellet nos fornos e melhor controle da temperatura.

A capacidade de produção dos dois novos galpões será de 90 mil aves, sendo que o atual abriga 23 mil frangos. A ideia da família é ficar com a produção nas três estruturas. Além de Marcus, o pai, a mãe e a esposa também trabalham na produção diretamente.

Um porão para chamar de lar

Quando se mudou, a família reformou o porão da casa de 1920 onde vivem os pais de Schlindwein. Com a ajuda da esposa Taís, ele projetou o porão que a família chamaria de lar. Em um espaço aconchegante e decorado de forma rústica, a família encontrou a realização pessoal e profissional.

Na nova moradia, o empreendedor descobriu até mesmo novas habilidades na área da marcenaria e produziu diversas peças de decoração e móveis para a nova casa.

Entre as principais vantagens que a nova rotina proporcionou, ele conta que é o fim do ‘trauma com despertador’. Quando trabalhava como motorista, como não podia atrasar para começar o turno de trabalho, a carga de estresse pelo medo de dormir era tão grande que não conseguia relaxar e ter uma boa noite de sono. “Eu sabia que, se atrasasse, ia prejudicar muitas pessoas que também têm horário para cumprir seus compromissos”, recorda.

Por mais que hoje ainda tenha que acordar durante a madrugada para monitorar a criação, não se compara ao período anterior. “Agora eu posso fazer os horários, não vou ter prejuízo por meia hora a mais de sono, é tudo diferente”, afirma.

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