Silvio Aurélio Jaeger e Susete Fernandes Jaeger, proprietários da SS Orquídeas, encontraram nas lives uma forma de seguir a venda de orquídeas
Silvio e Susete abriram o orquidário há um ano e meio junto à área industrial de Mato Leitão, localizada nas margens da RSC-453 (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Depois de ficarem quase 40 dias fechados e suspenderem a participação em exposições por causa da pandemia do novo coronavírus, os proprietários da SS Orquídeas, Silvio Aurélio Jaeger e Susete Fernandes Jaeger, encontraram nas lives – transmissões de vídeo ao vivo, feitas no Facebook – uma forma de ampliar o mercado de atuação do orquidário e, consequentemente, as vendas. Em julho, os dois realizaram a primeira transmissão ao vivo e, desde então, as lives são feitas a cada 15 dias, sempre aos sábados, a partir das 15h.

Jaeger relata que o resultado da primeira transmissão foi positivo porque foi possível perceber que as pessoas gostaram, a partir dos compartilhamentos registrados. Segundo o proprietário da SS Orquídeas, a venda das flores tem acontecido, principalmente, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em São Paulo. Entretanto, por meio das transmissões ao vivo, já foi possível comercializar orquídeas para moradores de Rondônia, Belém do Pará, Recife, Acre, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Além das vendas, durante as lives, são sorteadas orquídeas entre os participantes que a compartilham. De acordo com Jaeger, após o início da comercialização pela internet, ele e a esposa precisaram pensar na organização de pós-venda, que envolve o contato com o cliente para organizar a entrega, e na logística de envio das plantas, a partir de parcerias com transportadoras. “Estamos trabalhando cinco vezes mais”, comenta.

Apesar de a realização das transmissões ao vivo no Facebook ter começado como uma alternativa frente à pandemia, Jaeger garante que manterá as vendas pela internet mesmo quando ela terminar. Para ele, o digital também servirá como uma vitrine para as plantas, refletindo nas vendas da loja física, uma vez que muitas pessoas conheceram o orquidário depois de assistirem aos vídeos. “Desde que reabrimos o movimento tem sido grande. No Dia das Mães, por exemplo, vendemos mais do que no ano passado”, comenta.

Além disso, ele acredita que o orquidário se tornará um local para os clientes buscarem informações e insumos para manterem os cuidados com as flores. “A pandemia acelerou os negócios digitais. As lives abriram a oportunidade de aumentar o mercado de vendas da empresa”, avalia. Na última live, realizada no dia 29 de agosto, em média 300 pessoas participaram em tempo real. Até a terça-feira, 8, o vídeo tinha registrado 1,4 mil comentários e 26 mil visualizações.

Conforme Jaeger, por meio das lives no Facebook também foi possível estabelecer uma relação com novos clientes, que depois que conhecem a loja passaram a manter contato para fazer outras compras. Ele ainda menciona como ponto positivo os elogios recebidos em razão da beleza e da qualidade das plantas. “Além de divulgar o orquidário, é uma oportunidade para que as pessoas conheçam a Cidade das Orquídeas”, salienta.

Quando as exposições de orquídeas voltarem a ser realizadas, ele e Susete afirmam que voltarão a participar, como já faziam antes da pandemia. Além disso, o casal tem planos de iniciar a divulgação de vídeos no Facebook que abordem os cuidados com as flores. No perfil do Instagram, também são divulgados materiais institucionais sobre o orquidário.

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Preparação para a live das orquídeas

  1. Para cada live, Jaeger e Susete fazem a seleção das plantas que serão vendidas.
  2. Elas são numeradas e, durante a transmissão, o proprietário da SS Orquídeas faz a apresentação das flores.
  3. Na última live, foram expostas 62 variedades.
  4. Enquanto as plantas são apresentadas, os clientes manifestam interesse em compras por meio de comentários, nos quais ele identifica o número que pretende adquirir, o nome e o telefone para contato.
  5. Depois que a transmissão termina, os empresários conferem a lista de orquídeas reservadas e fazem o contato, individual, para organizar a forma de pagamento e de envio.

Uso de plataformas digitais para além da divulgação de produtos

O especialista em Comunicação Digital e coordenador dos cursos de Comunicação Social e Fotografia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Willian Fernandes Araújo, avalia que a pandemia da Covid-19 acelerou o processo de digitalização e passou a exigir dos negócios uma visão estratégica sobre o digital. “O digital acaba sendo visto como um espaço de divulgação, enquanto ele pode ser muito mais do que isso”, salienta.

Para o professor, as empresas estão percebendo que podem incorporar os processos digitais não apenas como forma de divulgar o trabalho, mas como processo do serviço. “A internet e as tecnologias digitais, de uma forma mais ampla, são fundamentais para os pequenos negócios, não apenas para divulgação”, ressalta.

Araújo menciona que existe uma gama de outros serviços que podem fazer o consumidor ter uma relação mais adequada, melhorar a interação com o negócio e fidelizar o cliente. Como exemplos, ele cita a criação de drives nos quais os consumidores podem colaborar com alguma ideia ou opinião e o uso de vídeos como forma de aproximar o cliente e fazer com que ele conheça mais sobre o serviço.

“A grande sacada das plataformas digitais em termos comerciais é fazer com que as pessoas interajam com uma marca, por exemplo, como se a marca fosse uma pessoa. Isso desenvolve um senso de pertencimento, que vai além do senso comercial.”

WILLIAN FERNANDES ARAÚJO – Especialista em Comunicação Digital

“Serviços que a pequena empresa têm dificuldade de fazer porque demandaria, em um outro momento, uma estrutura de construção de um site, hoje, com as plataformas digitais que disponibilizam serviços gratuitos, já conseguimos fazer isso com custos muito pequenos ou até zero, dependendo do conhecimento que cada empreendedor tem sobre elas”, observa.

Araújo também acredita que as tecnologias são fundamentais para que as pequenas empresas possam concorrer com empresas maiores que já têm uma plataforma própria. De acordo com ele, uma dica importante é que o empreendedor pare de pensar as tecnologias digitais apenas como meio de divulgação. “Como transformar o Instagram e o Facebook em ambientes não de divulgação de novas atividades, mas de interação, para saber os anseios dos clientes, saber o que ele pensa sobre o negócio e saber como ele gostaria de interagir com o negócio”, explica.

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