Após 25 anos sem estudar, mãe se forma na faculdade ao lado da filha

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Depois de muito trabalho, estudo e dedicação, chegou o dia tão esperado: a formatura de Cristine Hochscheidt Ruschel, 46 anos, Larissa Hochscheidt Ruschel, 23 anos. Moradoras de Vila Palanque, mãe e filha conquistaram, juntas, o diploma de Pedagogia na Uninter, no último mês. Por conta da pandemia de Covid-19, não houve festa nem cerimônia, mas a comemoração entre elas foi grande.

Cristine estava há 25 anos sem estudar, mas sempre sonhou em fazer faculdade. Como atua na Escola Estadual de Ensino Médio Frida Reckziegel, em Vila Palanque, como agente educacional, ela tinha muito vontade de ser professora, mas primeiro queria que a única filha terminasse o Ensino Médio.

“Por muitos anos, eu e meu marido fomos agricultores, depois fiz faxinas e há muitos anos sou contratada para trabalhar na escola. Sempre trabalhei bastante para que a Larissa terminasse a escola e fizesse alguma graduação”, conta.

Em 2017, meses após a filha terminar o Ensino Médio, Cristine fez vestibular com ela, para que as duas cursassem pedagogia. Nos primeiros anos, as aulas aconteciam nas segundas-feiras. As duas se juntavam com mais duas amigas e vizinhas para ir até a Uninter, mas o restante dos materiais eram feitos pelo computador. “O começo foi o mais complicado para mim, parecia uma ‘bicho de sete cabeças’. Antes da Larissa se formar eu tentava acompanhar os trabalhos dela no computador e entender tudo, porque já estava me organizando para fazer faculdade com ela. Porém, mesmo assim, aprender tudo foi um desafio, mas a Larissa e a nossa outra amiga Rafaela me ajudaram muito, elas são mais novas e entendiam para me explicar”, comenta a mãe.

O exemplo da mãe motivou Larissa a iniciar o curso superior logo após o Ensino Médio. “Achei o máximo e sempre incentivei ela. Os professores também achavam muito legal e ajudaram ela, para sempre continuar.”

Estágio da faculdade

Por causa da pandemia do Covid-19, as aulas ficaram totalmente virtualizadas. As duas estudavam de noite e, muitas vezes, aos domingos, para conseguir deixar todos os trabalhos em dia. “Mãe é mãe, sempre vai puxar mais e cobrar. Então minha mãe nunca deixava os trabalhos para a última hora. Eu, ela e minha amiga nos juntávamos e fazíamos logo. O estágio que tinha um ano todo para fazer, a mãe quis fazer logo, e foi a nossa sorte. Ela fez eu também, no mesmo período, e logo depois começou a pandemia. Se tivesse deixado para os últimos meses para fazer, teria me atrasado na faculdade.”

As duas estagiaram na escola Frida, próxima da casa, e trabalharam com turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental e com terceiro do Ensino Médio. A experiência foi positiva. “Eu adorei estar na sala dos pequenos, todos me conheciam por trabalhar na escola e foi muito legal, vou fazer o concurso do Município para tentar algo na área”, afirma Cristine. “Eu gostei bastante, mas percebi que o Ensino Médio é mais complicado, por serem adolescentes. Quero atuar com as crianças também”, completa Larissa.

Mãe e filha também enfatizam que a atuação em Pedagogia contempla todos os conteúdos. “As pessoas não imaginam que precisamos saber um pouco de tudo, para trabalhar e ensinar os pequenos. Estudamos Biologia, Matemática, Português, História, de tudo”, cita Larissa.

 Larissa e Cristine com a família, Pablo, Luís, Lisi e Arlindo
Larissa e Cristine com a família, Pablo, Luís, Lisi e Arlindo (Foto: Arquivo pessoal)
  • Festa

Cristine conta que já estava programando fazer uma festa no salão da comunidade para comemorar a formatura ao lado da filha. Por causa da pandemia, não foi possível fazer, então elas optaram por também não realizar a cerimônia de colação de grau. Para registar o momento, fizeram um ensaio fotográfico com a família. “Sou a primeira filha a ter uma faculdade e a Larissa a primeira neta, então convidei meus pais também para as fotos, eles estavam muito orgulhosos”, compartilha.

“Muita gente riu de mim, falou que eu já não tinha mais idade para estudar, que deveria só ajudar a minha filha a se formar, mas a Larissa me apoiou e incentivou a fazer, assim como minhas colegas do trabalho. Eu também coloquei na cabeça que nunca é tarde para realizar um sonho e consegui.”

CRISTINE HOCHSCHEIDT RUSCHEL
Pedagoga

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