O diretor da Escolas Estadual Wolfram Metzler, Arno Romeu Rodrigues Junior ajuda os técnicos agrícolas a cuidar dos animais (Foto: Eduarda Wenzel)

Bois, vacas, porcos, galinhas, codornas, coelhos, abelhas e cachorros fazem parte do cotidiano da Escola Estadual de Ensino Médio Wolfram Metzler, que, assim como toda rede escolar, está parada por conta da pandemia de Covid-19. Porém, esses animais não podem ficar sem cuidados, por isso, além do desafio de mandar conteúdos para os alunos, a escola teve que se adequar para manter a área agrícola.

Com dois técnicos agrícolas trabalhando e com ajuda do diretor Arno Romeu Rodrigues Junior, eles fazem escalas semanais para tratar os animais. O gestor conta que cada um vai cinco dias, em meio turno, para a escola. Ele está quase todos dias na instituição e no fim de semana assume a responsabilidade cuidar dos bichos.

Com menos mão de obra, porque no cotidiano os técnicos contam com ajuda de alunos, a escola está sem adquirir animais, mantendo apenas o que já tem. “Sempre trabalhamos com um número mais equilibrado, mantendo a escola. Isso porque, se acontece um problema, como de doença que espalha para outros animais, temos menos riscos e as perdas são menores.” A parte rural da escola é utilizada no curso técnico de Agroindústria, que é oferecido no Ensino Médio, e os produtos também auxiliam na alimentação dos alunos.


“Temos uma escola tão bonita, tão grande e estar aqui sem os alunos parece que perde um pouco o sentido. Espero logo ver ela cheia de novo.”

ARNO ROMEU RODRIGUES JUNIOR – Diretor da Escola Wolfram Metzler


O diretor observa que a escola tem que manter essa área e por isso vão seguir sempre com alguém cuidando dos animais, mesmo durante as restrições sociais. “Temos que vir cuidar, os animais precisam da alimentação e higienização. Os bovinos e suínos até sabem se viram melhor, se estão soltos, mas os animais de gaiolas como coelhos e codornas precisam ser tratados, se não passam fome”, acrescenta.

Para Junior, além de ter que reorganizar a gestão da escola, é muito diferente ver ao ambiente vazio. “Mesmo nas férias, nós temos contato com os colegas e alunos. Agora a escola está vazia, silenciosa e é estranho.” Ele também lembra que a Páscoa, que foi uma data comemorada de forma diferente por conta da quarentena, foi estranha sem as atividades escolares. “É uma data que conseguimos fazer atividades muito legais, porque usamos nossos coelhos e isso deixa as crianças muito animadas, mas neste ano, infelizmente não foi dessa forma”, lamenta.

ALIMENTOS

Até o momento, o diretor afirma que está tranquilo de manter os alimentos, pois as carnes estão congeladas e os ovos estão sendo vendidos para a comunidade escolar. “O principal objetivo é complementar a merenda, por isso estamos tranquilos com a quantidade, porque não é tão grande. Para manter a produção, às vezes quando sobra, comercializamos ovos e mel entre professores e alunos”, explica. Também esclarece que a maioria das frutas e verduras ainda não havia sido plantada. “Nos primeiros meses os alunos têm aulas teóricas, pelo mês de junho começam a semear e dar vida às hortas”, expõe.

Reformas

O diretor da Escola Wolfram Metzler comenta que, apesar de todos pontos negativos da paralisação por conta da pandemia de coronavírus, a instituição está aproveitando esse momento para realizar pequenas reformas. “Algumas coisas que, devido ao barulho, era ruim de fazer com aulas”, diz Junior.

Essas reformas aconteceram em banheiros e no galpão dos porcos. “Algumas telhas que tínhamos aqui usamos para reformar o setor de suinocultura, que também recebeu nova fiação e parte hidráulica. São coisas que aos poucos conseguimos arrumar.”

Direção

Arno Romeu Rodrigues Junior assumiu o cargo de diretor da Wolfram Metzler no dia11 de março. O professor de Geografia, que trabalha há 10 anos na escola, comenta que é um novo desafio. “Além de assumir um novo cargo, peguei a escola em uma situação totalmente nova, que ninguém passou antes”, comenta, ao salientar que conta com ajuda de colegas que já tiveram prática no cargo. Antes de trabalhar na escola, Junior estudou como interno da então Escola Agrícola. Por isso, tem um carinho especial pela instituição. “Muitos dos meus colegas, hoje, foram meus professores.”

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