Marlene diz que a saída para enfrentar os preços mais altos é ficar atenta às promoções diárias (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

No comparativo com o mês de agosto, o preço médio para adquirir os 38 itens da lista de compras pesquisada, mensalmente, pela Folha do Mate subiu R$ 22,58, neste mês. A alteração corresponde a 7,82%, com elevação do valor em 16 produtos, 11 com queda e 11 com a permanência do mês anterior. A média ficou em R$ 311,01 para adquirir todos os itens, o que em agosto custava R$ 288,43. Com relação a setembro de 2019, o aumento foi de 11,81%. São R$ 32,87 de acréscimo.

Entre os itens com maior aumento de valor estão produtos da cesta básica, como arroz, leite e óleo de soja. O pacote de arroz de dois quilos passou de R$ 5,99 para R$ 9,02. A alteração corresponde a 50,58% do mês passado para este. Já na comparação com setembro do ano passado, um aumento de 83,70% no valor praticado pelo pacote de dois quilos, que custava R$ 4,91 no ano anterior.

O aumento está relacionado a fatores como a produção reduzida, dificuldade de transporte, exportação para outros países e a alta do câmbio. Além disso, segundo estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a safra de arroz 2019/2020 será a segunda menor da história, acima apenas da safra anterior, ocasionada pela migração de produtores para culturas mais rentáveis, como a soja. Conforme dados da Cepea, nos últimos dez anos, a produção de arroz no Brasil caiu, em média ,1,8% ao ano.

Outro preço que tem assustado os consumidores é o cobrado pelo litro do leite e produtos derivados. Em setembro do ano passado, o litro custava R$ 2,71, enquanto que, neste mês, a média está R$ 3,92. Outro item com variação significativa é o óleo de soja, que custava R$ 4,67 e agora está R$ 6,26 – 34% a mais que no mês anterior. Produtos de higiene e limpeza têm se mantido sem alterações consideráveis, tanto na comparação com mês passado quanto com setembro de 2019.

Para diminuir os impactos no bolso, cada consumidor utiliza estratégias próprias para economizar. A agricultora Marlene Heck, 55 anos, diz que não costuma ir em diferentes supermercados, mas vai em diferentes dias conforme os produtos entram em promoção. “Sempre procuro a promoção e vou comprando aos poucos aqui”, afirma.

Queda mais considerável identificada na pesquisa foi no preço da cebola, que passou de R$ 4,79 para R$ 3,64, redução de 31,59% no valor do quilo do produto.

Foto: Reprodução

Medidas de prevenção ao Covid-19 elevam preço dos frios

No levantamento realizado na segunda-feira, 7, nos três supermercados utilizados como base para a pesquisa mensal, o item com elevação mais significativa foi a mortadela, que passou de R$ 10,95 para R$ 17,62 no preço médio cobrado pelo quilo. A variação equivale a 60,91%. O preço praticado em um dos supermercados pesquisados alterou a média.
O que influenciou o aumento foi uma das medidas de prevenção da Covid-19 estabelecidas, que suspendeu a venda de produtos manipulados em loja, como açougue e fiambreria, disponibilizando produtos embalados. Com isso, os itens como presunto, mortadela e queijo são oferecidos somente já embalados, o que eleva o preço do quilo e altera a variedade e tipos e marcas oferecidas.

Oscilação de preços é reflexo de pouca oferta e maior demanda

Por Rosana Wessling

A professora de Economia e coordenadora do curso de Comércio Exterior da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Fernanda Cristina Wiebusch Sindelar, destaca que houve uma redução da área plantada de arroz, em favor da soja, o que explica a alteração nos preços. “Em virtude da estiagem e da maior demanda internacional, já que os Estados Unidos também tiveram problemas com a produção de soja, o preço subiu em termos internacionais e afetando também a indústria de derivado. Para compensar a demanda doméstica, tem se importado alimentos de outros países.”

A doutora em Ambiente e Desenvolvimento também reforça que, com a compra do grão pelo exterior, o óleo está em falta no Brasil. Fernanda comenta que, como o país está tendo que importar a soja, especialmente do Paraguai, com o câmbio desvalorizado mais tarifa de importação, o custo do produto sobe significativamente, e todos os derivados acabam subindo também. “A maior parte da oscilação dos preços está ocorrendo em virtude de movimentos na oferta e na demanda. Como a demanda está superior a oferta, os preços estão subindo”, evidencia a professora.

Entre os fatores que justificam a alta no valor, a doutora cita a estiagem que fez reduzir a produção de alimentos e, com isso, a oferta nos supermercados. Além disso, Fernanda aponta que a moeda do país vem se depreciando novamente em relação ao dólar, o que faz com que produtos importados se tornem mais caros, além de a produção brasileira ter sido inferior a demanda de mercado. “Com a pandemia do coronavírus, os brasileiros mudaram os seus hábitos de consumo, como muitos estão em casa e alguns perderam seus empregos/ou tiveram uma redução da jornada de trabalho, estão consumindo produtos mais básicos como o arroz e o óleo de cozinha, o que também justifica a maior demanda”, menciona a profissional.

“É comum termos variação dos preços dos alimentos, especialmente sazonais, em todos os anos, mas este ano está mais expressivo, pelo aumento da demanda e menor oferta dos alimentos. Por isso, o preço subiu tanto.”
FERNANDA SINDELAR
Professora de economia

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