Com mais de 20 anos de experiência, o torneiro Marcos Vinícius Borba, reside em Santa Cruz do Sul, mas, há dois meses, vem todos os dias a Venâncio para trabalhar na Multserv
Com mais de 20 anos de experiência, o torneiro Marcos Vinícius Borba, reside em Santa Cruz do Sul, mas, há dois meses, vem todos os dias a Venâncio para trabalhar na Multserv (Foto: Eduarda Wenzel)

Por Eduarda Wenzel e Taiane Kussler*

Quem acompanha as vagas divulgadas pela agência da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Venâncio Aires percebe que há vagas quase permanentes. É o caso de torneiro mecânico, funileiro, marceneiro e costureira.

Conforme o coordenador da agência FGTAS/Sine, Adriano Costa, são profissões com demanda no município, porém com dificuldade para serem preenchidas, pois faltam profissionais que cumpram os requisitos exigidos para as funções. “Muitas vezes, as pessoas nem sabem o que é um torneiro ou funileiro”, comenta.

Às vezes, a mesma vaga é divulgada pelo Sine por semanas ou até meses, até que a agência consiga encaminhar uma pessoa para a empresa. “Geralmente, as empresas só contratam um torneiro, por exemplo, quando não dão mais conta do serviço, então precisam de alguém com experiência para não ter de parar e ensinar”, avalia o coordenador e, acrescenta que a mesma situação acontece para funileiros.

Na área de marcenaria, Costa explica que não existem cursos do ramo na região e, consequentemente, faltam pessoas que saibam atuar. “Hoje em dia, tem muita tecnologia nesse curso e não tem como suprir na região, por isso a escassez”, considera.

Com relação às vagas na área de confecção, o coordenador do Sine observa que, para trabalhar como costureira, não basta saber fazer reparos de roupas em casa – é preciso mais experiência. Além disso, existem outras demandas nas indústrias. “Muitos profissionais que procuram pela vaga são de outros segmentos da costura e não consegue se encaixar na vaga em aberto.”

QUALIFICAÇÃO

Para o coordenador da agência do FGTAS/Sine de Venâncio Aires, para ajudar a suprir essa falta de profissionais, é necessário mais cursos das áreas na região, ou que as empresas proporcionem a qualificação e experiência aos trabalhadores interessados.

A unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Frederico Closs, de Venâncio Aires, oferecia o curso de torneiro mecânico até o ano passado, mas, no momento não tem qualificação para esta área. Segundo a instituição, isso aconteceu porque o curso é extenso e estava com baixa demanda. Depois que as aulas voltarem para o modo presencial, será feito um novo estudo sobre a demanda do município, podendo voltar algo neste ramo.

O Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) campus Venâncio Aires já ofereceu curso de torneiro mecânico no modelo de Formação Inicial Continuada (FIC). “Geralmente, esses cursos vêm em modelo FIC, pois são cursos de baixa complexidade e podem ser realizados entre 160 e 400 horas”, explica o diretor-geral do campus, Cristian Oliveira da Conceição.

Atualmente, a área de tornearia é trabalhada nas aulas do curso técnico em Eletromecânica. “Para marcenaria, costura e funilaria, não temos equipamentos para realizar cursos na área”, explica.

“Seria importante que a empresa que oferece a vaga se colocasse à disposição de fazer um treinamento de qualidade e com mais calma para ajudar na formação. Mas muitas só contratam quando precisam que o profissional comece a trabalhar imediatamente.”

ADRIANO COSTA

Coordenador da agência FGTAS/Sine de Venâncio Aires

Desafios no setor metalmecânico

Encontrar profissionais qualificados para atuar no setor metalmecânico é um grande desafio para as empresas que precisam de mão de obra especializada, em Venâncio Aires e região. A Multserv Soluções Industriais vive esta realidade há mais de um ano, desde que anunciou uma vaga para mecânico de usinagem (profissional multifuncional que realiza serviços de torno e fresa).

De acordo com diretor comercial da empresa, Leandro Pires, encontrar profissionais de usinagem e área técnica é sempre um grande desafio. “Algumas pessoas que buscam pela vaga não são qualificadas e não possuem experiência. Além disso, há uma série de requisitos avaliados pela empresa durante a contratação, principalmente no que diz respeito à área comportamental”, pontua.

Atualmente, a empresa conta com 120 funcionários, sendo que cinco são torneiros mecânicos, três são fresadores e três mecânicos de usinagem. Mesmo que esteja atuando em uma demanda mais baixa, em média 25% abaixo da capacidade, a empresa sempre está em busca de profissionais qualificados.

Pires explica que os profissionais que são contratados, vindos de escolas técnicas, possuem oportunidade de crescimento dentro da empresa, pois passam por um treinamento pessoal, até que estejam preparados para atuar na área. “Primeiramente, os iniciantes são conduzidos ao setor de ajustagem, para acompanhar o processo. E, no segundo momento, eles são encaminhados para trabalhar nas máquinas. Um processo lento, que pode levar até dois anos”, destaca o diretor comercial. Segundo ele, a profissão requer muita habilidade e conhecimento, até que os profissionais estejam totalmente preparados para atuar no setor.

  • Vagas

Segundo a responsável pelo setor de Recursos Humanos da Multserv, Sabrina Kist, em abril, a empresa anunciou uma vaga para torneiro mecânico, que foi preenchida somente dois meses depois do anúncio.

No momento, ainda está em aberta uma vaga para mecânico de usinagem. Interessados podem enviar currículo para [email protected] ou na recepção da empresa, na rua Ottmar Benno Schultz, 3470, Distrito Industrial. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 12h e das 13h às 17h18min.

Setor de costura também apresenta déficit de funcionários qualificados

O Grupo Dass Confecções está com dificuldade para preencher o quadro de funcionários, na área da costura na unidade de Venâncio Aires. Em maio, a empresa abriu 120 vagas no setor de produção com contratação imediata, sendo que em torno de 25 vagas foram preenchidas.

De acordo com o gerente da unidade, Éverson dos Santos, apenas a metade dos profissionais que foram contratados tinham experiência no setor. Ele observa que, isso ocorre porque falta capacitação de mão de obra na área de confecção no município. “Quando contratamos profissionais já habilitados, o processo de produção é mais rápido. Caso contrário, ainda temos que oferecer uma capacitação interna, o que demanda mais tempo”, explica.

Segundo Santos, a partir da próxima semana, a empresa fará a seleção dos currículos sem experiência, para dar andamento ao processo e voltará a oferecer cursos internos. O treinamento é realizado em grupos de 12 pessoas e possuem, em média, um mês de duração.

Atualmente, a unidade de Venâncio conta com 320 colaboradores, sendo que 90 vagas ainda estão em aberto. Interessados em se candidatar às vagas podem entregar o currículo na portaria da empresa, na rua Ottmar Benno Schultz, número 3.700, no Distrito Industrial, ou pelo e-mail [email protected].

A Dass de Venâncio Aires, conta com 320 colaboradores, sendo que 90 vagas ainda estão em aberto
A Dass de Venâncio Aires, conta com 320 colaboradores, sendo que 90 vagas ainda estão em aberto (Foto: Divulgação)
  • 90 vagas estão em aberto na Dass para a área de costura.

*Colaborou Juliana Bencke

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome